Funcionários, Colaboradores ou Parceiros?


mini-colaboradores

A pergunta a seguir vale para quem é funcionário antigo de alguma empresa ou para quem está por dentro da área de Administração. Você já reparou que já faz algum tempo que a palavra funcionário deixou de ser usada dentro das empresas?

Qual foi a ultima vez que você ouviu algum gerente chamar seu subordinado de funcionário?

Não se lembra?

Exatamente, eu também não.

De repente, chamar seu funcionário de funcionário passou a ser considerado quase que como uma ofensa. E é aí que você se pergunta, se não posso mais chamar de funcionário, chamarei do que então?

Foi neste exato momento em que começou a entrar em cena a palavra Colaboradores.

Confesso que para mim, que sempre olhei para a área de Recursos Humanos com um certo receio, essa conversa de chamar funcionários de colaboradores não passava de uma mera fantasia, algo que eu encarava como puramente motivacional.

E por que eu penso assim?

Porque estou acostumado a ouvir histórias de chefes que abusam na carga horário de trabalho de seus funcionários e depois não querem pagar tais horas extras, que estipulam metas inalcançáveis, que pagam salários totalmente fora do padrão, mas que, quando é para fazer aquele discurso de aniversário ou de alguma festa de confraternização, enchem a boca para falar que na sua empresa não existem funcionários, e sim “colaboradores”, e que para eles e para a empresa, todo são como uma família.

Que balela!

Ser chamado de colaborador ou de “parte da família” e ficar levando chicotada nas costas é uma das maiores hipocrisias da área de Recursos Humanos que eu conheço.

Foi como escutar as apresentações de monografia dos formandos da minha turma de Administração falando do bom ambiente de trabalho do qual eles viviam, mas que, logo na primeira oportunidade que tiveram para trocar de trabalho para ganhar R$10,00 a mais, não pensaram duas vezes em abandonar sua empresa maravilhosa.

Funcionários, Colaboradores ou Parceiros?

Como eu disse, se para mim já motivo de grande desconfiança ouvir a palavra Colaboradores para se referir aos funcionários de uma empresa, imagine como eu me senti ao ler no livro A Estratégia da Starbucks de Joseph Michelli, que a grande rede de cafés trata seus funcionários como PARCEIROS.

A primeira coisa que pensei foi “seria esse mais um dos joguinhos motivacionais do RH?” Bom, ao terminar de ler o livro eu percebi que não, e explico por que.

É claro que, por ser um livro que narra a história da mística marca Starbucks, o autor não poderia deixar de dar uma pequena incrementada nas histórias, isso há de se relevar.

Mas, o entendimento que fica ao ler esses relatos contados pelos próprios funcionários da empresa (e são inúmeras deles por sinal) é que o termo Parceiro se encaixa perfeitamente ao que Michelli chamou de Experiência Starbucks.

Esse esforço colaborativo é muito bem descrito pelo presidente da empresa nas seguintes palavras:

A marca Starbucks, assim como a marca de qualquer empresa, nada mais é do que a soma final das medidas tomadas por seus funcionários”Apesar de ser algo bastante extenso e complexo, a Experiência Starbucks, que não por acaso é a idéia central do livro, mostra de um jeito bastante claro a forma com a qual os parceiros (funcionários) da Starbucks são responsáveis pelo crescimento e desenvolvimento da marca Starbucks.

AJA COMO SE FOSSE O DONO DO NEGÓCIO

Dentre os 5 principais princípios que sustentam a marca Starbucks descritos no livro, um em especial eu separei para comentar aqui. Descrito como “AJA COMO SE FOSSE O DONO DO NEGÓCIO” ele descreve diversas atitudes que os parceiros Starbucks exercem em seu dia-a-dia na empresa.

Agir como se fosse o dono do negócio significa querer que um cliente chegue e faça um pedido 5 minutos antes de dar o seu horário de ir embora.

Significa sacrificar o seu final de semana para ajudar a empresa em alguma ação comunitária sem ganhar nada com isso.

Significa ser flexível e quebrar regras para resolver o problema do cliente na frente do balcão, na hora que ele mais precisa e não simplesmente o mandar ir embora porque “o regulamento não permite que eu faça isso”.

Vale lembrar que para que tudo isso funcione não podemos esquecer de dois detalhes. O primeiro é: só age assim quem gosta do que faz. Esperar tais atitudes de pessoas que acordam na segunda-feira já pensando na sexta-feira é como esperar que no Brasil não exista políticos corruptos.

O segundo e não menos importante é: o funcionário precisa ser remunerado de acordo com o seu esforço, ou seja, a remuneração deve ser variável. Significa dizer que quanto mais ele produz, mais ele ganha.

Se não fossem esses Parceiros, nenhuma dessas historias jamais seriam escritas e o livro sequer seria publicado. Tal força é tão grande para a cultura da marca que o próprio presidente da organização alegou que a Starbucks não precisa gastar dinheiro com publicidade, pois seus parceiros são a melhor publicidade que a empresa poderia ter.

Agora fica a reflexão final, será que na sua empresa, algum de seus “colaboradores” tem alguma história positiva para contar? Será quando eles se reúnem fora da empresa, eles comentam sobre algum problema de um cliente que eles resolveram? Será que essas histórias são dignas de serem publicadas em algum livro? Ou será que eles não tem

Deixo essa reflexão para vocês pensarem…


Newslatter

Comentários

  1. […] Dessa forma, passaria a existir os atuais “colaboradores” e “parceiros”, uma nomenclatura mais moderna e responsável. Isso não garante, é claro, que essa troca de nomes irá se refletir na troca de comportamentos, como bem explorei no texto A Experiência Starbucks – Funcionários, Colaboradores ou Parceiros? […]

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