O Problema do espectador


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Quem assistiu o Fantástico do dia 24/07/2011 pôde acompanhar a história da jornalista que foi seqüestrada no meio da rua por bandidos em São Paulo.
Esses, que entraram dentro do carro da jornalista e a fizeram dirigir por um longo percurso, não contavam que uma outra pessoa vinha logo atrás e ao observar a cena suspeita, logo telefonou para a polícia, que prontamente resolveu o caso.

O Problema do Espectador

Essa reportagem me fez lembrar de um estudo parecido que é descrito no livro o Ponto de Virada de Malcolm Gladwell.
O autor conta a história de Kirry Genovese, morta a facadas, em 1964, no Queens, um bairro de Nova York. Em meia hora, essa pobre mulher foi perseguida pelo agressor e atacada três vezes na rua enquanto 38 vizinhos assistiam a cena de suas janelas.
Nesse período no entanto, nenhuma dessas 38 pessoas telefonou para a polícia. Esse caso veio a se tornar um símbolo da frieza e da desumanidade da vida urbana em Nova York.
Abe Rosenthal, um jornalista que escreveu um livro sobre o crime, julgou essa atitude como típica das grandes cidades. Segundo ele, o anonimato e a alienação que marcam a vida nos grandes centros urbanos tornam as pessoas duras e insensíveis.
Esse incidente ainda veio a se tornar fonte para um outro estudo que tentou compreender o que dois psicólogos, Bibb Latane e John Darley, chamaram de “problema do espectador”.
Eles encenaram vários tipos de situações de emergência para ver quem apareceria para ajudar, como fazer uma pessoa simular um ataque epilético em uma sala repleta de gente.
O que eles descobriram, com surpresa, foi que o principal fator que influenciava a disposição de prestar auxílio era o número de testemunhas presentes. 
Resumindo a grosso modo, eles chegaram a conclusão que quando as pessoas estão em grupo, a responsabilidade de agir fica difusa. Supõe-se que o outro vai tomar uma providência ou que, como ninguém se mexe, o aparente problema não é de fato um problema.

De quem é o problema?

Portanto, se não é problema seu, também não é problema meu e já que não é problema nosso, não é problema de ninguém e vamos continuar assistindo a nossa novelinha tranquilamente.
Difícil saber se esse estudo teria o mesmo resultado aqui no Brasil, mesmo sendo um dos países com a pior distribuição de renda do mundo, somos um povo muito solidário!
Gostamos de ajudar as pessoas em qualquer circunstâncias, damos o que não temos, ajudamos a reconstruir outros países enquanto semanalmente somos obrigados a assistir crianças e adolescentes se afundarem na criminalidade e nas drogas em nosso próprio solo…. bom, melhor deixar esse outro assunto para um outro dia… o certo mesmo é que, a pessoa que salvou a jornalista (que estava sozinha), merece todos os méritos por seu ato heróico.


Newslatter

Comentários

  1. Oi Diego, nunca é demais lembrar destes pequenos detalhes sobre a vida em sociedade. É gratificante ver exemplos de pessoas que não inventam desculpas para evitar ajudar ao próximo, mesmo quando isto envolve riscos.Se me permite, gostaria de sugerir dois textos. Um é sobre o mesmo caso de Kitty Genovese: http://www.naopossoevitar.com.br/2009/06/experimentos-em-psicologia-latane-darley-e-a-paralisia-coletiva.htmlO outro é sobre a Imaginação Heróica, uma ideia do psicólogo americano Phil Zimbardo, pregando uma atuação mais engajada das pessoas de bem para se protegerem mutuamente: http://www.naopossoevitar.com.br/2009/07/experimentos-em-psicologia-phil-zimbardo-e-a-imaginacao-heroica.htmlE obrigado pela citação ao meu texto do Haiti!Um abraço, Rodolfo.

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