Em busca do envolvimento ideal entre o líder e sua equipe


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No fim das contas, quase sempre é solitário ser um líder eficiente (Prof. J. Keith Murnighan)

Dias atrás, uma matéria publicada pela BBC sobre liderança me chamou muito a atenção. Em Por que os técnicos brasileiros não conseguem brilhar na Europa, o jornalista Tim Vickery questiona a eficácia da abordagem paternal que os técnicos brasileiros adotavam em times do Brasil e que, quando replicada em times europeus, que basicamente são formados por atletas das mais diferentes nacionalidades, acabou culminando em grandes fracassos.

Segundo o jornalista, a disposição dos nossos técnicos de querer transformar a frieza europeia em uma família, infelizmente, não funcionou.  O nosso atual técnico da seleção brasileira Felipão, um dos personagens da matéria, lamentou que a relação dele com alguns jogadores nunca ultrapassou o profissional. Ele buscava mais. Talvez os jogadores não estivessem procurando pela figura de um pai.

Essa retaliação por parte dos jogadores estranhamente contradiz diversos estudos sobre liderança organizacional, no qual as conclusões essencialmente recomendam que os líderes devem buscar o envolvimento junto a sua equipe para que a mesma atinja melhores resultados.

Reforçando essa abordagem, o professor e consultor J. Keith Murnighan, em seu livro Não Faça Nada! Aprenda a deixar que cada um faça o seu trabalho, alega que os líderes devem se interessar sinceramente pelo seu pessoal. Eles devem se interessar por eles como indivíduos; devem se interessar pela carreira deles; devem se interessar pela família deles. Para ser um grande líder, os membros de sua equipe devem saber que você se interessa por eles.

Isso significa dizer que você deve procurar saber a data de aniversário de cada membro de sua equipe, se os pais deles estão com saúde, se os filhos deles estão indo bem na escola, se a sogra ainda continua viva e outros elementos importantes na vida deles. Em resumo, você deve conhecê-los pessoalmente.

Você não precisa gostar deles, mas deve se interessar sinceramente por eles.

É claro que você não precisa conhecer todos os detalhes íntimos da vida privada deles – longe disso. Mas precisa conhecê-los o suficiente para conseguir socializar com eles, descontraidamente.

Mas Diego, isso dá muito trabalho!

E eu concordo com você, a liderança é algo que realmente dá trabalho!

Em busca do envolvimento ideal

Mas calma que não acabou por aí.

Ainda segundo o autor, alguns líderes acreditam que devem adotar um papel formal como líder. Isso significa que eles agem de modo impessoal em relação à sua equipe porque acreditam que precisam manter certa distância e não devem se aproximar muito. Muitas vezes, essa atitude é o resultado do medo – o medo de precisar dizer a alguém próximo que seu desempenho está insatisfatório.

Infelizmente, ainda existem, e sempre existirão, pessoas que não sabem separar o lado profissional do pessoal. Não conseguem encarar um feedback negativo e construtivo como uma oportunidade de melhorarem sua carreira, o que é uma pena.

Então como equilibrar a sua posição de autoridade com a necessidade de conhecer pessoalmente o seu pessoal?

Como conseguir repreendê-los sem que isso afete o clima de amizade no barzinho após o expediente?

Reflita, pois eu não darei a resposta, até porque não existe uma única. Essa é uma questão que eu vou deixar para que cada um chegue a sua própria conclusão.


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