Cultura Organizacional: e agora, Apple?


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Não, esse não é mais um dos vários textos exaltando as lições e características do lendário Steve Jobs, tampouco algum comentário pessoal sobre como o discurso dele na Universidade de Stanford mudou a minha vida.

Não a toa esperei a poeira da morte do Steve Jobs dar uma abaixada para dar a minha opinião sobre o provável futuro da empresa. Acredito que as pessoas precisam de um certo tempo para assimilar as coisas e aceitar novas opiniões, e do jeito que as coisas estavam repercutindo, dificilmente alguém aceitaria uma opinião desfavorável como a minha.

Quando escrevi que a melhor saída para quem possuía ações da Apple seria vendê-las no meu Facebook, todos foram contra. O efeito das homenagens para Steve Jobs são fortes demais e estão ainda estão mexendo com os sentimentos das pessoas.

A cultura organizacional da Apple

Quem já é fã da marca agora olha para o seu Iphone e Ipad de uma forma como nunca olhou antes, radiando orgulho nos olhos.

Já quem ainda não possuía nenhum produto da pequena maçã brilhante logo, correu para comprar algum (no momento em que estou escrevendo esse texto, as ações da Apple estão operando em alta perto dos 4%, fruto do recorde de vendas do lançamento do seu mais novo celular Iphone 4S).

Será tudo uma questão de coincidência?

 

 

Não posso afirmar com convicção, mas as seqüências de fatos que estão acontecendo envolvendo a Apple estão longe de parecer um mero acaso.

Primeiro o lançamento da biografia de Jobs previsto para ano que vem, foi adiantado para outubro/novembro de 2011. Segundo, o aguardado Iphone 5 tão esperado para 2011, teve o seu lançamento adiado, em seu lugar a empresa resolveu lançar um upgrade no Iphone 4, incrementando algumas melhorias na velocidade de processamento e nas qualidades das imagens, que se for levado em conta o alto nível de exigências que os consumidores da Apple estão acostumados a receber, é muito pouco.

Se a Apple já tem o Iphone 5 no gatilho, então por que não o lançou agora?

Analiso da seguinte forma, assim como a Apple já vinha se preparando para a inevitável morte de Steve Jobs, há de se pensar que seus concorrentes também estariam fazendo a mesma coisa.

Atacar um concorrente direto em seu momento mais vulnerável é uma boa tática a ser adotada para ganhar mercado, e é por isso que eu acredito que alguma grande novidade por parte dos concorrentes da Apple está para ser lançada, e quando ela chegar, o mais provavél é que milagrosamente o Iphone 5 ficará pronto, como em um passe de mágica.

A Influência cultura organizacional por trás das grandes empresas

A Época Negócios publicou um interessante artigo comparando o desempenho de pessoas que assim como Tim Cook, tiveram a difícil missão de substituir lendários CEO’s. Alguns se deram muito bem como David Glass substituindo Sam Walton no Wal-Mart, porém outros se deram muito mal como Jeffrey Immelt em substituição a outra personalidade considerada o maior CEO de todos os tempos, Jack Welch da GE.

Separei a frase que em minha opinião melhor destaca o artigo:

O destino de suas empresas depende do sucessor e da cultura que fica, mas também dos concorrentes, dos consumidores, dos fatores macroeconômicos. O Walmart se internacionalizou e se valorizou muito depois da saída de Sam Walton. A TAM passou a Varig e assumiu a liderança do setor de aviação dois anos depois da morte de Rolim Amaro

Por tudo o que já li sobre Sam Walton e sobre o capitão Rolim Amaro não me restam dúvidas que a cultura empresarial implantada e deixada por eles em suas empresas foi a colaborativa, fruto de uma administração descentralizada que concedia poderes a diversas pessoas na organização, inclusive as de baixo nível hierarquico responsáveis pela linha de frente.

Já na Apple, a impressão que tive ao ler o livro A cabeça de Steve Jobs é que as coisas lá caminham por um rumo bem diferente, em várias passagens fica muito claro que Jobs era o centralizador por trás das inovações, TUDO precisava passar por ele.

As inovações da Apple não foram concedidas por acaso, muitos “não” foram ditos até que o projeto fosse finalmente aprovado, muitas pessoas foram humilhadas nos corredores e salas de reuniões da companhia para que seus protótipos de novos produtos tivessem autorização para seguir em frente, muitas pessoas foram demitidas por terem os seus projetos não considerados bons o suficiente por Jobs, que ditava o ritmo de como as coisas caminhavam.

Mas agora que o “Dr.Não” (como era conhecido internamente) não está mais presente para dar suas famosas “Stevadas” (quando Jobs encurralava seus funcionários no elevador e perguntava qual o seu papel na organização e caso as respostas não fossem satisfatórias, eles eram demitidos no ato) quem será responsável por estabelecer a cultura permanente de excelência?
Será que Tim Cook seguirá a mesma linha de pensamento de Steve no qual considerava as pessoas como “gênios ou antas“? (Não havia o meio termo). Difícil dizer, afinal ainda pouco se sabe sobre Cook.

O que se sabe é que ele terá como missão substituir uma pessoa que foi escolhida como “CEO da Década”, pela revista Fortune, o “CEO de melhor desempenho do mundo”, pela Harvard Business Review, e “Pessoa da Década”, pelo Wall Street Journal, além de numerosas outras honrarias.

Tarefa nada fácil, não é mesmo?


Newslatter
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