O que a tragédia do menino e do tigre me ensinou?


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A recente tragédia que começou com uma simples brincadeira envolvendo um garoto de 11 anos e um tigre de zoológico, e que terminou na amputação do braço direito do menino, abalou terrivelmente o povo brasileiro. Impossível não pensar que, por mais inconsequente que tenha sido tal atitude, perder uma parte do corpo da qual estamos acostumados a realizar a maioria de nossas atividades do dia a dia não deve ser nada fácil, ainda mais na idade em que ele se encontra. Sem contar que pelo fato do garoto ser destro, tudo terá que ser reaprendido…

Como acontece na maioria das tragédias e grandes crises, lições obrigatoriamente devem ser retiradas do caso. No âmbito educacional, o melhor texto que circulou na internet foi escrito pelo jornalista Geraldo Simões e chama-se O Tigre, O menino e o Trânsito (por sinal, recomendo que todos o leiam). E no âmbito organizacional? Quais lições devemos extrair desse triste acontecimento?

Em minha opinião, um dos piores erros cometidos pelo zoológico foi sua ineficiência em comunicar os eventos que envolveram a tragédia. Para ser mais específico, o que ficou muito claro para mim é que quando uma empresa não possui um profissional responsável por fornecer uma comunicação de forma rápida e oficial para a imprensa, os fatos podem sair do seu controle e a notícia pode se espalhar de uma forma catastrófica.

Um exemplo próprio pode demonstrar melhor o que eu quero dizer:

Inicialmente, me falaram que o tigre tinha estraçalhado o braço do garoto com uma patada, pouco tempo depois, já me disseram que o braço foi danificado por uma mordida.

Também me falaram que o pai não estava presente no local, porém, também fiquei sabendo que o pai estava logo ao lado. E o pior, ainda ouvi dizer que o pai ficou desafiando o filho a ficar passando a mão no animal.

Eu também li que no local não havia nenhum vigia de segurança, mas também vi a notícia de que eles estavam circulando naquele ambiente e viram tudo acontecer.

Em todos esses casos, as pessoas me juraram ter certeza do que estavam falando… E quem sou eu para questioná-las? E não é só em tragédias que essas notícias acabam ganhando uma forma que não deveriam ganhar. A famosa rádio peão, com suas incontáveis histórias de demissões e fofocas sobre a vida íntima das pessoas, também nos serve de exemplo.

Mais uma vez, é necessário entender que na ausência de uma voz oficial que parta de dentro da empresa, as pessoas de fora acabam criando notícias que elas julgam ser mais convenientes para elas. Ao ignorar essa norma, arrisca-se perder a credibilidade da organização, credibilidade essa que nunca mais poderá ser reconquistada.


Newslatter
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