O poder lhe dá o direito de ser arrogante?


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Quem aqui assistiu Masterchef essa semana?

Essa é a minha pergunta mais frequente em sala de aula dos últimos tempos, e também dos meus últimos textos. Só para lembrar alguns, eu já analisei o comportamento do Fernando ao liderar uma equipe em uma prova, e também fiz uma analogia entre a harmonia dos ingredientes com o equilíbrio de atitudes que a sua empresa precisa ter.

Já no texto de hoje eu quero comentar sobre o que talvez tenha sido o assunto mais polêmicos dos que já escrevi, e até por isso eu acredito que muitos não irão concordar comigo (quem for contra, fique à vontade para escrever suas opiniões aqui nos comentários).

Aos que não conhecem a dinâmica do programa, após as provas de eliminação, o participante eliminado vai até os Chef’s para se despedir e também para receber alguns conselhos motivacionais antes de ir embora e seguir sua vida profissional fora do programa.

Porém, dessa vez, os conselhos do Chef Jacquin foram dignos de uma reflexão mais aprofundada.

Mas antes que eu comente, separei o trecho do programa e peço para que você o assista antes de continuar o texto.

Reparem na seguinte passagem dita pelo francês: “eu sou igual a você (arrogante/mala), só que eu já sou Chef. Já sou conhecido. Eu posso, você não pode”.

Pois bem, é exatamente nesse ponto que reside a polêmica. Será que o poder lhe dá o direito de ser autoritário? Ou de agir de forma bruta e intolerante? Será que a pessoa que o detêm tem permissão concedida para ir além dos bons modos que a cartilha prega?

Alguns comentários que ouvi sobre o assunto pesaram no sentido de que essa bronca deveria ter sido repassada para toda essa nova geração que está entrando no mercado de trabalho e que tem como uma de suas principais características a falta de obediência à uma pessoa de hierarquia superior.

Por coincidência, um dia após a exibição do programa, em meio a uma aula, uma aluna começou a reclamar de uma correção que eu fiz em um exercício pratico que ela executou. Mesmo após eu dizer, e explicar, por várias vezes que o mesmo não estava correto, ela insistia em dizer que estava. Sua convicção em afirmar algo sem ter nenhum conhecimento sobre o assunto era impressionante.

Após mais alguns questionamentos, ela terminou sua fala dizendo que eu estava sendo muito “chato”. Eu disse a ela que dentro do ambiente de sala de aula, as coisas funcionariam mesmo daquela forma. Que eu sou, e devo ser “chato” porque sou professor, e para ela, como aluna, a melhor opção seria a de seguir os meus conselhos, ou seja, me obedecer. Conclui dizendo que se ela me achava rígido demais é porque ela ainda não tinha um chefe em seu trabalho.

A idade dela? 16 anos.

Ter o poder não lhe dá o direito de usá-lo de forma autoritária, isso é óbvio, entretanto, pior ainda é quando você não o tem, e age como se tivesse. Dessa forma, o tiro no pé é ainda maior, ou até mesmo fatal, como foi o caso do Fernando, e tomara que não tenha sido o seu.


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