[Resenha] O Efeito Facebook


o-efeito-facebookSabe aquele papo de professor que diz que antes de você expressar sua opinião sobre algum assunto, primeiro você precisa ler/ouvir duas opiniões de diferentes autores sobre ele? Que ouvir um lado só da história pode te dar uma visão errada sobre as coisas?

Infelizmente não foi isso que fiz ao publicar a resenha do Bilionários por Acaso: A Criação do Facebook, cego pela visão da história mostrada pelo premiado filme A Rede Social e que leva em conta quase que exclusivamente a opinião do brasileiro Eduardo Saverin, acabei me deixando levar por essa ficção cinematográfica que, como não poderia deixar de ser, foi feita para ganhar prêmios. E de fato ganhou, muitos.

O Efeito Facebook de David Kirkpatrick é um relato completo, repleto de informações e dados sobre como as coisas realmente aconteceram na empresa de tecnologia que mais cresce no mundo atualmente. Relatados esses contados por pessoas que fizeram a história acontecer, como o atual CEO Mark Zuckerberg e seu Co-Fundador Dustin Mozkovitz. Ah, também tem um pouco de Saverin, mas menos, muito menos.

O passado de Zukerberg

Kirkpatrick mostra o lado que poucos conhecem de Mark Zuckerberg, uma pessoa que desde pequena tinha um talento especial para fazer softwares que as pessoas não conseguiam parar de usar. Vindo de uma família composta de estrelas acadêmicas, deixou claro para todos que o Facebook sempre foi guiado por um forte senso de missão.

Para Marck, a receita da empresa era secundária, ela era menos importante do que manter os usuários do site satisfeito com o serviço. (Pensamento igual constituiu empresas como o Youtube e o Twitter, que não viram a cor do lucro em seus primeiros anos de existência)

Apesar das críticas e desconfianças, o Facebook sempre teve progresso em suas ações. Várias pessoas duvidavam da utilidade do Facebook, há quem dizia que era apenas mais um site para as pessoas se exibirem. O livro conta como o site foi cuidadosamente se desenvolvendo, serviços eram adicionados e controlados um de cada vez, algo curioso para nós brasileiros que já pegamos o serviço com todas as ferramentas já funcionando.

A história das Redes Sociais

O Facebook esteve longe de ser a primeira rede social, o sixdegrees.com foi o primeiro negócio online que tentou identificar e mapear um conjunto de relações reais, porém foi lançado cedo demais, em 1997 o custo dos servidores era alto demais, poucas pessoas dispunham de conexão rápida o suficiente, sem falar que as fotos digitais era ainda algo impensável, como resultado o site não vingou.

Outra rede mais famosa por lá, o Friendster, provou que o sucesso a curto prazo também pode gerar problemas, o seu rápido crescimento tornou o site lento demais, o que acabou irritando seus usuários.

O que ambos tiveram em comum? Deixaram valiosas lições para o Facebook não cometer o mesmo erro. Marck comenta que o Facebook teve a sorte de ser lançado na época certa, e que o “efeito Friendster” era uma preocupação que deveria ser levada muito a sério, isso explica porque o Facebook se tornou aberto para todos tão tarde. O crescimento lento e sustentável se tornou uma prática valiosa dentro da empresa.

O que decide o futuro de uma empresa

A missão e a visão sempre guiaram as decisões de Zuckerberg sobre o Facebook, em um mundo movido por dinheiro e ganância, diversas vezes ele foi questionado sobre o por que não usar e abusar da publicidade em seu site, afinal, oportunidades não faltaram. Contudo, como eu já disse, desde cedo ele deixou muito claro que sua empresa não tinha muito a ver com dinheiro, o que ele pretendia era “fazer do mundo um lugar mais aberto”.

Isso mostrou de uma forma muito clara que a missão, a visão e os valores de uma empresa, quando bem definidas, realmente fazem a diferença em seu destino. Somente esses três fatores muito bem definidos e esclarecidos são capazes de fazer com que um jovem de 23 anos recuse a oferta de 15 bilhões de dólares por uma empresa que não tinha ainda completado os seus 3 anos de vida.

Essa é uma importante lição para todos os céticos que acham esse papo uma balela, que argumentam que hoje em dia as missões são todas iguais e que a Apple não tem nada disso e mesmo assim prospera como nunca.

Tomando decisões difíceis

Zukerberg encontrou-se em um grave dilema quando resolveu expandir o Facebook para além dos campos universitários. Quando se viu diante do dilema de espalhar seu serviço para qualquer usuário do mundo, várias pessoas da empresa o questionaram que essa estratégia não daria certo, a empresa perderia o foco do seu principal público alvo e poderia espantar os seus usuários já fiéis.

Contrariando até mesmo os livros acadêmicos, Marck resolveu apostar na idéia de que era possível disponibilizar o Facebook para qualquer pessoa que estivesse interessada em usá-lo e acabou provando mais uma vez que estava certo.

A partir disso, quando o Facebook se tornou grande demais, Marck inteligentemente decidiu priorizar o caminho que a sua empresa deveria seguir. Depois de algumas conversas, ele chegou a conclusão que aquilo que o Facebook fazia excepcionalmente bem era manter os perfis pessoais e as redes de conexão de amigos, esse era o seu foco, apenas em cima disso ele deveria se especializar.

Não demorou muito para que quase tudo o mais fosse feito por outras empresas e assim surgiu a idéia de criar o serviço de Plataforma para o site, ou seja, ele passou a se tornar disponível para qualquer programador que quisesse disponibilizar lá seus jogos e aplicativos.

Curiosidades

Uma das primeiras contratações do Facebook, um rapaz chamado Steve Chen, durou poucas semanas na empresa e foi duramente criticado na época por tomar essa decisão. Chen foi em frente e criou uma empresa de compartilhamento de vídeos chamada Youtube.

O acréscimo de novas línguas não custa nada ao Facebook – utilizando o processo de Colaboração em Massa, cada palavra é traduzida e votada pelos próprios usuários do site e não por seus funcionários.

Conclusão

Em um país como o Brasil onde a “síndrome do domingo a noite” e a “felicidade da sexta de manhã” impera, uma grande lição é retirada do clima coorporativo do Facebook, nas palavras do Co-Fundador Duzkovitz “o trabalho nunca era um trabalho para nós, trabalhávamos no natal, nos fins de semana e até as cinco da manhã”. Só quem gosta do que faz trabalha sem reclamar, colocar as pessoas certas nos lugares certos é uma antiga lição ensinada por Jim Collins.

O Efeito Facebook é mais do que um simples livro ou um filme feito para agradar telespectadores, é sim um ensinamento de vida de uma pessoa que veio para “tornar o mundo mais feliz”.


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