[Resenha] Como fazer a escolha certa na hora certa: aprenda a gerenciar melhor seu tempo e tomar as melhores decisões


comofazeraescolhacertaEstava demorando… Aliás, eu até achei que iria passar o ano de 2013 sem ter nenhum livro para NÃO recomendar para vocês, PORÉM, a minha sorte não é tão grande assim, e esse livro apareceu sobre o nome de Como fazer a escolha certa na hora certa: aprenda a gerenciar melhor seu tempo e tomar as melhores decisões, de Frank Partnoy.

E por que estou dizendo isso? Bem, no geral, o livro tem uma linguagem muito acadêmica, o que acaba tornando sua leitura um pouco cansativa (sinto em dizer que a maioria dos livros que abordam sobre o processo de tomadas de decisões são assim).

Outro problema é que, por mais que o autor tente facilitar, caso você ainda não tenha lido as obras que ele constantemente cita, como Blink, de Malcon Gladwell, Rápido e Devagar, de Daniel Kahneman e Fontes de Poder, de Gary Klein, sua compreensão ficará um pouco prejudicada.

Como se não bastasse, só para finalizar, eu ainda achei que os capítulos ficaram um pouco desconexos entre si, dando a impressão de que foram jogados ao acaso, resumindo, eles não formam uma história. Mas isso é apenas a minha singela opinião.

Vamos ao livro.

A ideia de Frank Partnoy neste livro é abordar sobre as vantagens que existem em esperar o máximo possível para se tomar uma decisão, não à toa o livro foi lançado originalmente sob o título de Wait (Espere).

O cão que ilustra a capa, e que por sinal é da mesma raça que o meu, é o modelo perfeito para demonstrar a todos a nossa capacidade em aprimorar nossa tomada de decisões. Em um piscar de olhos, Maggie (o cão) poderia ter devorado o biscoito que se equilibra sobre seu focinho. No entanto, ela se contém, mostrando que é capaz de controlar instintos e emoções, adiando o prazer do biscoito cujo aroma, com certeza, sente muito bem.

Dentre os inúmeros estudos citados no livro, o que mais exemplifica a ideia do autor, e que por sinal é o caso mais citado nos livros sobre o assunto, é o famoso experimento realizado na Universidade de Stanford, no qual os pesquisadores apresentaram a crianças de 4 anos trancadas em uma sala um marshmallow e lhe ofereceram duas opções: come-lo imediatamente, ou esperar 15 minutos e ganhar dois marshamallows, em vez de um.

Anos mais tarde, eles testaram essas mesmas crianças e descobriram que aquelas que foram capazes de adiar a gratificação se saíram melhor em testes padronizados no ensino médio, tinham menor propensão a comportamentos impulsivos e maior probabilidade de se tornarem adultos emocionalmente bem-ajustados e bem sucedidos profissionalmente.

Partnoy também invade o ramo dos esportes para demonstrar a vantagem que existe em esperar até o ultimo milissegundo para se tomar uma decisão, citando desde Michael Jordan, que literalmente parava no ar em seus arremessos, até tenistas e rebatedores de beisebol profissionais, que obtêm vantagens imperceptíveis a olho nu quando esperam até o ultimo instante para rebaterem a bola.

Dois capítulos me chamaram a atenção. O primeiro aborda sobre as vantagens de se adiar um pedido de desculpas por horas ou até dias, principalmente em ocasiões de infidelidade de casais, ou simplesmente, nas traições. Para o autor, o melhor momento para pedir desculpas ao parceiro por um erro não é no calor da discussão, e sim algumas horas (ou dias) depois.

Para quem recebe o pedido de desculpas, o tempo extra ajuda a digerir a ofensa, acalmar-se e adotar uma atitude mais receptiva. Para quem pede desculpas, esperar um pouco faz o pedido parecer mais sincero, e não simplesmente um recurso para acabar com a discussão..

Já o segundo fala sobre o uso de pausas estratégicas de alguns segundos utilizadas pelos melhores oradores no momento em que esses proferem os seus discursos. Essas pausas, segundo o autor, ajudam os interlocutores a captarem melhor certas falas complexas, servindo como uma poderosa técnica para realçar certos trechos.

No discurso em si, pausas de alguns segundos podem fazer a diferença entre uma fala comovente e um amontoado desinteressante de palavras. “Oradores que fazem pausas curtas são mais convincentes do que aqueles que falam de maneira perfeitamente fluente”, diz Partnoy.

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O discurso do presidente Barack Obama é detalhadamente analisado afim de demonstrar a técnica das pausas

A mudança de pensamento

No passado, a demora para decidir costumava ser valorizada como um sinal de sabedoria. Durante séculos, inúmeros pensadores aconselharam a não tirar conclusões precipitadas sobre o desconhecido.

No entanto, essa ideia começou a ruir quando Frederick Taylor, o ex-operador de torno mecânico, engenheiro e consultor de administração, publicou o livro Os princípios da Administração Cientifica, no qual defendia a utilização do tempo como ferramenta para aumentar a eficiência no local de trabalho.

Com seus cronômetros e réguas, Taylor afirmava que uma vez que tivesse sido encontrada a melhor maneira de realizar um trabalho, a gerência deveria exigir que todos os seus funcionários seguissem aquela abordagem exata, todos os dias, o tempo todo.

Tempo é dinheiro, e quem o perde pensando demais passou a ser considerado uma pessoa ineficaz. Hoje, o que vemos é que poucos líderes têm a coragem de dizer que não estão prontos para tomar uma decisão e precisam de mais tempo.

Nas organizações, essa mudança pode ser percebida em todos os níveis. Mesmo nos cargos mais altos, em que as decisões teoricamente deveriam ser mais ponderadas, a pressa virou regra. Pessoas mais bem remuneradas sabem que seu tempo é mais valioso – e, por isso, tendem a ver a espera como um desperdício de recursos.

Hoje tiramos conclusões firmes mais rapidamente e com mais frequência, pois gostamos de acreditar que há sabedoria em nossas decisões rápidas e, de fato, às vezes há. Mas as verdadeiras sabedoria e capacidade de julgamento vêm da compreensão de nossas limitações quando se trata de refletir o futuro.

Refletir sobre o papel do adiamento em nossas tomadas de decisões constitui uma parte fundamental da condição humanada

Conclusão

Devido ao acelerado ritmo da vida moderna, a maior parte das pessoas tende a reagir rápido demais. Na maior parte das situações, devemos levar mais tempo que costumamos. Quando mais pudermos esperar, melhor. Em geral, devemos adiar até o ultimo instante até o momento de agir.


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