Fazer o trabalho sujo também é papel do líder


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Todo bom gestor que se preze deve sempre estar atento ao conteúdo que é publicado na área de liderança corporativa visando aprimorar suas habilidades e conhecimentos em gerenciamento de equipes. Até aqui nenhuma novidade, correto?

Porém, e digo isso após ler uma dezena de livros sobre o tema, um detalhe me chamou a atenção: poucas são as obras que abordam o fato de que além de usufruir dos benefícios que o cargo proporciona, todo chefe também deve fazer coisas que incomodam e magoam pessoas.

E é justamente sobre essa lacuna que eu gostaria de escrever hoje.

Entenda uma coisa, se você é ou pretende ser o chefe, também será sua função repreender e demitir funcionários, negar pedidos de aumento de salários e de verbas, transferir colaboradores para trabalhos que não querem fazer, suspender e fechar departamentos… Enfim, acho que já deu para entender aonde eu quero chegar.

O fato é que se você não consegue cumprir com esses deveres desagradáveis, talvez não devesse ser o chefe. Talvez seria melhor se você passasse o bastão e pedisse para sair…

Os melhores chefes não postergam ou se esquivam de atos difíceis

Considere uma pesquisa feita por professores de Stanford e Universidade da Flórida, Charles O’Reilly e Barton Weitz, que abordou como alguns supervisores lidavam com empregados problemáticos, ou mais especificamente, com funcionários que apresentavam baixa produtividade, falta de pontualidade e más atitudes.

Após relacionar as atitudes que foram tomadas por cada supervisor com os resultados apresentados por suas equipes, os pesquisadores identificaram que os chefes dos grupos de trabalho mais produtivos confrontavam de forma direta e rápida, davam mais advertências e punições formais e despediam os empregados imediatamente quando as advertências fracassavam. Esses chefes firmes e eficientes inspiravam o desempenho do grupo, pois suas palavras e atos deixavam claro que eles não tolerariam desleixos.

Já os maus chefes viviam em um mundo fantástico de negação e delírio. Nas palavras dos professores, eles foram notavelmente capazes de inventar desculpas para postergar o trabalho difícil. Podiam até falar duro, bater na mesa e fazer ameaças de demissão, mas careciam da coragem para confrontas os empregados diretamente com comentários negativos, punições ou outras más notícias. E o que é pior, os funcionários sabiam disso.

Bons chefes fazem o trabalho sujo porque acreditam que é o que se deve fazer

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Em um outro contexto sobre o tema, o professor da Escola de Negócios Kellog, J. Murnighan, diz em seu livro Não faça nada! Aprenda a deixar que cada um faça o seu trabalho, que quando for necessário realizar o “trabalho sujo” (aquele que ninguém quer fazer), todo mundo deve fazer a sua parte, inclusive os líderes.

Nesse caso, deve-se organizar um esquema de rodízio, no qual todos, inclusive o líder da equipe, se revezarão na realização da tarefa. Para o autor, não é interessante jogar todo o trabalho sujo nas costas de uma ou duas pessoas, o que, além da sobrecarga, poderá provocar ressentimento imediato e duradouro. Além disso, não se incluir no rodizio pode induzir sua equipe a pensar que você se considera acima deles.

Fazer o trabalho sujo é uma realidade, a pergunta é como fazer?

A conclusão, como dito no início do texto, é que muito provavelmente existirá ocasiões em que cada chefe deverá fazer coisas que poderão machucar pessoas. Porém, e é nesse ponto que reside o segredo do assunto, existe uma grande diferença entre o que você faz e como o faz.

Pesquisas realizadas por cientistas comportamentais mostram que o trabalho sujo causa menos danos quando os chefes acrescentam quatro antídotos à mistura: previsão, compreensão, controle e compaixão.

Em um exemplo hipotético, ao ter que enfrentar um período de demissões, cortes salariais ou outras alterações dolorosas, um bom líder deve sempre encontrar maneiras de ajudar seus funcionários a prever o que poderá acontecer com eles no futuro caso as devidas correções em seu comportamento não forem feitas.

Não só isso, o líder também deverá ajuda-los a entender o porque a empresa estar tomando aquelas decisões, além de tentar controlar o modo como os acontecimentos se desdobram ao longo do tempo.

Por fim, a compaixão, o último elemento da lista, seria o momento em que o líder expressasse empatia e afeto no momento que precisar dar as más notícias e implementar as mudanças necessárias para a sobrevivência da empresa.


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