Até que ponto um chefe deve ser compreensivo?


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Como eu sempre gosto de fazer por aqui, vamos novamente imaginar uma situação hipotética. Digamos que você acaba de contratar um novo funcionário.

Ele foi bem na entrevista, tinha uma boa experiência anterior e aceitou sem discutir o salário oferecido. Raridade? Talvez…

Mas o fato é que você terminou o dia feliz da vida, pois finalmente acaba de resolver uma angústia que a tanto tempo lhe perturbava.

Porém, e nas histórias hipotéticas sempre há um porém, quando ele já estava trabalhando há quase dois meses, você descobriu que ele havia mentido no currículo. Ao contrário do que estava escrito, ele não havia concluído o curso superior.

Aquele mito da administração de que devemos ter cuidado com o papel porque ele sempre aceita tudo acabara de acontecer com você. Logo com você…

Sua primeira reação seria, provavelmente, a da maioria dos chefes: demitir o subordinado por justa causa porque você não tolera mentiras.

Mas e se durante o período em que trabalhou com você o mentiroso mostrou ser um bom funcionário?

E agora, meu caro chefe?

Você, como todo bom chefe, resolve chamar o subordinado para uma conversa reservada. Vai dar a ele uma chance de se explicar, embora você esteja convencido, segundo os seus valores, de que mentira não tem explicação.

Já o nosso pequeno Pinóquio, ao ver que foi flagrado, quase certamente alegará que exagerou no currículo porque precisava muito do emprego. E quem é que não precisa afinal?

A reação seguinte é difícil de antecipar.

Alguns choram. Outros reconhecem o erro, ficam envergonhados e dizem que aceitarão a dispensa, antes mesmo de essa possibilidade ser discutida. E há alguns que tentam engabelar, inventado uma história pouco plausível, o que só irá piorar a mentira inicial.

Se o seu funcionário fizer isso, aí sim você poderá dispensá-lo sem problemas de consciência.

Caso contrário, você poderia fazer algo que não está na cartilha da chefia, e muito menos nas lições de faculdades ou cursos especializados, mas está no coração de um chefe com sensibilidade: dar ao funcionário um prazo para concluir a faculdade.

Isso seria bom para você, para a empresa e, melhor ainda, para a carreira do subordinado. E também diria que a primeira mentira está sendo relevada, mas que a próxima não será, qualquer que seja o tamanho dela.

É bem provável que, agindo assim, você terá um funcionário agradecido e dedicado. Mas talvez você esteja diante de um insistente mentiroso, algo que você descobrirá rapidinho, porque certamente ficará de olho nele.

Mas eu acredito, e também recomendo que você acredite, mais na primeira hipótese, pois embora haja mentirosos no mercado de trabalho, é preciso acreditar que a grande maioria não é.

Como o funcionário em questão não cometeu um erro que renda um processo por falsidade ideológica, nem causou qualquer prejuízo à empresa, você daria a ele uma segunda chance?

Você, e somente você, poderá decidir.


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