[Resenha] Geração de Valor: compartilhando inspiração


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Aqui estou eu em plena madrugada para resenhar esse livro que é um fenômeno de vendas chamado Geração de Valor. Escrito pelo empresário brasileiro Flávio Augusto, o homem que tem o “poder” de transformar em ouro tudo o que participa, e que recentemente foi considerado um dos líderes mais prestigiados do Brasil, a obra reúne uma coleção de textos e de belíssimas imagens, que sem dúvida cumprem com o principal objetivo do livro, o de provocar um senso de urgência empreendedor em seus leitores.

Antes de começar, eu preciso alertar de que essa será uma resenha crítica, ou seja, apresentará tanto os pontos positivos quanto os negativos da obra, isso tudo sob a minha visão, da qual você não precisa concordar, é claro.

Portanto, se você chegou até aqui se perguntando quem sou eu para ter essa audácia de criticar um livro que permaneceu por semanas na lista dos mais vendidos do Brasil, bem, basta você entrar no link da minha biblioteca e dar uma olhada nas minhas referências bibliográficas, composta por quase 300 livros de negócios. Dessa forma, acredito que minha opinião é razoavelmente fundamentada e imparcial.

Começando com os positivos, eu não poderia deixar de ressaltar o que eu considerei o ponto máximo do livro. Com exceção do livro Business Model Generation, eu ainda não havia visto nenhum outro livro com um design tão bonito quanto esse. A diagramação é extremamente bem feita e muitas das figuras sequer precisam de legendas para conseguir passar suas mensagens. A variação de fontes também é algo lindo de se ver!

Levantei essa questão porque como estou em processo de finalização do meu livro, fiquei imaginando o custo unitário de cada impressão deste, visto a ampla variedade de cores que foi utilizada. O autor não economizou nos detalhes, tudo é realmente de primeira qualidade.

Pensando bem, não é tão difícil assim supor a razão que fez desse livro um sucesso absoluto. Somando as imagens já citadas, os textos são bem curtos e a linguagem é direta e coloquial, o que agrada o público alvo que o autor se propôs a atingir.

Outro detalhe que também agrada o público jovem é o excesso de listas de dicas, como se nossas carreiras pudessem ser resumidas em alguns checklists, e de imagens que buscam o engajamento do leitor, no estilo “escreva a legenda para essa foto e poste no Facebook para mostrar aos seus amigos”, uma nítida jogada de marketing.

Justamente por esse motivo é que preciso citar a questão da categorização do livro. Apesar da folha catalográfica citar que ele se enquadra na categoria de Negócios e Empreendedorismo, e o próprio autor também alegar o mesmo, na minha opinião ele também deveria se enquadrar na categoria de Auto Ajuda.

Digo isso por uma questão muito simples, uma característica muito presente em textos desse estilo é tentar culpar de todas as formas possíveis a pessoa que está lendo pelo seu insucesso profissional caso ela não se mova, propondo como solução dos seus problemas a adoção de alguns poucos passos (a tal das checklists). Quem leu a obra pôde perceber que isso acontece em praticamente todos os capítulos.

Outro quesito no qual eu não concordei refere-se a abordagem do autor com relação ao conceito de sucesso de uma empresa. Para ele, um empresário obtém sucesso quando sua empresa é reconhecida pelo mercado a ponto de ser comprada por um grupo de investidores. Eu não concordo.

Existem muitos empreendedores que utilizam de outras variáveis para julgar o sucesso de suas empresas, como por exemplo o fato de poderem gerar empregos, de conseguirem girar a economia de uma cidade, ou mesmo de deixarem um legado para a sua família.

Após terminar a leitura, eu cheguei à conclusão de uma hipótese que eu sabia que tinha grande chance de se confirmar: a de que eu não sou o público alvo do livro. Foi por isso que ele não me agradou.

E se eu não sou, então para quem ele é indicado?

Na minha opinião para a garotada que está começando a estudar sobre o tema. Um público que ainda não está acostumado com uma leitura de negócios mais aprofundada, mas que é dotado de muito sangue nos olhos e muita vontade de fazer acontecer.

Para aqueles que talvez precisem de um pequeno empurrão para tirar suas ideias do papel e dar a cara a tapa no mercado. Esse fato pode ser comprovado dando uma rápida olhada nas pessoas que seguem o autor pelo Instagram ou Facebook, jovens com idade entre 15 a 20 anos.

Mas calma que não são só críticas. Algumas partes do livro me renderam preciosos insights, que além de me servirem de base para escrever futuros textos, também serão utilizadas em alguns slides em minhas palestras.

Concluindo, da forma com que foi retratado, dá a impressão de que para ser considerado uma pessoa de sucesso você necessariamente precisa ser um empreendedor como o autor, ou seja, precisa começar de baixo, estudando um produto para vender, estudando uma forma de ganhar escala, bem como uma forma de distribui-lo. Depois de toda essa engrenagem estar funcionando, bastaria então você vender a empresa, receber a bolada, e começar tudo novamente.

Conheço muito profissionais que não se enquadram nesse quesito e que não por isso não se consideram pessoas bem sucedidas profissionalmente. Podem não ser milionárias, mas eu acredito que nem tudo se resume a isso…

Ou seja, não é porque esta abordagem funcionou para o autor que necessariamente deverá funcionar para você. Esse é um ponto extremamente relevante que todos os leitores da obra devem levar em consideração.

Para finalizar, gostaria de parabenizar o Flávio Augusto por esse importante trabalho que ele vem fazendo com essa nova geração. Ter uma pessoa tão influente escrevendo que o empreendedorismo pode ser a sua melhor chance de alcançar o tão sonhado sucesso profissional é sem dúvida algo primoroso. Talvez assim esses jovens se afastem de uma vez por todas desse ciclo vicioso chamado concurso público. Uma missão difícil não é mesmo?


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