[Resenha] Empreendedorismo Criativo


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Difícil, mas não impossível. Encontrar uma obra que aborde de forma satisfatória a história de algumas empresas brasileiras que se destacam no cenário da inovação não é tarefa fácil, o culto ao estrangeirismo permanece enraizado em nossa cultura.

Tanto que, depois de repetidas vezes ser obrigado a escutar em eventos elogios a empresas como Apple e Google, esse ano eu resolvi montar uma palestra exclusiva sobre inovação nacional (assim que me convidarem para algum evento, eu mostro o resultado para vocês).

Trabalhar com projetos que tragam engajamento e benefício para a sociedade, sempre com o pensamento de lucrar no longo prazo. Essa é a proposta das empresas que estão presentes no livro Empreendedorismo Criativo, da jornalista Mariana de Castro. De forma simplificada e roteirizada, a autora descreve a trajetória dos empreendedores que compõem as empresas Inesplorato, Perestroika, Mesa & Cadeira, Catarse, Webcitizen, Mandalah, Cria, Box 1824 e Flag.

Com exceção da Catarse e da Mandalah, que já são reconhecidas e utilizadas como exemplos nacionalmente, as demais ainda estão buscando o seu espaço no mercado, apesar de que muitas delas já alcançaram o faturamento de milhões de reais anuais.

Sobre as entrelinhas, fica subentendido que o propósito de praticamente todas elas é definido de acordo com o que o prof. Philip Kotler descreveu em livro Marketing 3.0 há cerca de 5 anos atrás. O lucro imediato é deixado em segundo plano, o pensamento de longo prazo predomina. As empresas inicialmente devem tentar tocar a alma e a mente de seus consumidores, agindo assim, o tão sonhado lucro passa a ser questão de tempo. Não à toa a missão de fazer do mundo um lugar melhor para se viver é constantemente citada por tais empreendedores.

Dentre as 9 empresas citadas, excluindo a Catarse, a que mais me chamou atenção foi a Perestroika, que visa oferecer cursos que fogem totalmente do padrão encontrado nas escolas de hoje. Curso para degustadores de cerveja, de poker, de sedução, oras, se existem pessoas querendo aprender esse tipo de conteúdo e tem gente disposta a ensinar, porque não ligar as duas coisas?

Uma empresa que aposta na EXPERIÊNCIA, e não no produto merece a minha admiração. Isso dificilmente algum chinês conseguirá copiar. Segundo os donos, a empresa busca sempre oferecer cursos que surpreendam, gerem repercussão, que são polêmicos e que virem noticia. Para isso criaram uma metodologia própria de ensino, onde os professores vão fantasiados para as aulas e os alunos são forçados a fazerem atividades que os tirem de suas zonas de conforto. Esplêndido!

Já o critério de distribuição de lucros da Catarse é sensacional e merece nota. Os sócios dividem as receitas de acordo com a necessidade que cada um apresenta no momento. Por exemplo, atualmente um sócio está com dois filhos pequenos e morando de aluguel, então, de acordo com o estipulado, ele tem direito de receber mais do que os outros que contam com a ajuda dos pais para pagar o aluguel.

O combinado não sai caro. ADEUS egoísmo, para crescer é necessário compartilhar, tanto lucros quanto sentimentos de compaixão. Será que isso daria certo na sua empresa? Ou será que a porrada ia comer solta?

Já a Mandalah me chamou a atenção pelo fato de um curioso funcionário. Os clientes e parceiros que chegam na empresa são recepcionados por um simpático anfitrião. Trata-se da Shivah, um Golden Retriever, que não faz a menor cerimônia em pedir carinhos aos visitantes e que é indicado no site da empresa como CCO (Chief Canine Officer). Dá para imaginar?

Conclusão

Aquelas empresas que nascem ou são gerenciadas simplesmente com a intenção de gerar lucros para os sócios e acionistas não serão mais relevantes no futuro. Essa postura pode fazer com que grandes empresas morram mais rápido, por não conseguirem ter relevância em um contexto que está mudando radicalmente.

Trabalhar com projetos que tragam engajamento e benefício para a sociedade, esse é o futuro. Fica muito mais fácil fazer marketing para uma empresa que tem um propósito nobre do que fazer para mais uma que jura oferecer “produtos de qualidade a preços mais baixos”.

Com sinceridade, se você ainda acredita e utiliza esse discurso como o seu principal argumento de vendas, sinto-lhe informar, mas essa informação está entrando por um ouvido e saindo pelo outro. As pessoas não aguentam mais ouvir esse papo. Se liga!

O grande desafio delas por hora é provocar e influenciar as pessoas para que entendam que as mudanças são necessárias para um futuro viável.

Será que vão conseguir?


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