[Resenha] Bola de Neve – A vida de Warren Buffet


Warren-buffetTerminei de ler o maior livro que já li até hoje. A Bola de Neve – Warren Buffett e o Negócio da Vida de Alice Schroeder contém nada mais do que 900 páginas escritas sob uma fonte de tamanho nada agradável. Mesmo eu não gostando muito do ramo financeiro, gosto muito de ler biografias, e essa por se tratar da vida de um dos homens mais ricos do mundo, não poderia ficar de fora. Não me arrependi nem por um minuto.

A primeira e mais valiosa lição que aprendi com o livro é que, quando se trata de um livro grande como esse, em que demorei 2 meses e meio para ler, não se deve deixar para fazer o resumo e as anotações só depois que terminá-lo, é quase impossível lembrar das primeiras páginas quando você chegar na ultima. Meu conselho é, pare capítulo por capítulo e grife ou escreva o que você acabou de ler.

O começo

Warren Buffett começou sua vida na pequena cidade de Omaha, nos Estados Unidos. Longe dos grandes centros urbanos (ele sempre preferiu assim), ele teve uma infância um pouco conturbada, de um lado tinha um bom relacionamento com seu pai (que logo se tornaria senador do país) e do outro um péssimo relacionamento com sua mãe, ela lhe dava diversos sermões sem motivos, o que acabou o traumatizando para o resto da vida. Warren desde pequeno já tinha algumas manias estranhas, gostava de colecionar coisas como moedas, e tinha facilidade de memorizar números.

Decepcionado por não ser aceito em Harvard (para azar da Universidade, e não dele), acabou optando pela Universidade de Columbia, essa escolheu se deu pelo fator de que o seu maior ídolo do mundo dos investimentos, Ben Graham, lecionava lá.

Warren Buffet acabou se matriculando de ultima hora e ainda assim acabou sendo aceito. Não demorou muito para Buffet se aproximar de Ben Graham, o aluno excepcional chamava a atenção de todos por sua inteligência, conseguir um emprego no renomado escritório de Ben foi só uma questão de tempo, Warren Buffet de fato confirma que as maiores lições que aprendeu foi trabalhando com Ben Graham. Não demorou também para Warren começar a dar aulas de investimentos, o fato curioso é que, bastava ele mencionar o nome de alguma ação em suas aulas, que a sala toda corria para comprá-la.

Loteria do Ovário

Warren Buffet é uma pessoa tão humilde que reconhece que teve toda a sorte e privilégios por nascer no país certo e no ano certo. Teve a vantagem de viver numa casa em que as pessoas o apóivam e falavam coisas interessantes, de ter pais inteligentes e freqüentar boas escolas. Reconhecia que se tivesse sido de forma diferente, talvez não possuísse a fortuna que tem agora. Isso era o que ele chamava de Loteria do Ovário. Um raro exemplo de humildade em um meio que é formado pelos mais variados economistas egocêntricos.

Berkshire Hathaway, a empresa mais respeitada do mundo

Foram tantas as aquisições que Warren Buffet fez com a Berkshire Hathaway ao longo dos anos que fica impossível eu lembrar ou descrever uma por uma, eu sinceramente me perdi ao longo do livro. Uma rápida pesquisa mostra que em 2007, o valor da empresa gerava em torno 200 bilhões de dólares.

No auge da fama, uma reunião da Berkshire chegou a reunir 20 mil pessoas. Credenciais para participar do evento eram vendidas de forma inédita na internet no site do Ebay, afinal, o evento não era uma simples reunião de acionistas, Buffet percebeu a grandeza do evento e enxergou uma grande oportunidade de ganhar dinheiro. Alugou um lugar grande o suficiente para conseguir juntar diversas “tendas” de suas outras empresas para comercializar seus produtos, como os doces da Sears, a renda arrecadada com as vendas desses produtos chegava a valores grandiosos.

O ponto máximo da empresa foi quando o valor de uma ação chegou a valer $ 150.000,00 dólares. UMA ÚNICA ação da Berkshare valia em seu auge, o equivalente hoje a R$ 245.500,00 reais! A título de comparação, hoje uma ação do Pão de Açucar está sendo negociada a R$ 67,12 reais na Bovespa. Com uma ÚNICA ação da Berkshire você poderia comprar a maioria dos carros de luxos, senão todos, disponíveis no mercado.

O oráculo de Omaha

Tão impressionante era sua fama nos investimentos que Warren Buffet conseguiu uma autorização especial da SEC (Órgão Regulador dos Investimentos dos EUA) para que suas transações com ações fossem todas mantidas em sigilo, ninguém poderia ficar sabendo. A explicação era que, quando alguém sabia ou ouvia algum boato de que ele estava comprando algum lote de ações, todos faziam o mesmo para copiá-lo, o que resultava em uma alta expressiva no preço das ações e o acabava prejudicando.

Warren-buffetA simples notícia de que Buffet comprara uma ação poderia, por si só, modificar seu preço, e fazer com que uma companhia fosse reavaliada em centenas de milhões de dólares.

De modo similar é o que acontece com o nosso Eike Batista aqui no Brasil. Fato curioso é que houve uma empresa no qual Buffet resolveu “emprestar” o seu nome e comprar algumas ações da mesma para que alavancasse o seu valor no mercado, de modo que ele pudesse ganhar algum dinheiro na revenda das ações futuramente.

O tiro quase saiu pela culatra quando a empresa se envolveu em um escândalo de fraude e Buffet quase teve toda a sua reputação arruinada (mesmo sem ter culpa nenhuma pelo fato).

Warren prezava acima de tudo pelo mérito, não achava justo conceder fortunas aos seus filhos pelo simples fato de ser um bilionário, aliás, há historias de que seus filhos passaram certos apertos com as hipotecas de suas casas, algumas vezes não tinham o dinheiro para pagá-las.

Conhecido por seu pão durismo, o livro conta uma divertida história de quando Kay Graham, sua melhor amiga, lhe pediu 10 centavos emprestados para dar um telefonema, ele então pegou a única moeda que tinha, de 25 centavos, e saiu correndo atrás de troco. Ele resume todas essas histórias contando que foi o esforço de guardar cada centavo a grande causa para que ele se tornasse rico logo aos 25 anos.

Críticas ao  estilo de Warren Buffet

Warren nunca investiu um centavo sequer em nenhuma empresa de tecnologia e foi questionado por isso a sua vida toda, ele afirmava que não entendia do ramo de computadores, e que o conhecimento do negócio no mundo dos investimentos é um fator fundamental. Dizia que empresas de tecnologia surgem e desaparecem de uma hora pra outra, e esse não é o tipo de investimento que lhe agrada.

Ele respondia as críticas explicando uma teoria que chamava de Placar Interno e Placar Externo. Para ele, o importante era saber que ELE estava fazendo a coisa certa, ele foi educado para ter um placar interno, o que os outros pensavam pouco tinha importância, quem se importa com o pensamento dos outros é porque se preocupa muito com seu placar externo. Uma analogia é feita da seguinte forma, você prefere ser considerado o melhor investidor do mundo quando na verdade sabe que não passa de um enganador, ou ser considerado o pior quando na verdade está escondendo uma fortuna?

O reconhecimento de uma lenda

Passou horas enterrado em bibliotecas e arquivos, examinando registro que ninguém se dava o trabalho de olhar. Passou noites e noites estudando centenas de milhares de números que queimaria os olhos de qualquer pessoa normal. Encheu o banco traseiro do carro com Moody’s Manuals (o manual dos investidores americanos) e livros contábeis durante sua lua de mel. Leu todas as biografias que encontrava afim de encontrar alguma lição que pudesse usar para si.

Hoje Warren Buffet não é mais o mesmo, sua idade deixou suas vistas cansadas, precisa ser mais seletivo com o que lê pois não consegue ler mais tudo o que gostaria, se rendeu e concordou em usar um aparelho de surdez. Mas a sua capacidade para os negócios, essa sim, não se cansa nunca.

Noticias sobre o seu futuro sucessor como CEO da Berkshire não param de surgir, o livro não da nenhuma dica de quem poderia ser, a não ser que não será nenhum membro da sua família.

Um grande homem, um grande livro, uma grande história…


Newslatter
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