Empreendedorismo, Disciplina e …. Sushiman!


sushimanO texto a seguir não é de minha autoria, ele foi escrito por Leandro Ruschel, mas vai de encontro com tudo que acredito, leio e compartilho.

De forma bem clara, a história mostra como um humilde Sushiman conseguiu se transformar em um dos maiores mestres de sushi do mundo, tornando o seu pequeno restaurante um dos lugares mais elogiados do mundo no que se refere a culinária japonesa. Uma lição de empreendedorismo e dedicação, que vale a pena a leitura e reflexão.

A história do mestre sushiman Sushi Jiro Ono

Recentemente assisti o documentário “Jiro Dreams of Sushi”, contando a história do mestre de Sushi Jiro Ono. Para minha grata surpresa o documentário aborda muito mais do que a culinária japonesa.

A trajetória de Jiro ajuda a entender um pouco melhor a cultura que transformou uma ilha sem nenhum recurso natural numa das maiores potências econômicas do planeta.

A busca obstinada pela perfeição, a noção de honra acima da própria vida e a devoção ao trabalho são diretrizes para ao povo japonês ao longo dos séculos.

Jiro é proprietário de um pequeno restaurante em Tóquio chamado Sukiyabashi Jiro, com espaço para menos de 10 clientes num balcão e sem um banheiro próprio. Jiro é considerado o maior mestre de Sushi de todos os tempos.

É preciso fazer reserva no seu restaurante com mais de um mês de antecedência. Pessoas vêm de todo o mundo para experimentar o Sushi de Jiro. O exigente guia francês Michelin atribuiu três estrelas ao restaurante, sua maior nota. Normalmente o guia trás apenas restaurantes badalados e luxuosos.

Não é o caso do Sukiyabashi. O fato é que o seu sushi é tão excepcional que os críticos não se importam com esse detalhe.

Como ele atingiu tal patamar de excelência?

Veja o seu relato:

“Uma vez que você tenha decidido a sua ocupação, você deve se entregar ao trabalho, você deve se apaixonar pelo seu trabalho. Nunca reclame dele. Você deve dedicar a sua vida para dominar a sua habilidade. Esse é o segredo do sucesso e a chave para ser considerada uma pessoa honrada.”

Youshikazu  também é sushiman, é o filho mais velho e trabalha há mais de 30 anos com o pai. O seu relato sobre a missão deles:

“Não tentamos ser exclusivistas ou elitistas. As técnicas que utilizamos não são grande segredo. O que fazemos aqui é um esforço concentrado.

Repetimos as mesmas coisas todos os dias. Há algumas pessoas que nascem com um dom natural. Alguns possuem um paladar e olfato sensíveis. Isso é o que você pode chamar de talento natural.

Sem talento, se você levar a sério o que você está fazendo se transformará num especialista. Agora, se você realmente quer deixar uma marca nesse mundo terá que ter talento e o resto dependerá do quanto você está disposto a dar duro.

A repetição do sushiman o leva a excelência

Meu pai repete a mesma rotina todos os dias. Ele espera o trem na mesma posição. Ele não gosta de férias, é tempo demais longe do trabalho. Isso é impensável para a maioria das pessoas.”

Ainda sobre essa questão temos o relato de alguns colaboradores de Jiro:

O nosso negócio não tem a ver com dinheiro. Nestes dias os jovens querem um trabalho fácil, querem muito tempo livre e muito dinheiro. Mas eles não estão preocupados com a construção das suas habilidades.

Quando você se compromete num trabalho com o Jiro, você está se comprometendo para a vida. A maioria das pessoas não consegue se comprometer com um trabalho desses e acaba desistindo.”

“Jiro ensina de graça, mas serão 10 anos de formação. A primeira lição é conseguir espremer uma toalha quente. Ela é tão quente que pode queimar a sua mão.

Eles só deixarão você tocar num peixe depois de aprender a torcer a toalha. Depois de dez anos de prática, ele permite que você cozinhe os ovos. Eu fiz mais de duzentos sushis de ovo antes dele dizer que estava bom. Eu chorei de emoção neste momento.”

sushiman

O segredo da riqueza não é ter muito dinheiro. Até porque o dinheiro é algo fluído, condições externas incontroláveis podem fazer você ganhar ou perder dinheiro rapidamente.

Mas o domínio de uma habilidade pode gerar valor para sempre. Desenvolvendo essa habilidade, você precisa se preocupar em aplicá-la com precisão. Nesse caso o dinheiro virá naturalmente.

“Quando eu saí de casa com nove anos de idade, foi me dito que eu não teria uma casa para voltar. É por isso que você tem que trabalhar duro, porque você está sozinho e depende apenas de você. Eu não queria ter que dormir embaixo de uma ponte, então eu teria que trabalhar para sobreviver.

Eu continuava trabalhando mesmo quando um chef me chutava ou mesmo me dava um tapa. Hoje em dia os pais dizem aos filhos:

“Você pode retornar se não der certo”. Quando os pais dizem coisas estúpidas como essas, as crianças acabam falhando.”   (essa é a única parte do texto da qual eu não concordo)

Muitos acharão que Jiro está sendo muito duro, mas a verdade é que hoje existe um grau exagerado de tolerância com os mais jovens. As notas mínimas para que o aluno seja aprovado, tanto no ensino básico, como no fundamental estão cada vez mais baixas. Sempre há um desculpa para a mediocridade.

Seja por ter uma cor de pele específica, da sua condição social, de algum problema que você teve na vida você merece uma segunda, uma terceira, uma quarta chance ou até mesmo uma forcinha a mais, como uma cota. O que aconteceu com o mérito? Com andar com as próprias pernas?

Há algo muito errado com a visão clássica do trabalho como um fardo a ser carregado para conseguir manter um nível básico de conforto ao longo da vida e em algum momento se aposentar para aí sim curtir a vida.

Com a palavra, Jiro:

“Há sempre um anseio para conseguir ir além. Eu continuarei a subir para ficar mais perto do topo, mas ninguém sabe onde o topo é. Mesmo na minha idade, depois de décadas de trabalho, eu não acho que tenha alcançado a perfeição.

Mas sinto-me em êxtase durante todo o dia. Eu adoro fazer sushi. Quando parar?

Eu sou apaixonado pelo meu trabalho de sushiman, entreguei minha vida a ele. Mesmo com 85 anos, não tenho vontade de me aposentar.”

O que me impressionou foi ver a maior parte da filosofia de vida em que acredito resumida num documentário…sobre Sushiman!


Newslatter

Comentários

  1. É bem interessante o artigo. Não consigo discordar em nada porque, vejo que é um ponto de vista bem individual.

    Acho que o cerne da questão está na paixão, você tiver isto, você vai muito longe. Ninguém trabalha duro, quando é apaixonado pelo que faz, talvez, no início possa ser duro, mas, depois de apaixonado, a dureza acaba. Isso quer dizer que a paixão pode ser encontrada no caminho.

    Eu penso também, que disciplina é bom, mas, também é muito anti-criativa… porque você segue uma linha estabelecida, então fecha-se pra alguns caminhos, caminhos que muitas vezes são simples, como fato de sentar e pensar de modo a criar, extrair do universo um insight. E disciplina tá mais envolvido com coisas pre-estabelecidas o que inibi a criatividade.

    Contudo, paixão é tudo.

    Agradeço por compartilhar experiências.

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