Educação Chinesa – Exemplo a seguir?


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Essa semana saiu no portal da Exame uma interessante reportagem sobre a educação das crianças chinesas, com o titulo de A tigresa, o Sputnik e a Educação Chinesa, a reportagem mostra a obsessão de uma mãe chinesa em educar seus filhos, obediência, maus tratos, nenhuma liberdade, essas são as táticas usadas.

A matéria cita um livro publicado recentemente nos Estados Unidos de autoria de uma professora de direito, filha de imigrantes chineses, chamada Amy Chua. No livro ela conta como educou suas 2 filhas, seu método se resume em 10 mandamentos, do qual suas filhas nunca puderam :

Os 10 mandamentos da Educação Chinesa

1) dormir na casa dos amigos;
2) sair com os amigos;
3) participar de uma peça da escola;
4) reclamar por não participar de uma peça da escola;
5) assistir à TV ou jogar videogame;
6) escolher suas próprias atividades extracurriculares;
7) tirar qualquer nota que não fosse 10;
8) não ser a primeira aluna da turma em qualquer tema, exceto educação física e teatro;
9) tocar qualquer instrumento que não piano ou violino;
10) não tocar piano ou violino

Se assustou ao ler? Pois eu não, e digo o porquê.

Há alguns meses atrás, pude ler o livro Fora de Série: Outliers de Malcolm Gladwell. Nele o autor revela alguns fatores que levaram algumas pessoas a ter sucesso e outras não.Mas o que esse livro tem haver com a reportagem em questão? Pois explico, nele há um capítulo do qual trata da antiga cultura chinesa de cultivar arrozais.

Desde os primórdios, os sábios agricultores chineses sabiam que para prover alimentos e riquezas, o caminho era um só, o de muito trabalho e esforço. Cultivar campos de arrozais demandava muito tempo, dedicação e afazeres. Esculpidos nas encostas dos morros, precisam de um sistema de irrigação especial, o solo também precisa de cuidados específicos, feitos de argilas e cobertos com uma camada de lama para que a água não penetre.

Como se nao bastasse toda a dedicação na época fértil, no inverno, período caracterizado pela seca, os agricultores procuravam realizar atividades extras, como consertar seus arrozais, fazer artesanatos de bambus, entre diversas outras atividades.

Já em alguns países da Europa, como a França, seus agricultores optavam por outro caminho. O período do inverno era caracterizado pela ociosidade nos campos, as pessoas dormiam por “necessidade”. A explicação é que, com a redução do metabolismo de seus corpos, sua necessidade de consumir alimentos também diminuía, ou seja, se o alimento era escasso, o trabalho também deveria ser reduzido.

A labuta chinesa é expressada em frases da época, descritas no livro:

Sem sangue e suor não há comida

Não dependa do céu para obter comida, e sim de suas próprias mãos para fazer o trabalho pesado

Ninguém que trabalha 360 dias do ano acorde antes do amanhecer deixa de enriquecer a família

Interessante é a passagem na qual diz que no Ocidente, quando os agricultores precisavam aumentar sua eficiência ou produção, bastava comprar mais equipamentos que resolvia o problema. Já na China,como os agricultores não tinham dinheiro para comprar tais equipamentos, para aumentar a produção eles precisaram se tornar mais inteligentes, gerenciar melhor seu tempo (acordando as 5:00 da manhã) e fazer escolhas mais sensatas.

Se o passado da China foi construído com muito esforço e trabalho, o futuro não poderia ser diferente, migrando da agricultura para os estudos, segundo Gladwell,o ano escolar dos países asiáticos, como por exemplo o Japão, possuem em média, 243 dias letivos de aula. A título de comparação, nos Estados Unidos, o ano escolar dura em média, 180 dias, bem próximo ao ano escolar brasileiro. São 60 dias de diferença que, enquanto os asiáticos estão aprimorando seus conhecimentos, crianças de outros países se divertem no computador ou assistem televisão.

Tanto esforço se resume a esse parágrafo retirado da reportagem, em um teste sobre o sistema educacional….

Os alunos brasileiros ficaram em 53º lugar no mesmo teste que a China liderou. Maus professores, estrutura precária, falta de cobrança, governos incompetentes, tudo isso entra na maçaroca geral na hora de atribuir culpados por nosso desempenho sofrível

Conclui-se que, um aluno asiático, não necessariamente obtêm melhores notas comparado a alunos de outros países por “nascer” mais inteligente, ele apenas aprendeu mais, adquiriu mais conhecimentos enquanto outros preferiram se divertir.

Tanto é verdade que, na Faculdade, cansei de presenciar alunos se satisfazendo em tirar a nota mínima para passar. Sei que no Curso de Administração, muito mais que qualquer outro, é difícil conciliar o trabalho com os estudos, porém o espírito de competição parece inexistir em nossas salas de aula.

Exemplo: Se o seu amigo tira uma nota 7.0, seu outro amigo tira uma nota 6.5 e seu outro consegue tirar uma nota 6.0, todos ficam felizes, afinal, todos passaram.

Afinal, de quem é a culpa por essa nossa colação desastrosa no ranking da educação?

Reflitam.

Abraços


Newslatter
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