Ajudar a comunidade em primeiro lugar. Será que dá?


marketing-social

“Nenhuma empresa consegue sobreviver sem atentar à comunidade que a rodeia. Da mesma forma que toda organização recebe da comunidade, ela também precisa retribuir. As organizações devem manter-se cientes e assumir uma postura ativa para solucionar os problemas globais com que se deparam. Devem manter-se atentar a questões ambientais, de segurança e de saúde, e se posicionar em relação a elas.”

Ram Charan – Pipeline de Liderança

O discurso é realmente muito bonito, ele, aliás, foi o tema que conduziu os debates do aclamado livro Marketing 3.0, de Philip Kotler, publicado em 2010, ou seja, 5 anos atrás. E olha que ele não foi o único guru empresarial que abordou o assunto. Michael Porter, o mais famoso autor da área de estratégia de negócios do mundo, também discursou sobre o tema em sua apresentação no TED chamada Por que os negócios podem ser úteis em resolver problemas sociais.

Na prática, porém, é mais fácil você encontrar um pote de ouro no final de um arco íris do que encontrar empresas que executam ações visando o bem estar de uma comunidade. Algumas multinacionais ainda conseguem se sobressair, como a Natura e seu programa nacional de sustentabilidade ambiental, mas o fato é que a esmagadora maioria das pequenas e médias empresas ainda relutam em se preocupar com a solução dessas questões sociais.

Para quem está no meio empresarial, não é surpresa alguma ouvir discursos de empresários alegando que promover tais ações geraria ainda mais custos para suas empresas. Diante de um orçamento já apertado, gastos como esses são considerados luxos. Se tais ações não proverem algum tipo de retorno em vendas, nada feito.

Isso me faz lembrar de um evento científico que fui alguns anos atrás. Após um determinado grupo apresentar seu trabalho acerca das várias práticas sustentáveis que uma pequena empresa poderia desenvolver, um empreendedor que estava assistindo o trabalho não relutou em perguntar: “Mas vem cá, isso irá gerar retorno financeiro para minha empresa?”.

Sabemos bem que muito pode ser feito pela sociedade sem que para isso envolva necessariamente o aporte de investimentos financeiros. Nesse caso, o tempo seria o único recurso valioso a ser utilizado. Entretanto, é exatamente aí que retornamos ao mesmo dilema. Tendo em vista que para muitos tempo vale tanto quanto dinheiro, se tais ações não retornarem em forma de receitas instantâneas ao caixa de suas empresas, nada feito, ou seja, novamente voltamos à estaca zero.

O que Kotler quis dizer em seu livro foi que as empresas cada vez mais precisam sensibilizar o espirito de seus consumidores, e não apenas o seu lado racional. Para ele, ações que visam apenas satisfazer e reter os clientes faz parte de um passado distante, as empresas de hoje necessitam ter como um dos seus objetivos fazer do mundo um lugar melhor.

Agindo assim, pode ser que em um futuro próximo as receitas comecem a aparecer. Mas o importante nesse caso é visar o bem estar da sociedade em primeiro lugar, o retorno financeiro seria uma consequência desses atos, e não o contrário.

Confesso que escrever sobre isso é algo relativamente fácil, até comovente eu diria.

O difícil mesmo é convencer a grande massa de empreendedores, que são os que verdadeiramente poderiam fazer a diferença no nosso país, a aplicar essa teoria.


Newslatter
LinkedIn Auto Publish Powered By : XYZScripts.com