A alma, e não a propaganda, é a alma do negócio


tv_sigame

Se a alma é a alma do negócio, o que foi que aconteceu com a propaganda? Bem, para conseguir responder essa pergunta, precisarei voltar um pouco no tempo.

Antigamente, quando a indústria publicitária dizia que a propaganda era a alma do negócio, eles implicitamente queriam dizer que por mais que o seu produto fosse “meia boca”, se a sua empresa conseguisse saturar o mercado com propagandas no intervalo da novela da Globo, ou se distribuísse panfletos de papel amarelo e tinta preta no sinaleiro, ou se mandasse colocar outdoors em “pontos estratégicos” da cidade, ou mesmo se providenciasse um anúncio no jornal de domingo, a probabilidade dela atrair clientes era muito alta. Anunciar nessas mídias era algo barato e a concorrência não era tão grande assim.

Mas agora as coisas mudaram. Depois de tanto bombardeio publicitário, o público passou a ser mais seletivo com o tipo de propaganda que vê e também com o tipo de produto que consome. Em outras palavras, isso significa dizer que as pessoas não toleram mais qualquer tipo de conversa fiada publicitária, muito menos produtos de qualidade duvidosa, ou seja, eles deixaram de ser idiotas. Além disso, é necessário observar que a concorrência está bem maior e as mídias tradicionais ficaram muito mais caras.

Agora você tem que ser milionário para conseguir vincular seu comercial na televisão, em qualquer horário. Agora se você distribuir panfletos de papel amarelo e tinta preta no sinaleiro, outras 5 empresas também estarão entregando o mesmo papel amarelo de tinta preta, e mais outras 5 estarão entregando no próximo quarteirão. Os “pontos estratégicos” dos outdoors já não importam tanto assim, ninguém presta mais atenção devido a enorme poluição visual existente.  E o anúncio no jornal de domingo? Bem, talvez seu pai ou seu avô ainda comprem o jornal de domingo…

A alma, e não a propaganda, ser a alma do negócio, significa dizer que o produto, o serviço ou as histórias das empresas são muito mais importantes do que as propagandas mentirosas que elas tentam te empurrar.

Vejam os exemplos da Apple, Starbucks ou Google. Você se lembra de ter visto alguma propaganda dessas empresas? Hum, acho que não. Elas não precisam fazer propaganda porque os seus produtos já são suas propagandas. Suas histórias por si só já se espalham, elas não precisam deixar a Rede Globo ainda mais rica. Quando o produto é bom e a história é interessante, o ciclo gira sozinho.

Em vez de gastar com mais material publicitário que ninguém quer ver, elas preferem investir em treinamento e desenvolvimento de seus funcionários. Enquanto a sua empresa segue aquele mesmo manual de atendimento que foi escrito há 10 anos, os funcionários da Starbucks são treinados para memorizar o nome e os produtos preferidos dos clientes que a frequentam constantemente.

“Olá Sr. Diego, como vai o mestrado? Já estou preparando o seu expresso duplo”.

Quanta diferença não é mesmo?

É por esse motivo que eu digo, a propaganda não é mais a alma do negócio, a própria alma é.


Newslatter
LinkedIn Auto Publish Powered By : XYZScripts.com