Do coletivismo ao individualismo: como as empresas estão se adaptando a essa nova era?


individualismo

Antigamente – não tão longe assim -, as famílias reuniam-se para assistir à novela ou jantar, pontualmente, às 8 horas da noite. As famílias eram maiores, havia mais filhos e mais netos. As mulheres, frequentemente, se dedicavam a tarefas domésticas. O tempo era vivenciado de outra forma, parecia haver mais disponibilidade para conversar com os filhos, para trocar ideias com vizinhos e para fazer um jantar para os amigos.

Foi aí que o tempo passou e a nossa sociedade passou por uma grande transformação.

Cada vez mais, as famílias reúnem-se em horários diferentes e, no lugar da programação das 8 horas, preenchem seu tempo com outras atividades, como ouvir música, assistir filmes, navegar no celular ou mesmo jogar algum jogo. Soma-se a isso as atividades externas, como frequentar academias e clubes, bem como fazer cursos.

Não é nenhuma novidade eu dizer que houve uma considerável troca de estilos. A escolha do lazer nas residências tem sido individual, e não mais coletiva, como era no passado, até porque todos se reuniam na única TV que ficava na sala, que hoje está espalhada em todos os cômodos da casa.

Já não se fazem jantares como antes. Cada vez mais, procuram-se lojas de conveniência, congelados e restaurantes fast-food, onde as pessoas praticamente engolem sanduíches ao invés de saborearem comida caseira. Cozinhar está sendo substituído pelo aquecimento em micro-ondas e compra de produtos congelados. Tempo é dinheiro, e já que eu não estou ganhando nada ao poupá-lo, melhor gastá-lo sozinho vendo algumas fotos no Facebook.

Me recordo que na minha época de colegial, por diversas vezes minha sala participou, em conjunto, de desafios propostos pela direção, como arrecadar latinhas de alumínio, roupas, alimentos, etc. Na ocasião, a sala que conseguisse a maior arrecadação era recompensada com um único prêmio, uma confraternização para todos comemorarem.

Hoje, a disputa não é mais para saber qual sala será a vencedora, mas sim quem será o vencedor. Cada um quer provar para o outro quem é o melhor, e em seguida postar uma foto na internet para todos também enxergarem isso. Raras são as ocasiões em que a sala topa participar de desafios conjuntos, um ajudando o outro.

E as empresas, como é que estão se adaptando a essa nova realidade?

Se antigamente era fácil achar resorts com programas específicos para famílias, hoje eles migraram para casais. Ganhar desconto ao fazer compras com familiares foi transformado em promoções do tipo “traga um amigo”, até os cinemas, um programa tipicamente familiar, entrou nesse jogo.

Apartamentos ficaram menores para abrigar um, ou no máximo duas pessoas. Os clubes também perceberam essa mudança e rapidamente criaram planos individuais, que hoje representam a maior parte de suas receitas.

O grande risco nessa história de individualismo é que os consumidores individuais são mais exigentes, mais difíceis de serem agradados, pois exigem uma série de exigências que se a empresa não conseguir atender, correrá o risco de virar um post no Facebook.

Os tempos mudaram, e os profissionais de negócios que não se adaptarem a esse fato fatalmente irão perder dinheiro.

*Texto baseado no livro Guia de Implantação de Marketing de Relacionamento e CRM, de Roberto Madruga.


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