A ameaça ao Ego e a falácia do custo irrecuperável


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Quando um investimento não produz o retorno previsto, tendemos a investir mais e mais, mesmo que o valor esperado seja negativo e nos leve a um prejuízo gigantesco.

Será que você já agiu dessa forma?

Economistas explicam esse comportamento com base em um conceito conhecido como “falácia do custo irrecuperável”, ou seja, quando estimamos o valor de um investimento futuro, temos dificuldade de ignorar o que já investimentos no passado.

Estudos mostram que as pessoas efetivamente tomam decisões mais sensatas e criativas quando levam em consideração o bem-estar alheio. Do contrário, quando decidem com o foco mais voltado para si mesmas, tendem a se sujeitar mais à ameaça ao ego e, muitas vezes, a sofrer na tentativa de encontrar a solução ideal em todas as dimensões possíveis.

A falácia do custo irrecuperável na prática

Em um estudo liderado por Barry Staw, um renomado professor de comportamento organizacional da Universidade da Califórnia, quando os clientes de um banco da cidade não pagavam os empréstimos, os gerentes que os tinham concedido encontravam dificuldades em desistir da cobrança e contabilizar o prejuízo.

Staw e os demais pesquisadores do estudo descreveram que quem participou mais de perto da concessão do financiamento demonstrava maior dificuldade em reconhece os riscos do crédito e a probabilidade de inadimplência.

Quando quem aprovou o empréstimo problemático deixava o banco, os novos gerentes eram muito mais propensos a registrar o prejuízo. Como os novos gerentes não tinham responsabilidade pessoal pelos empréstimos inadimplentes, seus egos não estavam sob ameaça, o que não os forçava a justificar as decisões originais.

Embora para a organização em si talvez seja melhor abandonar o projeto, essa decisão acarretaria custos pessoais significativos para quem o aprovou, como por exemplo perda de mobilidade na carreira, danos à reputação como gestor, etc…

Em situações como essa, gestores egocêntricos têm dificuldade em encarar a realidade de que a escolha inicial não deu certo, tendendo a “ignorar informações sociais e feedback sobre o desempenho que não confirmem a opinião favorável deles a respeito de si mesmos”

Os melhores gestores procuram se concentrar mais nas consequenciais organizacionais de suas decisões, aceitando efeitos negativos sobre o orgulho e sobre a reputação no curto prazo, a fim de fazerem melhores escolhas no longo prazo.

A ameaça ao ego nos esportes

Comportamento parecido ao estudo dos gerentes também podem ser observados em equipes esportivas, basta ver quando um técnico, apesar de ter várias provas de que aquele jogador que ele insistiu em contratar está atuando em um padrão muito abaixo dos seus companheiros, insiste em deixa-lo jogando.

É por isso que, nesses casos, a mudança de técnico pode ser bem-vinda. Como o novo comandante não tem nenhuma relação com as antigas contratações, não sentirá nenhum remorso se tiver que colocar esses talismãs no banco de reservas.

Também de forma parecida, é assim que jogadores de pôquer perdem todo o seu dinheiro acreditando que se jogarem mais uma rodada poderão recuperar as perdas ou até levar uma bolada, ou que empreendedores em dificuldade acham que se injetarem um pouco mais de recursos em suas startups eles finalmente poderão dar uma grande reviravolta.

Em outro estudo sobre ameaça ao ego, dessa vez feito por professores da Universidade Estadual de Michigan, foi descoberto que os participantes que caíram nessa armadilha esboçaram aos pesquisadores um pensamento de “se eu parar de investir, parecerei e me sentirei tolo”.

E ninguém gosta de se sentir tolo, principalmente em uma sociedade.

E em resposta à ameaça ao ego, investe-se mais, na esperança de converter o projeto em um sucesso e demonstrar aos outros – e a si mesmo – que se estava certo desde o começo.

É assim que nossas dívidas se transformam em bolas de neve, ou que as empresas queimam seus orçamentos em projetos com pouquíssimas chances de ser um sucesso.

Infelizmente, ninguém está imune aos efeitos da ameaça ao ego, nem mesmo este que vos escreve.


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