Reféns de um pedaço de papel


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É claro que cada caso é um caso e você pode até não concordar com o que vou dizer, mas hoje, em uma grande quantidade de vezes (para não falar a maioria), tanto a sua credibilidade quanto a da sua empresa são dependentes de um pedaço de papel.

São diplomas, certificados e ISOS que definem se a sua palavra terá alguma valia para um público ou se o seu produto terá a preferência de compra no mercado.

Reféns de um pedaço de papel

Essa semana tive o privilégio de assistir uma aula de um professor Doutor Europeu. O senhor, muito simpático, chegou à faculdade com pinta de astro, e apesar da fala enrolada, discursou um pouco sobre a questão das marcas pelo mundo.

Ninguém gostou muito do que estava ouvindo, não pela linguagem, que apesar de ser diferente, dava para entender, mas a linha de raciocínio que ele seguiu foi bem confusa, fato esse comprovado que após a aula ninguém soube dizer exatamente qual era a conclusão do assunto abordado.

O que eu acho disso tudo é o seguinte, se fosse outro aluno falando a mesma coisa que ele, certamente não iria dar para contar a quantidade de pessoas que estariam mexendo em seus celulares.

Para os alunos, a nível de absorção de conhecimento, talvez fosse mais interessante se os coordenadores do curso pensassem em trazer algum empresário ou dono de agência local para contar algum caso que a sua empresa ou agência desenvolveu durante seus longos anos de atuação, mas acontece que infelizmente isso não gera reportagens.

Para a imagem da Faculdade a melhor notícia é sair estampada nos jornais como uma que ousou em trazer um professor europeu, isso impressiona a comunidade e assusta a concorrência.

Os alunos?

Bom, esses aprenderam uma verdadeira “lição de Marketing”!

Esse caso me fez lembrar uma história contada no livro A Lógica do Consumo sobre um excêntrico peixe japonês chamado Seki Saba .

Até o final dos anos 1980, os pescadores consideravam o Seki Saba uma refeição de gente pobre. Era um peixe abundante, barato e que apodrecia da noite para o dia. Até 1987, o Seki Saba custava apenas mil ienes cada – cerca de R$15,00 – e seu baixo retorno não rendia quase nada para os pescadores além do próprio peixe depois de um dia de trabalho.

Mas, em 1988, aconteceu algo que redefiniu as regras do mercado local e nacional de cavalas no Japão: ao longo daquele ano, o preço no varejo do Seki Saba disparou aproximadamente 600%. Como um peixe sem nada de excepcional se tornou uma iguaria no Japão praticamente da noite para o dia?

Tornando-se uma marca!

Em 1998, o governo japonês concedeu ao Seki Saba um certificado oficial atestando o sabor superior do peixe e a sua alta qualidade. E esse selo, por si só, foi o suficiente para transformar a percepção da população – em um país de aproximadamente 125 milhões de pessoas – a ponto de justificar um aumento de 600% no preço.

Termino o texto chegando a mesma conclusão que Martin Lindstrom, autor do livro citado chegou.

Quando atribuímos uma marca as coisas (inclusive as pessoas), nosso cérebro as considera mais especiais e valiosas do que realmente são.

E como já dizia Al Ries, seus olhos vêem o que você espera ver, seus ouvidos escutam o que você espera escutar.


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