Por que você deve evitar passar a imagem de sabe tudo


sabe tudo

Você era chefe em uma empresa e foi contratado para ser chefe em uma concorrente. Seus resultados na empresa anterior foram tão bons que chegaram aos ouvidos de alguém importante na nova empresa.

E então veio o convite para mudar, que você ponderou, mas acabou aceitando.

E agora está prestes a encerar uma nova turma de subordinados.

O primeiro dia de um chefe em uma nova empresa é sempre o mais complicado. Sobre esse assunto, o consultor de carreiras Max Gehringer conta que uma vez, em uma empresa onde ele trabalhou, eles contrataram um chefe no qual foi convidado a participar de uma reunião e se apresentar aos novos colegas.

Era o primeiro contato dele com a sua nova equipe.

Aí, ele levantou, abriu o notebook, tomou um gole de água e finalmente disse: “Hoje é o meu primeiro dia na empresa”.

E o diretor cortou: “E se você continuar a enrolar vai ser o último”.

Isso acontece porque empresas são organismos vivos.

Da mesma maneira que, em um transplante, um órgão sadio pode ser rejeitado pelo novo corpo, também o corpo de subordinados de uma empresa pode rejeitar um novo chefe.

Mesmo que ele tenha chegado precedido por notícias de que era excelente na empresa anterior. Por lá era lá, e aqui é aqui.

Por isso, seguem duas dicas simples de sobrevivência de um chefe recém-contratado no novo emprego.

Primeiro, não fique mencionando a sua última empresa como modelo. Se ela fosse tudo isso que você está dizendo, você ainda estaria nela.

Segundo, não se preocupe em ter uma resposta perfeita para qualquer situação, porque ninguém tem. Muitas vezes, responder “não sei” pode render a admiração dos subordinados pela sua humildade, enquanto responder sempre “eu sei” pode ser considerado um sinal de arrogância. Ou então, se você sabe tudo mesmo, pode causar uma onda de inveja, o que também não é bom.

Lembra do tempo de escola, quando o primeiro a levantar e entregar a prova era visto com irritação e desaprovação pelos demais colegas?

Nós ali, sentados nas nossas carteiras, só com metade da prova feita, na verdade ficávamos irritados com a nossa própria incompetência. Só que essa irritação era imediatamente transferida para o colega que entregou a prova. E, no intervalo, a gente aprontava alguma com ele, pra ele deixar de ser besta.

Por outro lado, na escola, nós gostávamos daqueles colegas que nos auxiliam em nossos trabalhos escolares, principalmente aquele que não precisavam ficar repetindo que eles eram mais inteligentes que nós, porque nós já sabíamos que eles eram mesmo.

Da escola para a empresa, pouca coisa muda.

Nós continuamos gostando do cara legal que colabora com todo mundo e continuamos detestando quem faz questão de ficar mostrando, a cada minuto, que é melhor que o resto, o senhor sabe tudo.

Isso, no caso de colegas de mesmo nível hierárquico. No caso de chefes novos, a reação é exponencialmente maior.

Muitas vezes, ele não precisará mais do que uma hora para mostrar que é o chefe que todo mundo ansiava ter ou o chefe que ninguém quer ter.


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