Marujos, o capitão se foi!


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Essa semana, muito comentou-se sobre a atitude que o capitão da seleção brasileira de futebol Thiago Silva adotou frente a cobrança de pênaltis no jogo contra a seleção Chilena, válido pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2014.

Para quem não presenciou a cena (se é que existe algum brasileiro que não viu), após o final da prorrogação, nosso capitão ficou inicialmente isolado do restante dos jogadores, permanecendo sentado em cima de uma bola.

Com os olhos distantes, Thiago Silva fez suas orações, e só depois de algum tempo voltou para integrar o restante do grupo de jogadores.

Mal ele imaginava que essa cena lhe renderia tantas críticas. Após terminado o jogo, coloquei a questão no meu Facebook para ouvir alguns comentários que posteriormente serviram de base para escrever o texto de hoje, vamos lá.

Primeiro: eu não concordo com algumas opiniões que alegaram que pelo fato dele ser o capitão da equipe, ele deveria ser o primeiro a bater o pênalti. Particularmente, eu acho que nesse ponto ele foi humilde o suficiente para confessar que não tinha confiança o suficiente para colocar a bola para dentro do gol. Ninguém pode ser bom em tudo.

Baseado em seu recente histórico de cobranças, onde a maioria delas foram desperdiçadas, ele julgou que essa era a melhor decisão a ser tomada. Eu considero que um erro do capitão na primeira cobrança, o que nessa altura seria bem provável, poderia abalar ainda mais as já frágeis emoções da equipe brasileira.

Segundo: ainda existe um equívoco de grande parte das pessoas em misturar certas atitudes com religiosidade. Não, ele não precisava se isolar para fazer suas orações, caso quisesse, poderia muito bem fazê-las em conjunto com os demais jogadores.

Imagine só se a sua empresa determinasse que todos os setores deveriam passar por um processo de auditoria, e, no momento em que os auditores chegassem para avaliar o seu departamento, o líder do seu setor simplesmente resolvesse se isolar em algum canto para começar a rezar. Aposto que o restante da equipe não se sentiria muito confiante frente à situação.

Terceiro: é importante salientar o papel que o líder informal/inesperado (ou qualquer outra nomenclatura que você desejar) exerce na ausência do líder formal. No momento em que o barco não tinha mais o seu capitão oficial, coube ao volante Paulinho, reserva da equipe, assumir a liderança e motivar os jogadores.

Essa situação nos deixa uma importante lição: é no limite das emoções, no momento em que a água está para invadir o barco, é que pode-se observar com absoluta clareza quem é o verdadeiro líder.

O fato é que existem vários tipos de liderança, ela pode ser carismática, como foi a do nosso capitão do penta Cafu, ela também pode ser uma mistura de razão com emoção, como foi a do nosso capitão do tetra Dunga, agora, o que ela não pode ser, de forma alguma, é omissa, como bem demonstrou o nosso atual capitão da seleção brasileira Thiago Silva.

A omissão passa a impressão de medo, e ninguém gostaria de ver uma equipe medrosa em um momento tão decisivo.

Esse caso ainda nos revelou que por sofrer de instabilidade emocional, o zagueiro Thiago Silvia, constantemente elogiado por sua técnica dentro de campo, poderia sim comprometer o rendimento do restante da equipe, o que, por sorte, não aconteceu.

Para nós, gestores, fica a importante lição: nem sempre os funcionários mais habilidosos serão os melhores líderes.


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