A leitura precisa se relacionar com a prática!


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Essa semana eu recebi por email um mega depoimento sobre o meu livro que me deixou muito feliz! Foi tão completo que eu resolvi transcrevê-lo aqui no blog.

Digo isso porque a leitora conseguiu relacionar de uma forma bem clara as histórias que eu conto com a sua realidade profissional e pessoal. Tal relação com a prática de cada um não só é o objetivo principal do meu livro, mas também o de todos os textos que eu procuro publicar.

Escrever sem gerar empatia é algo abominável. Esse sentimento eu devo principalmente as minhas aulas de Gestão Organizacional ainda na graduação, onde o professor, em vez de formular problemas envolvendo nossa realidade na época, ou seja, a de pequenas e médias empresas, preferia pedir nossa opinião sobre como proceder em um erro de uma multinacional com milhares de funcionários espalhados em dezenas de países.

Na minha opinião, se o leitor não se sentir parte da história, se ele não pensar “nossa, mas isso também já aconteceu comigo” ou “eu já vi isso acontecer com um amigo”, se nada disso não acontecer com os meus textos, pra mim eles ainda estão incompletos, e se estão incompletos, eu não posso publicá-los.

Mas chega de enrolação, vamos ao que interessa. Segue o email:


Primeiramente quero te parabenizar, me interessei pelo livro quando você começou a divulgá-lo, e como já vinha acompanhando sua carreira e suas postagens há algum tempo, achei que ele poderia agregar valor aos meus conhecimentos. Ele superou totalmente as minhas expectativas.

É um tipo de leitura simples, mas com conteúdo, apresenta exemplos, pessoais ou não, reais ou não, mas permite que as pessoas visualizem a situação. E o que mais gosto em um livro, é a composição dos capítulos, e o seu possui uma das melhores.

Capítulos não muito extensos, mas com finalizações, você finda a ideia no próprio capítulo, fica fácil e satisfatório para quem não dispõe muito tempo para a leitura, ou aproveita os pequenos intervalos para ler, não há nada que me deixe mais irritada do que ter que parar a leitura no meio do capítulo, ou ter que iniciar o outro para concluir o assunto.

Como já te havia dito, fico feliz em ver um colega de profissão tão jovem quanto eu, trilhando seu próprio caminho e compartilhando com os outros o que aprendeu, seja através de sucessos ou insucessos. Agora vou esmiuçar alguns pontos:

Sobre o capítulo “Sobram oportunidades, o que falta é iniciativa” na página 45, onde você fala sobre funcionários que não querem fazer mais que sua obrigação, lembrei claramente de um fato que vivenciei anos atrás em uma empresa onde permaneci por 3 anos. Quando entrei na empresa, foi como assistente, eles haviam acabado de contratar um gerente que achavam “o cara”. Bom, o cara saia antes da hora, não respondia aos clientes, mentia, dizia que iria resolver os assuntos depois e esquecia porque não anotava, e tudo acabava sobrando para mim. Ele assinava, e eu trabalhava. Três meses depois eu já estava de saco cheio e pronta para sair da empresa, mas a equipe diretiva já estava de olho nele, e começaram a me passar mais responsabilidades e outras funções, eu nunca me neguei, e alguns dias depois, ele foi despedido, eu virei gerente e foi contratada uma nova funcionária para meu antigo lugar. Enfim, em um outro setor, que ficava junto ao meu em uma grande sala, havia uma funcionária que ficou conhecida pela frase “isso não está no contrato”, ela sempre repetia essa frase quando solicitavam que ela executasse uma outra atividade além das habituais, ou que aprendesse alguma nova função. Nos dias de hoje, é uma mentalidade complicada, primeiro que toda a função é um aprendizado, e outra, que se eu tivesse me recusado a aprender e a executar novas funções, não teria sido promovida.

Sobre o capítulo “Você só cresce se os outros crescerem junto com você” na página 61: eu moro em uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, fronteira com o Uruguai. Tenho graduação em Administração, Pós Graduação em Gestão de PME’s, falo Espanhol fluente, abandonei o Inglês mas já voltei e estou recuperando o tempo perdido. Estou sempre fazendo cursos técnicos, participando de palestras, seminários, encontros. Já dei aulas em cursos técnicos em meus horários de folga. Quando você fala em empresários que querem mão de obra qualificado pagando R$ 1000,00 por mês, visualizo a nossa triste realidade. Aqui, quanto mais você se especializa, mais distante fica das empresas, por não possuirmos grandes empresas, e a maioria ser de cunho familiar, eles têm a visão de que você vai entrar e querer tomar o lugar deles, mandar na empresa ou mudar tudo, e sabe né, “tudo sempre foi feito assim”. Ou então, vemos ofertas de emprego, com 44 horas semanais, de preferência para quem tenha graduação, se tiver pós é melhor, com um salário de aproximadamente R$ 1000,00. E ainda acham que você deve vestir a camisa da empresa, defender o patrão e se sair a procura de algo melhor, você é mal agradecido.

Para este mesmo exemplo posso usar o seu capítulo “A desmotivação silenciosa por trás da inovação” na página 157: as empresas aqui podam os profissionais, fica difícil implantar inovações, e aí entra a questão cultural da cidade, que não gosta de mudar ou evoluir.

Sobre o capítulo “Marketing não é um departamento, marketing é tudo” na página 67: acho que o maior erro de compreensão a respeito do marketing hoje em dia, começa na faculdade. Nenhum professor de marketing que tive me deu um conceito tão simples quanto o seu, eles estavam mais preocupados em explicar que marketing não é merchandising. Por isso as empresas não entendem que o marketing está em cada pequena ação diária.

Sobre o capítulo “O cliente que nunca mais volta” na página 87: eu sou ele, completamente assim.

Sobre os filmes que você indicou: alguns eu já havia visto, Nação Fast Food inclusive eu passava para todas as minhas turmas da disciplina de Gestão de Empreendimentos Rurais nos cursos de Administração, é um choque de realidade. Outros já estão na minha lista. Eu indicaria também, para motivação e perseverança, todos os filmes do Rocky, eu particularmente adoro.     E Jerry Maguire – A grande virada, nunca vou esquecer esse filme, que assisti ainda adolescente quando nem imaginava seguir a Administração, ele tem uma visão diferente sobre como trabalhar e atender seus clientes, mas a empresa não lhe dá abertura e ele parte para a “carreira solo”, passa por dificuldades, mas não desisti, encontra quem o apoie, é um case…rsrsr. Poderíamos citar vários, cada um se identifica melhor com um tema, um filme, mas eu particularmente não gostei de “O Lobo de Wall Street”, acho que eles focaram muito no estrelismo e nas mulheres peladas e pouco nos negócios.

Gostei de suas dicas de livros, achei legal separá-los por níveis, alguns já estavam na minha lista, outros foram para a fila. Eu indicaria alguns outros também, li “Pai Rico, Pai Pobre” depois de me formar, lamento não ter lido antes, e acho que todo o acadêmico deveria ler, nos mostra as diferentes visões sobre o dinheiro e a forma de geri-lo.

Eu tinha um professor de contabilidade que nos dizia que não adianta você ser um excelente administrador, se não tiver uma noção das outras áreas de negócios, como contabilidade e economia. Ele dizia que um ótimo contador conseguia fraudar qualquer empresa, e se o administrador não conhecesse um pouco mais do básico sobre as outras áreas, quando descobrisse os rombos, seria tarde demais. Então, além de bons autores de contabilidade, eu gosto dos livros onde Kaplan e Norton metem seus pitacos, como em Contabilidade Gerencial, eu indicaria “Crash – Uma Breve História da Economia”, é pobremente resumido como a história do dinheiro. Não adianta gerenciar o dinheiro sem sabermos sua origem e tudo o que passou até chegar aqui.

E agora, seu livro também entra na minha lista de indicados. 

Te parabenizo, pela dedicação, pelo estudo e pelo desejo de compartilhar e melhorar a nossa profissão.


É claro que nem tudo são elogios, mas as críticas me serviram como um alerta para sempre seguir rumo ao aprimoramento.

E vamos em frente!


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