O negócio não é o livro com o qual você começa, mas o livro ao qual aquele livro te levará


pilha-de-livros

Acabei de me deparar com essa frase em uma leitura em plena madrugada. Me identifiquei tanto com ela que não me contive e fui obrigado a correr até o computador para escrever esse texto.

Sabe qual é a minha técnica preferida para sempre manter o meu ritmo de leitura de livros acelerada? Eu compro, ou melhor, eu empilho livros dos quais eu ainda não planejo lê-los no momento em cima da minha mesa.

Loucura né?

Mas por que será que eu faço isso?

Antes de responder, deixe-me contar uma história. Por força do destino, infelizmente eu sou uma pessoa que precisa usar óculos. Eu costumo brincar que a minha história com esse objeto de vidro é inversa a do Peter Parker (o Homem-Aranha). Para quem não é familiarizado com o herói, Peter passou a enxergar perfeitamente um dia após ter sido picado por uma aranha geneticamente modificada. No meu caso, eu parei de enxergar perfeitamente de um dia para o outro.

Como um cara que nunca gostou de usar óculos, a minha opção mais fácil, ou talvez a única disponível para driblar esse problema, seria usar lentes. Mas eu não conseguia usar lentes de jeito nenhum.

Na primeira vez em que fui fazer o teste para compra-las, não cheguei nem perto de conseguir inseri-las nos meus belos olhos verdes, mentira, eles são castanhos escuros mesmo, a genética não me agraciou com essa característica.

Enfim, meu olho não parava de piscar, era uma agonia indescritível, pelo menos pra mim. Quando o vendedor viu meu sofrimento e se ofereceu para tentar coloca-las, as coisas pioraram ainda mais. Saí da loja frustrado.

Algum tempo depois eu tive uma ideia. Dessa vez eu não iria mais até a loja para provar as lentes e depois compra-las, eu iria compra-las e, já em casa, depois que caísse na real que o meu dinheiro já havia sido gasto, eu iria me virar para conseguir usá-las. Resolvi usar a dor psicológica da perda do dinheiro a meu favor.

Na primeira vez que tentei, demorei cerca de 40 minutos para colocar o par de lentes. Na segunda cerca de 25 minutos, e depois 10, e depois 5, até chegar onde estou hoje.

Agora voltando a história dos livros…

Hoje, sempre que começo a ler o meu último livro, eu já providencio a compra de mais 4 ou 5 para a minha nova reserva. Mesmo que eu não tenha planos para lê-los imediatamente, faço isso porque sei que a dor psicológica de ver o meu dinheiro gasto ali funciona como um incentivo para que esse ciclo nunca termine.

E ainda tem o agravante que já comentei no início do texto, eu os deixo todos em cima da minha mesa, para que todo dia eu lembre que o meu dinheiro está ali, pronto para ser utilizado.

É como diz o cineasta John Waters: Nada é mais importante do que uma biblioteca não lida.


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