Pulseiras do Equilíbrio: Um case sobre o Marketing Boca a Boca


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O produto dispensa apresentações, prometendo aumentar o equilíbrio do corpo humano, e consequentemente sua performance, as pulseiras do equilíbrio, coloridas e com um certo holograma misterioso no meio, fizeram um tremendo sucesso no ano de 2010, e mais, sem praticamente utilizar de nenhuma campanha publicitária, se beneficiaram do Marketing boca a boca para disseminar o seu sucesso.

Para compreender o caso, antes é preciso entender o conceito do Marketing boca a boca. Emanuel Rosen em seu livro Marketing Boca a Boca define o termo como “a soma de todos os comentários referentes a um determinado produto, marca, serviço ou empresa, trocados boca a boca entre as pessoas em um determinado momento.”

Comentários e momentos, as duas palavras chaves que resumem as Pulseiras do Equilíbrio.

Vídeos na internet de anônimos aprovando a eficácia do produto e fotografias de celebridades usando a tal pulseira foram as táticas usadas pela empresa para gerar tais comentários, e deu certo, muito certo. O produto virou febre inicialmente entre os esportistas, bastou a classe futebolística ver seu ídolo usar o produto que, imediatamente, correram para também adquirirem o seu.

Para Rosen, foram utilizados do que ele chama de centros de atenção de rede, ou seja, pessoas que se comunicam com outras pessoas acerca de um determinado produto além da média normal.

De forma parecida, Salman, Matathia e O’Reilly em seu livro Buzz : A era do Marketing Viral entitulam essas pessoas de “Abelhas”, ou seja, entrava em cena os disseminadores de tendência, condutos pelos quais a informação chega as massas, já não é segredo para ninguém que as “celebridades podem influir na percepção de um produto”. Aparecia então a figura do Rubinho Barrichello, Neymar, Diego Hipólyto e até mesmo o super craque Cristiano Ronaldo, todos dando o seu aval para os milagres da pulseira.

Loucos por uma novidade, as pulseiras encontraram seus adeptos certos, um a um os esportistas compraram o seu adereço, e quando perguntados o que era aquilo em seus pulsos, logo iam explicando que viram na internet e dizendo que seus ídolos também estavam usando.

A verdade era uma incógnita, as pulseiras do equilíbrio funcionam?

Ninguém sabia, no fundo os consumidores sabiam que a tal pulseira já tinha um prazo de validade, que a moda era passageira, tal como foram as pulseiras de racismo da Nike, mas quem se importa? Em pleno ano de Copa do Mundo, atletas apoiando a causa, possivelmente amparados com algum contrato publicitário, se eles usavam e aprovavam, as pessoas “normais” também queriam ser assim, esse era o pensamento.

Resumindo, os elementos chaves que Salman descreve para um tendência espalhar estavam completos, foi usado a idéia certa, na hora certa, com o público certo. A chance de dar algo errado era pequena, e de fato não deu. Aproveitando o senso de competição que todo atleta têm, ainda mais os brasileiros no futebol, afinal, ninguém gosta de perder, as pulseiras emplacaram de vez.

Somente no final de 2010 os benefícios da tal pulseira foram desmascarados por estudiosos, várias reportagens surgiram em programas de televisão, como Fantástico e Globo Esporte. Após isso, repercutiram na internet de tal forma que era praticamente impossível continuar a sua comercialização, elas também sumiram do braço dos atletas, não havia porque utilizar um produto que utilizava um holograma falso, feito de um material igual ao de um cartão de crédito.

Porém agora já era tarde demais, o modismo* das pulseiras vendeu ao todo o total de 150.000 exemplares no ano de 2010 somente no Brasil, ao preço médio de R$ 80,00 , estima-se que o custo para produzir uma pulseira não passasse de R$ 2,00 a unidade.

O mais engraçado da historia é que, o mesmo Marketing Boca a Boca que alavancou o sucesso da marca, foi responsável por seu declínio.

*Modismo: Segundo Kotler, em seu livro Administração de Marketing, o modismo é a moda que aparece de súbito, chega logo ao pico e declínio rapidamente. Seu ciclo de aceitação é curto e tende a atrair um numero limitado de adeptos que buscam emoção ou querem de destacar de outros pessoas.


Newslatter

Comentários

  1. […] paga é mentirosa e que essa mentira tem a perna cada vez mais curta, como o famoso caso das pulseiras do equilíbrio, que na verdade não equilibravam coisa […]

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