Compre do Pequeno: antes tarde do que nunca


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No dia 05 de outubro de 2015 será comemorado no Brasil o “Movimento Compre do Pequeno Negócio”, uma iniciativa do Sebrae com o intuito de fomentar a importância dos consumidores comprarem seus produtos nas micro e pequenas empresas brasileiras.

A divulgação da ação está sendo pesada. Ela envolve desde a criação do site Compre do Pequeno, que concentra todas as ações feitas na internet, como vídeos no Youtube, FanPage no Facebook e Twitter, até caríssimas propagandas na Televisão.

No discurso que rege o movimento, são apresentados pelo Sebrae os principais motivos para que você faça negócios com as pequenas empresas:

1 – É perto da sua casa
2 – Ele é responsável por 52% dos empregos formais
3 – O dinheiro fica no seu bairro
4 – O pequeno negócio desenvolve a comunidade
5 – Comprar do pequeno negócio é um ato transformador

Mas afinal, por que será que eu resolvi comentar sobre isso aqui?

Será que até sobre esse assunto eu tenho uma crítica a fazer?

Sim, tenho, e como tenho.

Eu até iria deixar esse assunto passar, mas como alguns leitores do Instagram do @JovemAdm me pediram detalhes sobre a minha opinião, então lá vamos nós.

O que me motivou a escrever esse texto é tentar entender o por que de só agora o Sebrae ter tomado essa atitude, quando na verdade os pequenos negócios há tempos agonizam na luta contra os grandes?

Por que só agora que o mercado está um “Deus nos acuda” é que o Sebrae resolveu gastar a sua volumosa verba em ações publicitárias para conscientizar a população sobre a importância de fomentar o empreendedorismo dentre os pequenos?

Se o ditado que diz que é “melhor prevenir do que remediar” é verdadeiro, então temos aqui um problema. Esse sim, digno de ser exposto aos leitores.

Quem acompanha as notícias do empreendedorismo nacional sabe que esse assunto de Grandes x Pequenos é algo bem antigo. Aliás, não é preciso nem acessar os portais de notícias para saber o quão injusta é essa batalha, basta você ter algum amigo empreendedor. Tenho certeza que em algum momento em meio a uma conversa informal ele já deve ter lhe contato algo sobre isso.

Porém, quem sempre expôs os bastidores dessa briga de Davi x Golias de uma forma muito mais sincera foram os blogueiros. Só para citar um deles, o Ricardo J. Magalhães da BizRevolution, já falava sobre isso há LONGOS anos.

Em 2011, por exemplo, ele escreveu um texto chamado Em 2012 faça negócios com 20 pequenas empresas todos os meses, no qual ele buscou alertar sobre o controle excessivo que as grandes organizações estavam exercendo ano após ano.

Já em 2013, ele publicou outro texto sob o título de Nova Iorque não precisa do WalMart, dessa vez, ele expôs de uma forma bem ácida o estrago que um supermercado da rede causa aos pequenos empreendedores ao se instalar em uma cidade.

Por fim, no primeiro semestre de 2014, ele escreveu mais duas obras primas: em Como mudar o mundo, ele fala sobre os riscos que a concentração do dinheiro nas mãos de poucas empresas podem causar,  e  finalmente em O que você anda fazendo pelas pequenas empresas a mesma discussão se repete.

Ou seja, esse é apenas UM dos diversos exemplos que existem por aí de pessoas que já alertavam sobre algo que Sebrae só resolveu intervir agora. Só para frisar mais uma vez, estamos falando de textos que foram escrito há 4 anos!

Não por menos, algo parecido acabou de ser feito com o problema da falta de água, quando as campanhas publicitárias estaduais do governo, além da cobertura massiva da mídia televisiva, começaram a ser feitas apenas quando os reservatórias estavam beirando ao volume morto.

Na minha opinião, é aí que está o problema.

É preciso que a situação fique insustentável para que realmente quem tem o poder de mudar as coisas comece a agir.

Seria isso algo cultural?

Enfim, agora que o problema foi exposto, cabe a cada um de nós fazer a nossa parte.

Por que no fim das contas, é como diz o outro velho ditado, antes tarde do que nunca.

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