Em um mundo de iguais, é chato ser diferente?


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Em minha época de faculdade, me recordo que certo dia, nosso professor de Empreendedorismo pediu para que nossa sala escolhesse um determinado ramo de negócio para que então cada grupo montasse o seu planejamento estratégico.

Me recordo também que a sala inteira, em uma espécie de efeito manada, escolheu o ramo a ser pesquisado em questão de minutos, ninguém queria um tema muito complexo, ninguém queria se esforçar demais. O ramo de pizzarias ganhou com relativa folga, e após saber a escolha da sala, o professor sem nenhuma surpresa nos disse a seguinte frase:

Todos os anos eu passo essa mesma atividade para todas às minhas turmas, e em todos esses anos as escolhas são sempre as mesmas, pizzarias, sorveterias, sempre o mais do mesmo…

É chato ser diferente?

O fato é que não importa por qual motivo, seja por comodidade, por preguiça ou por medo de querer arriscar em algo novo e inovador, mas é fácil constatar que a esmagadora maioria das pessoas prefere optar pelo caminho mais curto, aquele que todos seguem, a escolha que todos fazem.

Ninguém quer discordar de ninguém para não parecer o “chato” da sala, ninguém quer se arriscar em ser o corajoso da turma e propor algo novo e arriscado, algo que de trabalho, que faça a turma revirar horas e horas em pesquisas. Melhor se calar do que ficar com fama de chato.

Talvez pelo fato da área de Marketing requerer certa dose de criatividade, acabei me acostumando a pensar em soluções diferentes das que as outras pessoas propõem.

Os livros que leio, os sites que visito, enfim, todo o meu material de estudo de certa forma me moldaram a ser assim. Mas a questão é, será que somente os profissionais que estão diretamente envolvidos com a área criativa é que precisam pensar de forma diferente?

Se você começar a reparar em certas atitudes, irá reparar em uma espécie de padrão pré-moldado que as pessoas seguem, como se estivessem ligadas a algum piloto automático.

Faça o teste: repare que 95% das pessoas começam um discurso com a frase “eu gostaria de agradecer” e que 99% das pessoas abrem os braços ao tirar foto com o Cristo Redentor. Por que tem que ser assim? Só por que você viu outra pessoa fazendo?

designthinkinglivroFoi pensando em como solucionar problemas comuns com abordagens inovadoras que Tim Brown escreveu o livro Design Thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias. Nele, apesar do autor apresentar uma metodologia de difícil implantação, o raciocínio que permeia a obra é o de fazer com que os leitores enxerguem os problemas sob diferentes óticas (o que um publicitário pensaria sobre isso?

E um designer? E um advogado? E um engenheiro? ) para que assim consigam chegar a uma solução diferenciada, daí surge toda a complexidade em questão.

Foi com esse pensamento que recentemente o Mcdonald’s resolveu um problema que estava assombrando as redes de alimentação mundo afora.

Chocados pelo escândalo da rede de supermercados Tesco, que foi flagrada pela vigilância sanitária britânica por utilizar carne de cavalo em seus hambúrgueres, o Mcdonald’s decidiu se antecipar aos acontecimentos.

Enquanto todas as outras redes, inclusive a própria Tesco, emitiam comunicados a imprensa alegando que seus sistemas de controle de qualidade são os mais rigorosos possíveis, o Mcdonald’s foi além das palavras e divulgou uma campanha expondo uma série de vídeos em um site criado especificamente para esse fim, explicando a origens de seus alimentos, desde o plantio até o consumo.

O site se chama Além da Cozinha e o vídeo pode ser visto logo abaixo:

Será que não está na hora de você também olhar o mundo de uma forma diferente?

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Você já reparou que mesmo quando o mercado está crescendo tremendamente, existem empresas que estão enfrentando enormes dificuldades de vendas?

Em geral, essas empresas são as que são chamadas de “Eu Também”, ou seja, aquelas que tornam um produto igual a tantos outros, sem diferencial competitivo, sem inovações, sem serviços complementares, sem agregar valor.

Na relação com seu cliente, se você não quiser que seu produto seja tratado como commodities e a negociação focada unicamente em preço, comece a pensar seriamente em inovar.

A criatividade é a saída de emergência para escapar ao desgaste desse tipo de relação.

Ou melhor, ela é talvez a única porta para a sobrevivência de uma determinada empresa


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