Big Brother Varejista – você compra e eles sabem o por quê


Em uma tarde do ano passado, um senhor entrou em uma das lojas da Target, rede americana que vende de móveis a produtos de limpeza. Ele estava de cara fechada e tinha alguns cupons nas mãos.

Pediu, então, para falar com o gerente. “Minha filha recebeu isso pelo correio. Ela ainda está na escola, e vocês estão enviando cupons de descontos para roupas de bebê e berço. Querem que ela fique grávida?”

O gerente se desculpou e, dias depois, ligou novamente para se redimir. Ao telefone, o pai da garota contou que, ainda no carro, voltando da loja, sua mulher confessou que havia coisas acontecendo na família de que ele não tinha ideia.

“Tive uma conversa com minha filha, e o bebê é para agosto. Eu é que te devo desculpas”, disse o senhor na ligação. A adolescente, de fato, estava grávida. E a Target descobriu antes do avô da criança.

A coleta de dados de clientes via internet, ou mesmo presencialmente, já não é considerada novidade há muito tempo no universo do Marketing.

O trecho acima foi retirado de uma interessantíssima matéria da revista Galileu (09/2012) chamada A ciência que faz você comprar mais.

Tal matéria, conta de uma maneira bem clara, como as grandes redes de consumo americanas estão coletando os dados de seus consumidores para tornar suas mais segmentadas e personalizadas, tudo isso visando o aumento de suas vendas, é claro.

Tal assunto já havia sido abordado de uma forma bem mais completa por Stephen Baker em seu livro Numerati, publicado em 2009.

Nele, o autor alerta que algumas empresas já coletavam dados de seus clientes por meio de suas compras feitas com seus cartões de crédito há muito tempo atrás, entretanto, estas ainda não sabiam como utiliza-los, pois cruzar e combinar esses dados para retirar deles alguma informação útil ainda era algo muito complexo, não existiam softwares e nem pessoas capacitadas para interpretar tais números.

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Interessante livro que conta sobre como as empresas estão captando e utilizando os dados de compra de seus clientes.

Percebendo essa necessidade, as empresas de varejo recorreram a diversos, Ph.D’s em matemática e engenharia para que estes conseguissem enfim gerar essas combinações de compra que elas tanto necessitavam.

Big Brother Varejista – Eles estão de olho

Foi dessa forma que começaram a surgir os primeiros exemplos de informações que antes passavam despercebidas por elas, como por exemplo, homens que compram fraudas no supermercado tendem também a levar cerveja, pois estes não dispõem mais de tempo para beber fora de casa, ou mesmo determinar em quem você irá votar levando em conta apenas os sites que você visita.

Outros autores citados na reportagem, como Paco Underhill (Vamos às Compras) e Martin Lindstrom (A lógica do Consumo) também já escreveram sobre o monitoramento e comportamento dos consumidores há anos atrás.

Enquanto o primeiro filma as pessoas nos ambientes de compra, para descobrir por exemplo que trocar os cartazes de mulheres semi-nuas nos corredores de cerveja do supermercado por cartazes com fotos de famílias confraternizando resultará em um aumento de suas vendas, já que as mulheres são as maiores responsáveis pela compra de cerveja de uma família nesse ambiente, o segundo utiliza aparelhos médicos, como o de ressonância magnética, para descobrir o que os consumidores verdadeiramente pensam sobre determinado tipo de produto ou propaganda.

A reportagem ainda cita a preocupação de algumas pessoas que se sentem lesadas alegando que estão tendo sua privacidade invadida, o que eu não concordo nenhum pouco.

Sou da mesma opinião dos pesquisadores citados que dizem que nenhuma técnica de marketing jamais será responsável por fazer alguém comprar ou não um produto, a decisão final sempre será do consumidor, o que elas fazem é te influenciar, te dar o impulso, mas a decisão de levar ou não, essa sempre será sua.

Além disso, qual o problema em receber ofertas segmentadas?

Qual o problema em receber recomendações de livros com base em sua ultima compra feita? Para mim, nenhum.

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É necessário entender que os temidos Banners de propaganda, que atualmente aparecem em 90% dos sites que nós visitamos, iriam existir de qualquer jeito, e sendo assim, qual o problema dessa publicidade aparecer de acordo com o nosso costume de navegação?

Oras, se pelo meu cadastro no Mercado Livre eles conseguirem identificar que sou homem, jovem e solteiro, e que em toda minha vida eu só comprei roupas em seu site, por qual motivo deveria aparecer um banner de um sapato feminino em meu navegador?

Para os profissionais de Marketing fica o aviso, os dados estão aí, aos montes. Estes surgem cada vez mais depressa e em cada vez mais lugares.

Ter acesso a eles não será de nenhuma dificuldade, agora saber como interpreta-los, como fez a Target, isso sim será tarefa para poucos.


Newslatter
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