5 Tendências de Negócios de Varejo para 2012


Esta semana, com base em uma pesquisa feita pelo instituto de pesquisa IBISWorld, o site da Exame publicou uma matéria sobre 5 idéias de negócios de varejo ideais para abrir nesse  ano de 2012. Irei dividi-los em duas classes e depois vou explicar o por que. São eles:

1) Pneus (crescimento de 10% no faturamento)
2) Móveis (receita destes negócios deve crescer 3,4% no ano)

3) Comida (aumento de faturamento esperado de 2,3%)
4) Bolsas e acessórios femininos (aumento de 5,5% na receita)
5) Arte (receita destes negócios deve crescer 3,4% no ano)

Os negócios de varejo e os Bens Complementares

Para entender melhor como a pesquisa chegou a esse resultado, antes é preciso conhecer e entender sobre dois outros assuntos. O primeiro, e menos conhecido, é um termo de origem Econômica chamado Bem Complementar. Já o segundo, e mais conhecido (a reportagem até chega a cita-lo de uma forma bem superficial), é a expansão em número e o aumento da renda da famosa classe C. Vamos as definições.

Um bem complementar é um bem que deve ser consumido com outro bem. Isto significa que, se os bens A e B forem complementares, um aumento no consumo do bem A resultará em um aumento do consumo do bem B.

Como exemplo podemos citar o mercado de Impressoras x Cartuchos de Tinta, quanto maior for o número de impressoras vendidas, maior será a procura por seus bens complementares, como cartuchos e toners. (É por isso que os supermercados colocam uma margem tão baixa no pão francês, afinal, quanto maior o número de pãos vendidos, maior será o consumo de seus bens complementares como presunto, mussarela, manteiga, etc…)

Definido o termo vamos explicar o primeiro grupo, o de Pneus e Móveis. Após a explicação, você entenderá que esses dois negócios são conseqüências de seus mercados maiores, e que o crescimento na demanda de um, trará como uma provável conseqüência o crescimento na demanda do outro.

Não é novidade alguma eu dizer que a indústria automobilística e o mercado imobiliário  estão passando por um dos seus melhores momentos na história do Brasil. Seja pela facilidade de parcelamento, de concessão de crédito, ou de qualquer outro fator, não importa. O que vale ressaltar é que junto com esse aumento na demanda desses dois mercados, uma avalanche de bens complementares também ocorreu (sejam esses bens negócios, produtos, profissionais, etc).

Vejamos, repare que antigamente era muito difícil encontrar alguma loja de utensílios para decoração, todas se concentravam perto dos bairros nobres pois esse era um ramo destinado somente aos públicos das classes A e B. Hoje, essas lojas estão presentes a cada quarteirão, e como se já não bastasse essa proliferação de lojas físicas, há também empreendedores estão ganhando uma fortuna com o comercio eletrônico de utensílios raros para decoração.

O mesmo raciocínio também vale para o mercado automobilístico. Oficinas e funilarias estão com suas agendas tão lotadas que mais parecem um consultório médico. Diferentemente do mercado de Pneus apontado na reportagem (esse aqui no Brasil infelizmente enfrenta uma desleal concorrência, o mercado Paraguaio) eu particularmente apostaria no mercado de acessórios para Som.

Enquanto o primeiro é praticamente uma commodity (as pessoas não entendem/valorizam a diferença entre os produtos) o mercado de som automobilístico já é um serviço que inclui um considerável valor (o cliente não quer ter apenas seu som instalado de qualquer jeito, ou melhor, o cliente não compra o som, ele compra status, prazer).

Quando o som vale mais que o carro...

Já no segundo grupo encontram-se os negócios que estão mais diretamente ligados ao aumento do poder de consumo e de número de indivíduos pertencentes à classe C (indivíduos que ganham cerca de R$2.000,00 mensais).

São eles Comida, Arte,  Bolsas e acessórios femininos. Para explicar como cheguei a essa conclusão, vou falar sobre um assunto que gosto de chamar de paradigma de definição de bens supérfluos.

Certa vez li um texto no qual o autor dizia que “quanto maior for a renda de uma pessoa, maior será o seu gasto com bens supérfluos”. Essa frase me levou a uma profunda reflexão, mas afinal, o que pode e o que não pode ser considerado um bem supérfluo?

Vamos a um exemplo:

Para uma pessoa que ganha R$500,00 por mês, tomar uma cerveja importada pode ser considerado algo supérfluo. Porém, se essa mesma pessoa passar a ganhar R$1.000,00, essa vontade antes considerada supérflua começa a ser encarada como um desejo (“Como eu gostaria de tomar aquela cerveja…”), bastando apenas um estímulo certo (propagandas na Televisão, influência dos amigos, etc) para que esse desejo se torne uma necessidade! (“Eu PRECISO daquela cerveja importada!”).

E se essa mesma pessoa começar a ganhar R$2.000,00? Bom, agora aquele whisky que ela considerava algo supérfluo, que ela sequer gostava por considerar uma bebida muito forte, passa a ser encarado como um item obrigatório no barzinho de sua casa.

Cerveja? Nem pensar!

Perceberam como de certa forma somos pessoas altamente influenciáveis e que, sendo assim, vivemos em um constante paradigma de definição?

Diversos são os fatores que podem levar um indivíduo a consumir itens dos quais antes ele não via a menor necessidade. Alguns psicólogos podem afirmar que tal fato pode ser explicado observando a Hierarquia de Necessidades de Maslow,  porém, em minha opinião, tal teoria já está ultrapassada e não serve mais como uma explicação final, apenas como uma base (Leia a minha crítica sobre a Pirâmide de Maslow).

Entendendo esse paradigma, fica mais fácil compreender o resultado da pesquisa. Uma família que começa a melhorar sua renda ou que começa a receber algum outro tipo de estímulo, começa a querer apreciar comidas que antes ela achava que não tinham o menor sabor, começa a apreciar obras de arte que para ela era algo totalmente brega e passa a querer comprar e se endividar com acessórios de marca muitas vezes fúteis só para querer imitar tal artista da novela

É importante se informar sobre tais análises pois no mundo dos negócios é assim, sai na frente (e ganha mais dinheiro) aquele que estiver melhor informado!


Newslatter
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