A invisibilidade social começa por você


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Estamos cercados de pessoas que nos servem. É o garçom do restaurante, os varredores de rua, as diaristas, os cobradores de ônibus (ou os manobristas, dependendo do nível social de cada um), os recepcionistas de hotéis, a pessoa atrás do balcão da padaria… Cada uma delas nos atende em troca de um pagamento no final do mês. Esse é o mundo dos serviços no qual vivemos.

E o mundo anda tão rápido, estamos tão ocupados e temos um dia tão ruim que nos tornamos mimados.  Para nós é muito mais fácil ignorá-las e simplesmente impor às nossas vontades. Convenhamos, é relativamente fácil tratar as pessoas como se fossem invisíveis, contanto que consigamos o que queremos.

Se a fila do banco está muito grande, ou os preços do mercado estão muito altos, ou o recepcionista não sabe onde nos colocar porque o hotel está cheio, é fácil ter um ataque de nervos, afastarmo-nos da interação e, pior ainda, da pessoa que tentava nos ajudar.

Isso tudo me fez lembrar do belíssimo trabalho do Psicólogo brasileiro Fernando Braga da Costa, que fingiu ser gari por 8 anos para comprovar sua tese de mestrado sobre invisibilidade social. Segundo o psicologo, “as pessoas  enxergam apenas a função  social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse  critério, vira mera  sombra social”.

Onde está o “olho no olho”? Onde está a dignidade que vem de reconhecer o próximo?

Quando humanizamos a pessoa que está do outro lado do balcão, do telefone ou da internet, concedemos a ela algo precioso – a pessoalidade.

Quando tratamos as pessoas ao nosso redor com dignidade, criamos uma plataforma completamente diferente para as palavras que pronunciamos e os planos que fazemos.

Melhor seria se fossemos atendidos por um aplicativo? Assim todos os nossos problemas estariam resolvidos?

Não. Ainda é impossível estabelecermos uma conexão com um dispositivo ou um robô. Ainda.

Na atualidade em que vivemos, e tomara que isso se alongue por muitos anos, vale muito mais a pena conectar-se a uma pessoa, alguém a que possamos conferir a dignidade que ela merece.

E você, como tem tratado os que te servem?

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  1. […] atrás, escrevi um texto acerca do tema Invisibilidade Social, uma referência ao trabalho de mestrado do psicólogo brasileiro Fernando Braga Costa, no qual o […]

  2. […] atrás, escrevi um texto acerca do tema Invisibilidade Social, uma referência ao trabalho de mestrado do psicólogo brasileiro Fernando Braga Costa, no qual o […]

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