Como se comportar em uma Dinâmica de Grupo para Trainee


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Hoje eu narrarei a história de como foi participar da minha primeira Dinâmica de Grupo para o programa de trainee de uma empresa multinacional. Espero que ao longo desse texto você consiga compreender algumas técnicas de como se comportar durante o processo e também sobre o que fazer e o que não fazer.

Os preparativos de uma dinâmica de grupo

Obviamente, antes de embarcar em uma viagem de 7:30 horas de ônibus, eu já havia pesquisado algumas dicas na internet sobre como se comportar em uma dinâmica de grupo para trainee, que é o que você provavelmente está fazendo nesse momento.

Hoje, diferente da minha época, não é difícil encontrar material de excelente qualidade (espero que esse seja mais deles).

Depois de fazer essa pesquisa, foi o momento de embarcar rumo ao programa de trainee. Cheguei no lugar marcado para a dinâmica de grupo com meia hora de antecedência, primeiro para evitar imprevistos, afinal não conhecia a cidade, e segundo para ter a oportunidade de conhecer e conversar com o pessoal que também já estava por lá (ainda no térreo do prédio).

Aqui vale uma ressalva, o prédio do processo seletivo era muito acima dos padrões com o qual eu estava acostumado a ver em minha cidade.

Já dentro da sala, havia 17 pessoas, bem distribuídas entre mulheres e homens, com cadeiras alinhadas em um semi-círculo, um lugar pequeno, porém bem agradável. No iniciou rolaram algumas brincadeiras para descontrair, e logo após começaram as apresentações individuais.

Para minha surpresa, a média de idade da sala era de pelo menos 27 anos, havia inclusive pessoas com 30, 32 anos… Isso me surpreendeu um pouco, afinal, eu estava esperando por candidatos bem mais novos,  de no máximo 24 anos (peguei a média de recém formados da minha faculdade). Não sei se eles estavam ou não de acordo com o perfil da empresa, mas é sempre difícil concorrer com pessoas que possuem 8 anos de experiência a mais do que você.

Foi dado um tempo de 2 minutos de apresentação para cada um, o que é claro, não foi cumprido por ninguém. Sempre havia perguntas de curiosidade sobre a profissão e sobre a cidade de cada um…

Nessa primeira parte da dinâmica de grupo eu de certa forma já estava, digamos que, “preparado”. Conforme mencionei anteriormente, já havia lido em muitos blogs que você não deve se surpreender, pois sempre haverá candidatos com currículos invejáveis, pessoas com vivência no exterior, algumas formadas na Europa, com diversas línguas e cursos, enfim…. Quem vive em grandes cidades sempre tem a chance de fazer cursos e faculdades com renome nacional, isso não me desanimou.

O segundo tempo da dinâmica de grupo para trainee

Na segunda parte da dinâmica, a sala foi divida em 3 grupos e nos foi passado um estudo de caso…. Foi pedido para que elaborássemos uma planta de uma cidade qualquer, com algumas construções pré-definidas, tudo isso em cima de um pedaço de cartolina. Depois que terminado a nossa “obra de arte”, nos foi solicitado para que criássemos uma historinha.

O estudo de caso é sem duvidas o pulo do gato, é nessa hora que você precisa fazer a diferença, é exatamente ai que tudo conta, é a hora que o responsável pela dinâmica começa a anotar tudo o que você e o seu grupo faz.

E minha opinião foi a seguinte, pude perceber que há 3 tipos de pessoa nessa etapa: os que conduzem o grupo, os que são conduzidos e os que nem conduzem e nem são conduzidos, simplesmente não participam.

Enfim, essa é a sua chance para colocar a principal dica de uma dinâmica de grupo, VOCÊ PRECISA LIDERAR, e liderar não é simplesmente sair distribuindo ordens, sair mandando em todo mundo, fique atento.

Infelizmente eu não passei nessa dinâmica de grupo, mas mesmo assim eu consegui tirar alguns aprendizados…

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O que eu aprendi ao participar de várias Dinâmicas de Grupo

Desde os tempos da faculdade sempre fui muito cético em relação a essa técnica de Recursos Humanos. São tantas dicas e informações disponíveis na internet que invariavelmente acabam transformando essa técnica em um verdadeiro teatro. E como todo bom teatro que se preze, este não pode faltar seus atores, e aqui não é diferente.

Em minha época de recém-formado, tive a oportunidade de participar de algumas dinâmicas de grupo, algumas de grandes empresas, outras de pequenas. O que posso afirmar de acordo com essas minhas experiências é que o que muda são somente as pessoas, o enredo em si é sempre o mesmo.

Todos querem ser o primeiro a se apresentar, pois leram que essa atitude demonstra proatividade.

Todos evitam se mexer na cadeira, pois leram em algum lugar que isso demonstrará nervosismo.

Ninguém tem ponto fraco em Dinâmicas de Grupo!

Ninguém quer se “comprometer com a empresa”. Seu ponto fraco é ser “excessivamente organizado”, além da boa e velha ansiedade, esse “ponto fraco”, por sinal, já está sendo proibido de ser dito, tamanho o seu uso pelos candidatos.

Faltar no trabalho para ir a uma consulta marcada no médico? Jamais! Trabalho sempre em primeiro lugar.

Ninguém nunca deixou o trabalho para outro dia, tudo tem que ser terminado na mesma hora, não importa se você tem médico, dentista ou se o seu filho está morrendo em casa.

Esses também não fumam e praticam exercício regularmente, mesmo aparentando um físico deplorável.

Alguns recrutadores, também já cientes de todo esse material disponível na internet, tentam camuflar suas intenções e procuram tranquilizar os jovens candidatos com frases do tipo: “tanto faz quem se apresentar primeiro”, ou ainda, “vocês podem se sentar do jeito que acharem melhor, não se incomodem com isso”, porém, como todo bom psicólogo que se preze, é claro que ele estará notando e anotando esses pequenos detalhes.

Em minha opinião, e gostaria de enfatizar que se trata apenas da minha visão particular sobre isso, dinâmica de grupo, em 90% dos casos, é a mais pura encenação.

Um palco de teatro cheio de atores.

São jovens super-heróis que só demonstram seus poderes dentro daquele pequeno círculo de cadeiras enfileiradas, e o que é pior, seus super poderes só duram o tempo da dinâmica, ou seja, não mais que poucas horas.

E tudo isso o que eu disse trata-se apenas da primeira parte das dinâmicas, aquela na qual os candidatos se apresentam uns aos outros. As atividades que vêm na sequência, seja recortar alguma coisa e colar em algum outro lugar, dar as mãos em um círculo e tentar achar uma saída sem solta-las ou mesmo montar um quebra-cabeças em grupo, dessas eu nem vou falar, pelo menos ainda não.

Entretanto, o pior de tudo não é o comportamento dos candidatos às vagas, estes, sabendo que estão sendo avaliados por seus atos ali cometidos, tendem mesmo camuflar seus erros, não há razão para culpa-los por isso.

O que mais me incomoda é o fato dos avaliadores partirem da premissa de que as pessoas irão demostrar naquele pouco espaço de tempo o que realmente são. Aaa, mas não vão mesmo!

Apesar de tudo, a dinâmica de grupo ainda é um mal necessário. As empresas ainda não acharam uma forma mais eficaz de poupar seu tempo em seu processo de selecionar pessoas, e como solução, preferem colocar certo grupo de pessoas em uma sala pequena para fazer aumentar um pouco suas qualidades e ocultarem os seus defeitos.

Contudo, boicotar a dinâmica ainda não é a solução. A solução para vocês, meus caros jovens, é participar do jogo. Atue, encene, interprete, enfim, faça o que for necessário para conquistar o emprego, pois com toda certeza, o seu “colega” do lado estará fazendo esse mesmo jogo.

Abraços a todos!


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