A banalização do empreendedorismo


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É fato que, nunca antes da história desse país, o tema empreendedorismo foi tão discutido. Palestras que custavam fortunas, hoje são gratuitas. Leis que demoravam séculos para serem aprovadas, isso aquelas que tinham a sorte de serem levadas para votação, começaram finalmente a aparecer.

Eventos, como a Semana Global do Empreendedorismo, e Feiras, como as organizadas pelo Sebrae, começaram finalmente a serem frequentadas. Até os bancos começaram a facilitar o crédito, além dos veículos de comunicação que passaram a ter colunas exclusivas sobre o assunto.

Para resumir a história, hoje, o tema empreendedorismo está quase tão frequente quanto às aparições do Fábio Porchat, o protagonista da série Porta dos Fundos.

Todas essas iniciativas me fizeram lembrar de uma inesquecível frase do célebre autor e consultor empresarial Max Gehringer, escrita em seu livro “Emprego de A a Z” (2008), da qual eu já utilizei muito em minhas palestras sobre Marketing Pessoal. Transcrevo, na íntegra, as palavras do autor:

“Sete de cada dez pessoas não poderão depender de empresas para ter emprego. Terão que gerar seus próprios empregos. A profissão do futuro, portanto, será a de chefe. Chefe de si mesmo. Pouca gente enxerga isso como possibilidade concreta.

Mas sete de cada dez pessoas, independente de idade, ou da formação, deveriam pensar seriamente no assunto. Ou por estatística, ou por vocação, ou por falta de opção.”

Refletindo sobre essa frase, torna-se muito clara a preocupação do Governo em tomar a frente nessas diversas iniciativas. Ela também serve para compreender o porque dessa crescente e repentina demanda por negócios duvidosos, como o surgimento explosivo das empresas de Marketing Multinível, se tornarem tão populares.

A banalização do empreendedorismo também nos traz um outro assunto que me preocupa bastante, trata-se do aparecimento cada vez mais frequente de desconhecidos gurus cibernéticos.

Aproveitando-se de uma população claramente preocupada não só com o seu futuro, mas também com o seu presente, tais profissionais, que de bobos não tem nada, passaram a oferecer soluções milagrosas para que essas pessoas finalmente conseguissem abrir seus próprios negócios, prometendo a tão sonhada independência financeira.

Solução essa que é devidamente precificada em livros e ebooks, é claro.

A banalização do empreendedorismo

Para vocês terem uma ideia, a farra está tão escancarada e a desconfiança está tão grande, que quando propus parcerias para organizar a Semana Global do Empreendedorismo em minha cidade, a primeira pergunta que as pessoas me faziam era “mas o que você pretende ganhar com isso?”.

Quando eu respondia que era somente divulgar o empreendedorismo na cidade, recebia um olhar cético, incrédulo, parecia até que eu estava cometendo algum crime.

Veja bem, gostaria de deixar claro que a finalidade desse texto não é criticar o ensino em massa do empreendedorismo, muito pelo contrário, minha intenção foi demonstrar os dois lados da moeda, porque, ao que tudo indica, apenas o lado bom é divulgado pela mídia e conhecido pela população.


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