Calabouço Empreendedor: por dentro dos bastidores


Senta que lá vem história!

No texto de hoje eu pretendo fazer um breve resumo de como foi a minha experiência ao organizar um evento de pequeno porte chamado Calabouço Empreendedor. O encontro contou a presença de 9 empresários da cidade de Presidente Prudente e cerca de 40 participantes. O debate, como o nome sugere, centralizou-se nas inúmeras dificuldades que o universo empreendedor proporciona. Espero que o meu relato te incentive a organizar o seu próprio evento na sua cidade 🙂

Vamos lá!

Como surgiu a ideia

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A história do Calabouço Empreendedor começou bem lá atrás, em novembro de 2015, em mais uma das minhas viagens para São Paulo, dessa vez, para fazer o Imersão em Empreendedorismo, um curso chancelado pela Fundação Estudar, que para quem não conhece, tem como patrono o Jorge Paulo Lemann, um dos executivos de maior sucesso na história do Brasil.

Naquele momento, de todos os cursos dos quais eu já havia participado, a metodologia trabalhada no Imersão foi de longe a que eu mais me identifiquei.

As palestras, ou melhor, as pequenas apresentações, que duravam cerca de 10 minutos cada uma, já me davam indícios de que a minha semana renderia como nunca. Nelas também não existiam slides, o discurso dos empresários convidados eram todos feitos com base em suas lembranças, o que deixava suas histórias muito mais autênticas e interessantes.

Depois dessa etapa, quando a maioria dos cursos tradicionais já terminaria, o Imersão estava apenas começando. Cada um dos empresários foi posicionado para se sentar bem na nossa frente, se mostrando dispostos a responder qualquer tipo de pergunta que fosse feita, em uma espécie de mini consultoria.

Tudo aquilo era uma prova viva de como uma metodologia ativa de ensino deveria funcionar. Os alunos eram participantes vivos do processo, e não seres passivos, como na maioria das vezes acontece. É claro que havia o risco de que se eles não perguntassem nada, o curso seria um fracasso, mas na prática, tudo fluiu naturalmente.

Dito isso, não precisa nem dizer que eu voltei para minha cidade cheio de vontade de fazer tudo aquilo acontecer por aqui né?

Mas existe um detalhe que fará toda diferença nessa história: Eu moro no interior, e não na Capital.

Aqui, apesar de ser uma cidade com características universitárias, a cultura focada no aprimoramento profissional ainda está bastante atrasada. O negócio ainda gira em torno de Festas Sertanejas e Simpósios Acadêmicos (nesse caso, com o único intuito de juntar horas atividade, e não em busca do aprendizado em si).

Pelo que eu pude perceber enquanto estava no planejamento do Calabouço Empreendedor, uma das prováveis causas geradoras desse problema é a falta de interesse daqueles que possuem a influência necessária para fazer a coisa acontecer, mas que não fazem, seja lá por qual motivo for.

Mas calma que eu chego lá…

O planejamento para o Calabouço Empreendedor

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Antes de convidar qualquer empresário para participar do evento, a primeira atitude que tive foi a de pensar em quem poderia atuar em uma parceria ganha-ganha. O raciocínio era bem simples: seria muito difícil, e caro, conseguir o número de participantes que eu precisava, visto a cultura da cidade mencionada anteriormente, tendo que prospectar inscrições de um em um. Seria muito mais fácil, e viável, se eu conseguisse trazer um grupo de pessoas de uma só vez.

E já que eu sou da área de Administração, e a temática do evento também estava ligada a área de Administração, os primeiros locais em que eu fui buscar parcerias foram justamente onde se ensinava Administração.

E foi aí que eu quebrei a cara.

Os dois maiores cursos da cidade não me autorizaram a divulgar o Calabouço Empreendedor aos seus alunos.

Bom, até aí tudo bem, eu compreendi perfeitamente a justificativa que eles me deram para isso. Mas o que me deixou realmente chateado foi o descaso que eles demonstraram por um evento que favorecia a todos nós, como bem tentei explicar.

Vejam, nesse momento eu gostaria de deixar bem claro que foi colocado a disposição várias alternativas para o negócio fluir. Desconto para grupos de alunos, panfletagem de flyers para divulgação dos cursos, cortesias para sorteios… Enfim, nada disso adiantou. Não queriam conversa e ponto final.

Eu até me lembro um dos argumentos que utilizei para tentar convencer que o evento seria benéfico para todo mundo…

Quando você está brigando por um pedaço do bolo, quanto maior for o tamanho do bolo, maior será o tamanho do seu pedaço. Para isso acontecer, só dependerá do seu esforço. Ou seja, ao apoiar esse evento, você na verdade estará apoiando o desenvolvimento da cultura de Gestão em nossa cidade, e se você fizer isso, todo mundo sairá ganhando. Os alunos, que terão a oportunidade de aprimorar seus currículos; as empresas, que terão uma mão de obra mais qualificada, e o seu próprio curso, visto que quanto maior a adesão, mais gente ficará interessada em cursar Administração, e o seu número de matriculas poderá voltar a crescer novamente”.

Nada feito, uma pena.

Não é minha intenção esmiuçar os detalhes dos malefícios provocados ao pensar dessa forma passiva, mas para você ter uma ideia, basta pegar tudo o que eu disse no meu argumento e inverter os resultados. É exatamente isso o que está acontecendo por aqui atualmente.

O plano A não funcionou, era hora de buscar alternativas.

A longa jornada em busca de parceiros

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Eu visitei praticamente todas as instituições de ensino da cidade. Algumas abriram as portas, outras não, mas como eu aprendi ao longo desses anos ao trabalhar com ideias inovadoras, poucos possuem o perfil para apostar em algo que foge do que eles estão acostumados a fazer. A fase de lançamento, como pode-se aprender na Curva de Rogers, é feita para os entusiastas, e nunca para os conservadores.

Isso faz parte do jogo, e eu já entrei nele sabendo dessas regras.

Nessa parte eu gostaria de agradecer a todos aqueles que me abriram as portas. Como eu já escrevi por aqui, você só cresce se os outros crescerem junto com você. Portanto, quando vocês precisarem de ajuda, podem contar comigo 🙂

O Evento

Bom, eu sou suspeito para falar de algo que organizei, mas foram incontáveis os agradecimentos que recebi por ter tido a iniciativa de organizar algo que fugiu completamente dos padrões aos quais as pessoas já estavam acostumadas. E isso não tem preço.

Os palestrantes gostaram, os participantes gostaram, eu gostei, e todo mundo ficou com o gostinho de quero mais. Teve até um palestrante que me disse que teria que ir embora às 11:00 horas porque precisava sair para abrir sua empresa, mas quando se deu conta de que já era 12:00 e ele ainda estava lá, não acreditou que a hora havia passado tão rápido.

A única chateação que eu tive nessa parte foi que eu quase não tive a oportunidade de fazer perguntas aos empresários. Como precisei executar todo o trabalho operacional (recepção, fotos, vídeos, etc), não me sobrou tempo para perguntar nada. Mas algumas coisas eu consegui ouvir, como por exemplo:

– Mesmo sem ter uma equipe comercial, hoje, com o bom uso da internet, é possível vender para o Brasil inteiro. Acabou esse negócio de síndrome de vira-lata pelo fato da empresa estar localizada no interior do estado.

– O primeiro cliente é sempre o mais difícil, pois você ainda não tem um portfólio de casos para mostrar. Nessa etapa, talvez seja interessante você prestar alguns serviços gratuitamente visando sanar esse problema.

– Sabendo da dificuldade que existe para encontrar um funcionário nos padrões que eles desejavam, muitos apostaram em formar a sua própria mão de obra. Isso comprova um conhecido ditado da Administração: contrate caráter, treine habilidades.

– Um restaurante tem que trabalhar com 100% de acerto. Se de 100 pratos servidos, 1 único vier errado, isso poderá comprometer todo o seu serviço

– É preciso dominar a arte de vender e persuadir. Projetos inovadores sempre encontram resistência, principalmente daqueles com vários anos de casa, que estão acostumados a trabalhar sempre da mesma forma. É fundamental você planejar o argumento que você utilizará para fazer tudo acontecer.

Conclusão

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Seria MUITO difícil para nós, agindo individualmente, conseguir a oportunidade de fazer todo o tipo de pergunta para aquele grupo de empresários. Essa oportunidade foi única, e eu fiquei muito feliz em ter sido o primeiro a aproveitá-la. Depois do Calabouço Empreendedor, o que surgir na cidade com esses moldes será uma mera cópia, e como tal, assim como eu fiz com o Imersão em Empreendedorismo da Fundação Estudar, espero ser citado como fonte inspiradora 🙂

Fica aqui o meu agradecimento aos empresários que aceitaram o meu convite, pois sei como é difícil deixar um dia de descanso com suas famílias para participar de um curso tão intensivo. Também sei que cada um teve o seu motivo particular para ter topado o desafio, mas uma coisa eu acho que todos eles possuem em comum: a consciência de que por trás de um grande empresário, também existe a figura de um grande educador.

Dispor do seu tempo para compartilhar tudo aquilo que você aprendeu com quem está começando ou pretende começar é de uma gratidão sem tamanho. Se todo mundo que trabalha na área educacional ou empresarial tivesse essa mesma convicção, talvez nossa cidade estaria um pouco mais adiantada com relação a área de Gestão.

Mas enquanto isso não acontece, o jeito é seguir com a nossa luta diária

Dessa vez vou me despedindo de forma diferente. Em vez de agradecer a todos que compareceram, pois isso eu já fiz em diversas ocasiões ao longo do evento, eu vou agradecer a todos que NÃO FORAM.

Graças a preguiça, estagnação e desinteresse de vocês, que nós nos destacamos cada vez mais no mercado.

Grande abraço e até a próxima!


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