Black Fraude Brasil – Poderia Ser Melhor #7


Tinha tudo para dar certo. Sucesso internacional, a maior promoção mundial prometia chegar mais uma vez ao Brasil para impressionar os consumidores do nosso comércio eletrônico.

A propaganda boca a boca estava altíssima, a cobertura da mídia estava sendo maciça e uma página oficial da promoção foi criada com semanas de antecedência para informar o público sobre as novidades do evento.

Resumindo, as chances de dar algo errado eram baixíssimas… (pausa para risadas).

Que fique bem claro, não gosto e procuro sempre evitar fazer críticas ao nosso querido Brasil, mas não há como negar que essa nossa cultura de querer levar vantagem em tudo parece estar enraizada de tal forma que fica difícil conseguir argumentar a favor.

Creio que erros técnicos são até justificáveis e passíveis de perdão, todo mundo tem o direito de errar e um bom pedido de desculpas, como eu já andei comentando por aqui, ajuda e muito nesses casos. Porém, quando os erros passam a ser por falta caráter, aí as coisas já mudam, não há desculpas que justifiquem tamanha trapaça e falta de respeito com os consumidores.

Logo nos primeiros minutos de funcionamento, o site oficial da promoção já ficou fora do ar e uma avalanche de criticas choveu via Twitter, com destaque para a frase “#BlackFriday – do inglês Pegadinha do Malandro”.

Black Fraude Brasil – a piada pronta

Quando retornou a funcionar, a lentidão e erros simples de programação prejudicavam totalmente sua navegação. Páginas fora do ar se tornaram algo constante e o “excesso de demanda” foi a desculpa preferida utilizada pelas empresas, que ao que parece, pouco aprenderam com as edições anteriores do evento.

Uma denuncia feita pelo portal IG Economia mostrou a prática de empresas que anunciaram seus produtos com descontos, mas que na verdade, continham o mesmo preço semanas antes do evento. A prática utilizada foi inflar o preço no dia da promoção e cobri-lo com um “desconto” falso.

Outro portal a divulgar reclamações foi o Globo, que citou tais promoções como “publicidade enganosa”, além de acusar a instabilidade dos sites que ocasionaram o não cumprimento das promoções.

Fraude descoberta e denunciada pelo portal IG. No gráfico, nota-se o aumento repentino no preço da TV LED, que foi maquiado com um desconto no dia da Black Fraude Brasil.

Já dentro dos sites das próprias lojas foi um show de horrores a parte. Com destaque para o Submarino e para as Lojas Americanas, ambas as empresas controladas pela B2W, que incrivelmente deixaram de funcionar a parte mais importante de seus sites, o carrinho de compras.

O mesmo Submarino aliás, enquanto sofria uma avalanche de críticas dentro da sua página oficinal no Facebook, orgulha-se em expor no seu site o símbolo de empresa ganhadora do site Reclame Aqui, uma vergonha.

Outras lojas colocaram em promoção produtos visivelmente sem procura, o que me fez lembrar uma verdadeira queima de estoque.  Produtos com descontos irrisórios também foram frutos de grande parte das reclamações, onde a frase “#Black Friday: tudo pela metade do dobro” se destacou.

Tal iniciativa, sem sombra de duvidas, é merecedora de grandes elogios, porém, a impressão geral do evento deixou bem claro que a Infra Estrutura do E-commerce brasileiro está muito aquém de nossas expectativas.

Resta torcer para que o aprendizado fique e que no próximo ano as coisas deem uma boa melhorada.

O mais engraçado de tudo isso é ver que no final da promoção, a organização do evento resolveu criar um post em sua página oficial com o título de “Black Friday 2012: Sucesso confirma próximas edições” , como se se nenhum problema tivesse acontecido. Essa é a famosa e conhecida cara de pau brasileira.


Newslatter

Comentários

  1. Luiz Felipe Lage diz:

    Quero ver mesmo como ficará essa situação quando a Amazon chegar ao Brasil.

  2. Bem lembrado. Assim que lançarem o cartão de crédito da Amazon, jogarei o meu cartão do Submarino no lixo, ou talvez eu o guarde para lembrar de como a vida já foi difícil.

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