Chapolin Colorado, o último herói adormecido


Com plena consciência de que perdi o timing para prestar a devida 10646652_10152872117164643_234562387846027397_nhomenagem ao grande ídolo da minha infância Roberto Bolaños, cabe a mim, agora, fazer uma pequena retrospectiva de todos os heróis que me acompanharam ao longo desses anos. Ao final, proponho uma reflexão para você, querido leitor.

Primeiramente, acredito que o sucesso do herói Chapolin Colorado se deu principalmente ao fato de que ele poderia ter sido qualquer um de nós. Chapolin não voava, não conseguia parar um trem com apenas uma das mãos, não tinha visão de raio-x, ou seja, não teve a “sorte” de ter sido dotado com algum tipo de poder milagroso. O seu poder era outro, o de fazer as pessoas rirem.

Ele não veio de outro planeta, seus pais não eram antigos milionários e tão pouco foi picado por algum bicho radioativo. Muito pelo contrário.

Era um anti-herói desastrado, sua presença mais atrapalhava do que ajudava e por conta disso as pessoas faziam de tudo para que ele logo fosse embora. Um humor puro, que em nenhum momento precisou usar de algum artifício sujo que nos acostumamos a ver hoje, como mulheres seminuas, perseguições a artistas, etc…

Sua morte me fez refletir não só sobre sua trajetória, como também sobre toda a história dos heróis que já presenciei.

Reflitam comigo, se pegarmos os recentes sucessos cinematográficos, é possível perceber que todos os heróis de sucesso dos últimos tempos surgiram em um passado MUITO distante.

Homem-Aranha: primeira aparição nos quadrinhos em 1962. Fez grande sucesso na televisão como desenho nos 90 e a cada novo filme que surge nos cinemas o sucesso de bilheteria, crítica e público é garantido.

X-Men: primeira aparição nos quadrinhos em 1963.  Junto com o Homem-Aranha, foi um dos desenhos de maior sucesso na década de 90. Suas histórias em quadrinhos, desenho e filme sempre renderam rios de dinheiro. Nas telas do cinema, a meu ver, tem tudo para ser uma franquia de sucesso infinito. Qualquer personagem escolhido para ser relatado poderá render uma maravilhosa história.

Homem de Ferro: primeira aparição nos quadrinhos em 1963.  Fez grande sucesso nos jogos de vídeo game da Marvel, por sinal, era o meu personagem favorito. Sua adaptação nas telas do cinema obteve um sucesso inquestionável, foi sem dúvidas o herói de maior destaque do filme Os Vingadores.

Capitão América: primeira aparição nos quadrinhos em 1940. É a verdadeira encarnação do espírito de vida americano. Dentre todos os descritos, ele é disparado o mais frágil deles, por vezes eu até me questiono se ele de fato possui algum super poder, fato que ficou evidente no filme Os vingadores. Incrivelmente, apesar de seus fracos roteiros, suas bilheterias sempre impressionaram.

Batman: primeira aparição nos quadrinhos em 1939. O seriado televisivo, apesar de altamente precário visto aos olhos da minha geração, foi um enorme sucesso nos anos 60. Hoje, por exemplo, não é difícil achar algum meme tirando sarro com algum efeito criado na época. Sua franquia de filmes é extensa, os últimos, por sinal, estão entre os filmes de maior bilheteria de todos os tempos.

Super-Homem: primeira aparição nos quadrinhos em 1938. Se os quadrinhos e o seriado foram um sucesso, o mesmo não pode ser dito de sua adaptação ao cinema. Suspeito que esse fracasso ocorreu devido ao fato do público não ter aceitado plenamente a história de um herói com super poderes tão fora do normal. Convenhamos, aceitar um herói que consegue voar para fora do planeta Terra ou carregar um trem inteiro sem nenhum esforço não poderia dar em outra coisa.

Depois dessa rápida explanação, fica a pergunta: onde é que está a atual geração de heróis? O que foi que surgiu de novo, e não uma readaptação, depois do saudoso Chapolin Colorado, criado em 1970?

Será que a atual geração perdeu o interesse nesse tipo de arquétipo? Será que os criativos já não são mais tão criativos assim?

Difícil dizer…

Fica aqui a minha singela homenagem ao que talvez pode ser considerado um dos últimos heróis que fizeram sucesso em terras latinas.

Obrigado Bolaños, você conseguiu, com sucesso, fazer da minha infância um tempo mais feliz.


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