Formulando metas através da indução retroativa


Enquanto buscamos atingir as nossas metas, normalmente pensamos no que precisa ser feito em seguida. Isso é perfeitamente natural.

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O problema dessa abordagem, contudo, é que, quanto mais distantes estamos de um objetivo, mais difícil é saber ao certo qual deve ser o próximo passo.

Vamos ilustrar essa situação da seguinte maneira. Vamos começar com dois estados naturais: o seu estado atual e um estado futuro possível (o seu objetivo). Naturalmente, precisamos nos aproximas de nosso objetivo para atingi-lo em algum momento no futuro. Assim sendo, a inclinação natural é pensar no que fazer em seguida. Qual será o nosso próximo passo?

Entretanto, a indução retroativa, um processo baseado na economia formal da teoria dos jogos, nos diz para começarmos pelo final, pelo ponto em que desejamos estar, e em seguida, ir voltando até o início, escolhendo o seu primeiro passo para levar logicamente ao próximo, que por sua vez, levará logicamente ao próximo, e assim por diante.

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Isso reverte completamente o processo estratégico, mas pense nas vantagens. Em primeiro lugar, temos mais certeza da eficiência do ultimo passo do que da eficiência do nosso próximo passo: devido à proximidade do último passo à nossa meta final, costuma ser mais fácil determinar qual deve ser o ultimo passo.

Dessa forma, sabemos com muito mais clareza que estamos no caminho certo.

Em segundo lugar, se pudermos chegar a um ponto no qual de fato estaremos a um passo da nossa meta, aumentaremos infinitamente a nossa probabilidade de atingi-la.

Como funciona a Indução Retroativa

Vamos imaginar que o seu grande objetivo profissional seja assumir o cargo de coordenador de um curso de Administração em uma boa Universidade. Se começarmos pelo final e retrocedermos a partir daí, o processo seria algo como:

  1. O ultimo passo antes de ser tornar um coordenador de curso é conseguir uma titulação de Doutor. Uma boa Universidade, provavelmente, exigirá essa titulação do seu candidato.
  2. Para entrar em um programa de doutorado, o candidato quase sempre precisa ser um professor titular. Para chegar a essa posição, ele deve ter uma carreira bem-sucedida como pesquisador. E também ajuda ser um bom professor. Isso cria três passos retroativos adicionais no processo (tempo de casa, história de pesquisas e histórico pedagógico).
  3. Para conseguir ser um professor titular, o candidato, provavelmente, deverá ter o título de mestre. Nesse caso, um segundo idioma ajudará consideravelmente nesse processo, bem como excelentes notas e uma considerável participação nas atividades acadêmicas, ainda durante a graduação.

Assim, para se tornar um coordenador de um curso universitário, você deverá começar o seu planejamento estratégico mais ou menos aos 18 anos de idade, justamente no período no qual você estará ingressando na Universidade.

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Naturalmente, esse não é o único caminho para se tornar um coordenador universitário. Mas o processo de fato nos revela um caminho particularmente eficiente, além de identificar as condições absolutas para atingir esse objetivo. Seria incrivelmente raro, por exemplo, se um excelente curso em uma boa Universidade contratasse alguém sem um diploma de doutorado para ser o coordenador.

Muitos dos passos deste processo não apenas são importantes, como também são essenciais; segui-los na ordem certa também facilita o processo, fazendo ele ser mais claro e mais direto.

É por isso que que a indução retroativa é tão útil: trata-se de uma abordem extremamente racional para atingir suas metas profissionais, esclarecendo como os passos em falso podem prolongar desnecessariamente o seu caminho na direção do seu objetivo ou desqualifica-lo para sempre.

Agora mãos à obra: qual é o seu objetivo final?


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