O mundo perfeito dos jurados do SuperStar


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Quem acompanha o blog já deve ter percebido que eu não sou um grande admirador da televisão brasileira. Por vezes, acabo assistindo algum filme ou algum jogo de futebol, mas são raras as ocasiões das quais eu perco o meu tempo observando algum programa televisivo, principalmente os nacionais.

Entretanto, ao terminar a leitura do clássico do marketing O herói-e-fora-da-lei, me vi diante de uma constatação feita pelos autores. Para eles, é fundamental que o profissional de marketing acompanhe os programas e livros de sucesso, e isso inclui os Big Brother’s e 50 tons de cinza da vida.

Quando eles dizem para acompanhar, referem-se a tentar entender o contexto por trás de tamanha audiência, compreender a dinâmica desse sucesso, o enredo que move a história, o que de fato emocionou e comoveu o público. Ao agir dessa forma, tais profissionais poderão adaptar suas próprias mensagens ao seu público alvo.

Juntando essa curiosa constatação, com a tradicional preguiça do domingo, o dia mundial do descanso, eu geralmente costumo dar aquela olhadinha na telinha para descobrir o que vem causando murmurinho nas redes sociais.

E foi exatamente em meio a essas olhadinhas de domingo que eu comecei a acompanhar o programa SuperStar. Comandado pela bela Fernanda Lima, o programa segue o enredo dos já conhecidos programas americanos, mas com uma exceção, enquanto os jurados gringos exercem um papel fundamental em meio à trama, o nosso júri… Bem, o nosso júri também deve cumprir algum tipo de papel, só me falta descobrir qual é.

Resumindo a obra, em meio às apresentações das bandas, os três jurados que compõem a mesa principal precisam apertar o botão azul, caso sejam favoráveis, ou vermelho, caso sejam desfavoráveis, ao que estão ouvindo e vendo. É exatamente em meio a esse simples processo que reside todo o problema.

A falta de critérios nas opiniões dos juris torna suas presenças quase que desnecessárias. É preciso muita personalidade para emitir opiniões em público, principalmente se elas forem negativas, personalidade essa que o nosso júri infelizmente não vem demonstrando.

Em suas decisões, fica evidente a presença de uma cultura paternalista, comum a tantas empresas brasileiras. A cultura paternalista apresenta como principal característica a boa e velha camaradagem entre as partes, tal qual como aquela que existe entre pai e filho, daí vem o nome.

Uma grande desvantagem dessa cultura é o receio em expor feedbacks sinceros, principalmente os negativos. Esse medo justifica-se pelo fato da parte que fornece o feedback não querer ficar com “fama de mal” perante a parte que o recebe, ou nesse caso, perante o público em geral.

O fato é que por mais perfeita que seja a apresentação de uma banda, seria impossível alegar que elas não possuem falhas. Alguns podem alegar que o nível do programa está muito alto, porém, é preciso deixar claro que se o nível aumentou, os critérios de julgamento também deveriam aumentar.

Os jurados do SuperStar

Enfim, a participação dos jurados na opinião deste que vos escreve se resume da seguinte maneira:

Ivete Sangalo: a musa baiana vive em um mundo de fantasias. Sua fama de boa moça a faz ser complacente demais em seus julgamentos e o resultado não poderia ser outro, aprovação de todas as bandas.

Fábio Jr.: sequer consegue formular suas opiniões. Engasga constantemente e lhe faltam argumentos técnicos para expressar seu ponto de vista. Suas frases preferidas são: “eu gostei pra caramba” e “eu acho que vocês deveriam tocar uma musica autoral”. Se votando a favor fica difícil justificar sua opinião, o voto contra seria inimaginável. Dessa forma, também aprova todo mundo.

Dinho Ouro Preto: o mais autêntico e criterioso dentre os jurados, porém, não consegue ser imparcial. Seus julgamentos quase sempre são cheios de vieses que pendem para o lado do rock. Se pudesse decidir o destino do programa sozinho, a banda vencedora com toda certeza tocaria rock.

Para finalizar a crítica, segue uma observação bem marqueteira:

Fica evidente que a banda Malta, apesar de nem sempre liderar o ranking de votações, é a preferida da audiência, visto que eles sempre se apresentam entre os últimos, um velho truque da televisão para segurar o IBOPE.


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