ABP – Aprendizagem Baseada em Problemas aplicada aos negócios


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Eu utilizo a ABP em cerca de 70% das minhas aulas. Para quem não conhece, nesse método, o professor deixa de ser um oráculo, aquela única pessoa dona da verdade na sala, e passa a ser um tutor, mediando os debates entre os grupos, que são reunidos para resolver um problema prático do mercado de trabalho e da sociedade (isso na área de negócios).

Ontem mesmo eu dividi a sala em dois grupos e pedi para que ambos encontrassem soluções para os maiores problemas que a nossa sociedade está enfrentando hoje: Saúde, Educação, Violência, Desemprego e Desigualdade Social.

Nada disso estava no meu plano de aula, mas eu não ligo muito. Horas antes da aula eu recebi uma reportagem sobre esse assunto por email e resolvi que seria interessante discutir isso com os alunos. Foi assim que a discussão rolou solta na sala.

Eu tenho a minha opinião sobre cada item apresentado, eles também têm as opiniões deles. Ninguém está certo e ninguém está errado. É isso o que eu chamo de um verdadeiro debate.

Porém, o maior problema em utilizar a ABP é que os alunos, acostumados pelo nosso EXCELENTE sistema educacional no colegial, são moldados a pensar que aula é aquela em que o professor chega na sala e vomita um monte de conteúdo em cima deles. Um aprendizado passivo, inútil na nossa era da informação.

E quando o docente não age assim, os alunos costumam dizer que  “o professor praticamente não trabalha, e aí fica muito fácil dar aulas”.

É muito difícil arrancar esse pensamento da cabeça dos jovens, mas eu tenho plena convicção de que a ABP hoje é o melhor método de ensino para a área de negócios. Na ABP o principal responsável pela aprendizagem do aluno é o próprio aluno, e não o professor, uma inversão completa de valores. Talvez seja por isso que o método causa tanta resistência.

Eu não vou me vender para o sistema, e eu também não estou formando robôs. Estou formando cidadãos, que precisam saber que em suas empresas não existirá a pergunta “O que você faria para resolver esse caso?” ou “Qual sua opinião sobre esse problema?”.

Muito pelo contrário.

Dentro das empresas não existem perguntas. O responsável por formulá-las  serão eles próprios, e se eles não forem treinados a pensar assim em sala de aula, a coisa não irá andar. Não irão progredir de jeito nenhum.

É nisso que eu acredito.


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