[Resenha] As Armadilhas do Consumo


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Viver sem dívidas é o grande sonho de qualquer brasileiro. A maioria das pessoas reclama que não consegue se livrar delas, as dívidas as perseguem. Como resultado de suas próprias decisões, na maioria das vezes inconscientes, essas pessoas acabam se tornando vítimas do consumismo, um mal que cerca a nossa geração.

Vamos entender um pouco sobre os processos que levam essas pessoas a consumirem de uma forma desnecessária e que as fazem entrar no tão terrível mundo dos endividados.

A lógica do endividamento

Não se preocupe se você estiver endividado, será apenas mais um no meio da multidão.”

São tantos os endividados presentes que a sociedade passou a absorver esse problema como um padrão natural. É mais fácil você suportar o fato de ser mais um endividado no meio de tantos do que suportar o fato de ser o único da sua vizinhança a não ter um carro importado.

A maioria das pessoas passou a acreditar que o mais importante é ter e não ser. Eu preciso ter aquele celular novo, se eu vou utilizar todos os recursos que ele oferece não me importa! Todos têm, eu também preciso.

O fácil acesso ao crédito nos levou acreditar que querer é poder. Você já parou para pensar que grande parte das dívidas é causada pela necessidade de se parecer com alguém que você não é?

As principais influências da mente no consumismo

O processo de compra não é puramente racional, se só comprássemos quando tivéssemos a certeza de que estaríamos fazendo um bom negócio e que teríamos condições de pagar pela compra, o comércio quebraria.

Listo abaixo algumas variáveis que influenciam o nosso processo de compra:

A Angústia

No dicionário a definição para angústia é “grande aflição acompanhada de opressão e tristeza“. A pessoa angustiada se sente sufocada, oprimida, triste. Ela precisa de algo para aliviar esses sentimentos, ela precisa consumir alguma coisa em algum lugar novo!

É nesse momento que ela acaba indo até a loja e comprando algum objeto de desejo que há tempos queria, mas que estava faltando um empurrãozinho para que realmente comprasse, é claro que tudo isso parcelado em 24 vezes.

Problema resolvido? Não! Ela (ainda) não sabe que a compra vai lhe aliviar da angústia momentânea, mas quando ela perceber a dívida que acabou de fazer, a angústia voltará e o processo se repetirá.

O status

Status é o valor que uma pessoa tem aos olhos de outra. Quem não conhece alguma pessoa que necessita provar que é algo para os outros e usam os bens de consumo para isso?

A compra desses bens e serviços que supostamente elevam o status da pessoa é uma das principais causas do endividamento. É claro que para quem tem condições financeiras esse fato não representa nenhum problema, mas o engraçado é que quanto menos dinheiro a pessoa têm, mais ela precisa provar algo para os outros, e o resultado disso? Dívidas.

A inveja

A inveja nasce quando uma pessoa vê alguém, considerado seu semelhante, possuir algo que ela acredita ser de seu merecimento. Vale lembrar que ninguém está imune a esse sentimento.

Há dois tipos de inveja:

A inveja boa é aquela que faz a pessoa ir atrás e conquistar o objeto-alvo da sua inveja.

A inveja ruim é aquela destrutiva, em que a pessoa, em vez de construir algo para si, tenta destruir aquilo que é do outro ou tenta conseguir o que o outro conseguiu de uma forma “ineficaz”.

Perceba como a inveja está ligada com o status. O caminho mais fácil e mais curto será sempre o da inveja ruim, o desafio é conseguir as coisas por mérito próprio através da inveja boa.

A lei da compensação

“Mereço comprar este relógio, trabalho tanto e só pago contas, não é justo.”

É assim que as pessoas pensam estarem fazendo justiça, acabam comprando o que não podem, mas levando o que querem.

Pior ainda é quando esse pensamento se estende para o mundo familiar. Pais que não conseguem acompanhar a vida de seus filhos buscam algum tipo de compensação para conseguir agradá-los. Esses pais querem dar aos seus filhos tudo o que não tiveram, essa é a forma que eles enxergam de poder recompensar a sua ausência em casa.

O ERRO ESTÁ AQUI -> TRABALHO MUITO = POSSO GASTAR MUITO

E por falar em filhos, esses, deslumbrados pelo crédito fácil, estão formando um verdadeiro exercito de endividados. Criados a partir de uma cultura onde primeiro você leva e depois você paga, não enxergam limites para suas compras quando a realidade deveria ser o trabalho primeiro e a recompensa depois.

Como sair dessa situação de endividado?

Até agora foi explicado diversas formas com as quais as pessoas acabam consumindo o que não precisam e acabam contraindo uma divida, mas e se eu já estou endividado, o que devo fazer?

A melhor maneira de sair da situação é assumir que você se encontra nessa situação!

Pode ser comparada a situação do alcoólatra, a pessoa não deixa de beber porque alguém quer ou porque alguém pede, isso não adianta, se ela não assumir que está com problemas e que precisa de ajuda, ela não sairá do buraco. Assim como o primeiro passo para parar de beber é evitar o primeiro gole, para evitar as dividas o primeiro passo é evitar o primeiro gasto.

É importante frisar isso pelo fato de que as pessoas endividadas normalmente não querem fazer as contas para não se assustarem com a realidade, assim como a pessoa que tem suspeita de uma doença grave não quer ir ao médico com medo que a doença venha a se confirmar.

Ao contrário do que todos pensam, para eliminar as dívidas não basta somente ter acesso ao dinheiro, é preciso saber o que fazer com ele!

Para fugir dessa situação a melhor formar é encarar a realidade. Papel, caneta e calculadora e mãos a obra!


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