Eleições 2014: um risco chamado consenso


31/10/2010. Porto Alegre - RS. Votação. Foto: Roberto Stuckert Filho.

E chegamos ao fim de mais um período eleitoral, por sinal, essa eleição sagrou-se como a mais disputada de todos os tempos. Sinceramente, desde que virei eleitor, essas foram as piores eleições em que precisei manifestar o meu direito ao voto. Pelo menos eu não me recordo de ter visto um ano no qual as acusações fossem levadas tão a fundo, sem contar as inúmeras denúncias de corrupção que assombraram AMBOS os lados dos candidatos à nossa presidência da república. Pura apelação.

Se alguém me perguntar sobre alguma proposta da Dilma, por exemplo, eu não saberei responder, visto que suas propagandas políticas basearam-se apenas em ataques e difamações. Já o candidato Aécio tentou seguir o lado do politicamente correto, visto que o seu posicionamento de mudança exigia tal atitude. Cabe o destaque para o uso muito mais eficiente das mídias sociais por parte do candidato, várias foram suas aparições em meus grupos no Whatsapp, com um grande destaque para suas lindas filhas (risos).

Infelizmente, eu torno a repetir o que já postei em meu Facebook no final do primeiro turno:

Os candidatos nas eleições possuem um único objetivo: obter o maior número de votos para se eleger. Para conseguir conquistá-lo, cada um faz uso de uma determinada estratégia, ou seja, não importa se um candidato obteve maior número de votos de uma população considerada abastada ou não, o objetivo é o mesmo para todos. Assim como uma empresa prefere obter lucro através de escala em vez de preço alto, existem candidatos que sabiamente preferem ganhar em quantidade do que em qualidade, porque, no final, é isso o que fará ele ganhar a eleição, a quantidade de votos. Essa é uma estratégia política vencedora, o resto é puro choro emocional. E não, eu não voto na Dilma.

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Quanto a questão dos debates, foram poucos os que assisti até o final. Entretanto, vale destacar o que sem dúvidas foi a maior pérola de todos eles, e que por sinal, demonstrou a total falta de conhecimento e de preparo da nossa candidata Dilma. Ao ser perguntada por uma economista sênior bem qualificada, porém desempregada, quais são os seus planos para resolver essa difícil questão, Dilma a recomendou procurar por cursos do SENAI, conhecidos como PRONATEC, sim, aqueles de formação técnica que são oferecidos para pessoas de baixa escolaridade ou que ainda buscam o seu primeiro emprego no mercado de trabalho, confiram:

Já imaginou uma pessoa com doutorado desempregada fazendo cursos no PRONATEC? Realmente…

Enfim, o que aconteceu nos resultados dessas eleições foi o clássico problema encontrado em todas as decisões que são baseadas por meio de consenso, que, segundo sua própria, definição significa conformidade. Esse é, e sempre será, o principal risco da democracia.

O consenso dificilmente gera boas decisões. Se dentro de uma empresa, em uma reunião de portas fechadas com pessoas altamente qualificadas, já é extremamente difícil tomar uma decisão que agrade a todos, imagine em um país tão grande e tão educacionalmente heterogêneo quanto o nosso. Dado os números finais, 52% para um lado e 48% para o outro, seria uma inconsequência dizer que uma boa decisão foi tomada, não importando qual o lado ganhasse.

Porém, se não podemos mudar o passado, pelo menos podemos forjar o futuro.

Independente de quem ganhou, o que é inadmissível para qualquer um é adotar o tom de conformismo pelos próximos 4 anos. Jogue fora o discurso de “se tal candidato tivesse ganhado eu estaria empregado, minhas vendas estariam melhores, o Brasil estaria melhor”. Faça você do Brasil um lugar melhor, porque quando as coisas apertarem, e provavelmente vão apertar, pelo menos você terá a dignidade e a consciência tranquila de estar fazendo sua parte.

Porque no fim das contas, ser um profissional ético e responsável independente de qual candidato foi eleito.


Newslatter
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