[RESENHA] Criatividade S.A – A história da Pixar


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Dê uma boa ideia para uma equipe medíocre e eles irão estragar tudo. Mas dê uma ideia medíocre para uma equipe brilhante e eles irão consertá-la ou jogá-la fora e propor algo melhor.

Gostou da frase? Essa é apenas uma, dentre as várias outras, que compõem o excelente Criatividade S.A, obra escrita por Ed Catmull, fundador e atual CEO da Pixar e da Disney.

Antes de você começar a ler essa resenha, é importante frisar que os insights descritos no livro foram gerados baseando-se em uma empresa que preza por uma cultura onde a criatividade é prioridade absoluta. Dessa forma, tenha muito cuidado ao fazer qualquer tipo de comparação com outras empresas mais racionais e burocráticas.

Sem mais delongas, vamos ao resumo.

Um pouco mais sobre Ed Catmull

Assim como já é fato consumado em outras biografias envolvendo grandes empreendedores, como Mark Zuckerberg (Facebook), Jeff Bezos (Amazon), Bill Gates (Microsoft), Ed Catmull também pode ser considerado um jovem prodígio.

Desde o período da faculdade, Catmull já se envolvia com a lógica de programação avançada em seus projetos inovadores, e foi justamente nesse período acadêmico que surgiu o seu propósito de vida: produzir o primeiro longa-metragem animado por computador. Ed trabalhou incansavelmente por vinte anos para realiza-lo.

E foi após receber o seu Ph.D, em 1974, que ele confessou que o trabalho que havia liderado até então, tinha ocorrido em grande parte por causa do ambiente protetor, eclético e intensamente desafiador em que ele estava. Aqui nota-se a importância de como determinados tipos de ambientes são importantes para o florescimento de um talento.

Conseguir a equipe certa é a condição necessária para conseguir as boas ideias

É fácil dizer que você quer pessoas talentosas, mas a maneira pela qual elas interagem umas com as outras é o segredo. Até mesmo as pessoas mais talentosas podem formar uma equipe ineficaz se seus integrantes forem incompatíveis.

Isso significa que é melhor se concentrar em como uma equipe está se desempenhando, e não nos talentos dos seus membros. Por isso sempre tenha em mente que conseguir as pessoas e a química certas é mais importante do que conseguir a ideia certa.

Quando algum filme é projetado na empresa, todos os funcionários da Pixar são solicitados a enviar comentários. Catmull acredita que as ideias – e os filmes – só se tornam ótimas quando são questionadas e testadas.

Não é preciso permitir permissão para assumir responsabilidade

A responsabilidade para encontrar e corrigir problemas deveria estar com qualquer funcionário da Pixar, do mais alto gerente ao operário mais simples na linha de produção: essa foi a essência do trabalho do americano W. Deming, um dos responsáveis pela reconstrução do Japão pós 2 Guerra, e grande inspiração para a cultura da Pixar.

Naquela época, a abordagem de Deming, que também seria a abordagem das principais empresas do Japão, como a Sony e a Toyota, dizia que em vez de meramente repetir uma ação, os trabalhadores podiam sugerir mudanças, comunicar problemas e o principal, sentir o orgulho por terem ajudado a corrigir o que estava errado.

O Discurso Toyota, como ficou conhecido, pregava o compromisso daquela empresa automotiva para delegar poderes aos seus funcionários e permitir que a linha de montagem tomasse decisões quando encontrasse problemas. Ninguém precisava esperar permissão para oferecer soluções

Isso resultava em aperfeiçoamento contínuo, eliminando falhas e melhorando a qualidade do produto final.

Tenha sempre uma mentalidade de criador

Quando uma nova empresa é formada, seus fundadores precisam ter uma mentalidade de criadores de empresas – uma mente de principiante, aberta a tudo, porque o que eles têm a perder?

Mas quando a empresa começa a ter sucesso, muitas vezes seus líderes deixam de lado a mentalidade de criadores, porque pensam que descobriram o que fazer. Eles não querem mais ser principiantes.

Recusando a mente de principiante, você torna-se mais propenso a se repetir do que criar algo de novo. Em outras palavras, a tentativa de evitar o fracasso o torna mais provável.

Por uma liderança mais humana

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Na Pixar, premiar os funcionários com bônus, desde que as receitas de um filme atingissem uma determinada referência, é uma prática da qual Catmull não abre mão. Tal distribuição é feita um por um, pois ele acredita ser essencial apertar a mão de cada pessoa e lhe dizer o quanto sua contribuição foi importante.

“Teria sido mais fácil depositar simplesmente os bônus diretamente nas contas-correntes dos funcionários? Sim. Mas como sempre digo a responsabilidade de se fazer um filme, o fácil não é bom. A qualidade é a meta”, conta o autor.

Sobre a aquisição da Pixar pela Disney

Após ser adquirida pela Disney, Catmull, que continuou como CEO da empresa, dizia que nas reuniões da Disney, todos tinham tanto medo de ferir os sentimentos de alguém e que por isso nada diziam.

Isso acontecia porque os antigos líderes da Disney davam mais valor à prevenção de erros do que a de qualquer outra coisa. Seus funcionários sabiam que haveria repercussões caso erros fossem cometidos; assim, a principal meta era nunca cometer nenhum.

Segundo a sua filosofia de trabalho, era preciso que os funcionários da nova empresa aprendessem que não estávamos atacando pessoas, mas o projeto. Só então poderiam criar um meio para eliminar tudo que não estava funcionando e deixar a estrutura mais forte.

A importância de Steve Jobs para a Pixar

Segundo Catmull, muitas vezes Steve era impaciente e conciso. Quando participava de reuniões com clientes em potencial, ele não hesitava em chamar a atenção deles se percebesse mediocridade ou falta de preparo.

Ele era jovem e determinado e ainda não se dava conta do seu impacto sobre os outros. Seu método para dizer alguma coisa muitas vezes era definitivo e ofensivo. Ele poderia dizer algo do tipo “Estas plantas são um lixo!” ou “Este acordo não presta!”, apenas para observar as reações das pessoas. Se você tivesse coragem de retrucar, geralmente ele respeitava sua atitude. Incitando-o e registrando sua resposta era sua maneira de deduzir o que você pensava e se tinha coragem para defender suas ideias.

Catmull conta que observá-lo o fazia lembrar os golfinhos, que usam a ecolocalização para determinar a posição de um peixe. Steve usava a interação agressiva como uma espécie de sonar biológico. Era assim que ele via o mundo.

Jobs também foi o grande responsável pela supervisão do projeto de construção da sede da Pixar. Em Criatividade S.A, o autor conta que os padrões de entrada e saída da Pixar foram construídos de forma a encorajar as pessoas a se misturar, reunir e comunicar.

Dessa maneira, o prédio possuí uma entrada única para o edifício, para que todos se vissem ao entrar. Tudo isso resultou em um tráfego cruzado – as pessoas se encontram sem querer o dia inteiro, significando um melhor fluxo de comunicação e aumentando a possibilidade de encontros casuais.

Curiosidade: Entre 1987 e 1991, Steve tentou vender a Pixar. Porém, quando a Microsoft ofereceu 90 milhões de dólares pela empresa, ele recusou. Steve queria 120 milhões de dólares e achou a oferta não só insultuosa, mas também uma prova de que eles não a merecia.

Insights

Você não é sua ideia: e, caso se identifique demais com suas ideias, irá se ofender quando elas forem questionadas. Para montar um sistema de feedback saudável, você deve capaz de focalizar o problema, e não a pessoa.

O início é crucial: tenha cuidado ao expor sua ideia a pessoas negativistas, que não conseguem compreender seu potencial ou que carecem de paciência para deixa-la evoluir, pois você poderá ficar completamente desmotivado para colocá-la em prática.

O ROI dos funcionários: Se as ineficiências forçam qualquer pessoa a esperar por tempo demais, se a maioria dos seus funcionários não está empenhada no trabalho que gera sua receita, você corre o risco de ser devorado de dentro para fora. A margem de lucro de qualquer empresa depende, em grande parte, da eficácia com a qual ela usa seu pessoal.

Conclusão – Criatividade S.A

Em seu excelente livro, Catmull quis mostrar que existem muitos obstáculos à criatividade, mas também há medidas ativas que podem ser tomadas para proteger o processo criativo. Ele descreve que a sua função como líder máximo da empresa é criar um ambiente fértil, mantê-lo sadio e buscar as coisas que o prejudicam.

Eu acho que não restam dúvidas de que ele conseguiu


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