[Resenha] O Legado de Peter Drucker- Lições Eternas do Pai da Administração Moderna para a Vida e para os Negócios


peter-druckerPois é, infelizmente nem sempre conseguimos acertar e esse livro apresentou-se como minha primeira decepção do ano.

Digo isso porque em  O Legado de Peter Drucker- Lições Eternas do Pai da Administração Moderna para a Vida e para os Negócios de Bruce Rosenstein sequer chegou aos pés de falar algo de relevante sobre as principais idéias de quem foi considerado o pai da Administração moderna, do cara que salvou a General Eletric do buraco, do guru dos gurus.

Peter Drucker foi um homem considerado muito à frente de seu tempo, e grande parte de suas obras, escritas a mais de 30 anos atrás, são consideradas influentes até hoje!

O legado de Peter Drucker

O autor, apesar de grande experiência na área, fruto de seus anos de convívio com o mestre da Administração, deixou muito a desejar. De qualquer modo, irei deixar os pontos fracos para o final para não correr o risco de você abandonar a leitura desse texto logo no começo.

Como pontos positivos, posso mencionar as poucas citações de autoria de Drucker que, apesar de curtas, me provocaram um grande momento de reflexão. Para quem está curioso, irei espalhar algumas delas ao longo do texto. Também me agradou o fato de que o livro não é focado exclusivamente no assunto de administração de empresas, ao contrário, é um livro direcionado ao comportamento humano, o que acaba tornando a leitura menos complexa e mais agradável.

Como de costume, a resenha será divida em tópicos.

Os Trabalhadores do Conhecimento e Competências essenciais

“Toda vez que vejo um executivo queixando-se do conservadorismo da empresa para a qual trabalha, de que não se pode fazer nada, de que o chefe é burro, fico tentado a dizer-lhe: “para de queixar-se do que não pode dar jeito. O que de fato, você pode fazer?””

Em 1960, Drucker já previa que o mundo entraria na era dos “trabalhadores do conhecimento”, ou seja, do trabalho do qual realizaríamos mais com nossos cérebros do que com nossas mãos. O homem, acostumado com trabalho braçal, passaria a dedicar seu tempo na geração de idéias, conceitos e informações. O que soa como algo banal agora, para a época representou uma grande queda de paradigmas.

Ele ainda revelou que os trabalhadores do conhecimento, a não ser nos níveis mais baixos, não se mostram produtivos se tiverem sob ameaça. Somente a automotivação e a autodireção os torna produtivos. Para produzirem, eles precisam ter a sensação de estar conquistando algo.

Eles também necessitam continuamente de novos desafios e de novos estímulos para continuar a crescer, no trabalho e na vida. (Esse tema veio a ser abordado por Daniel Pink, em seu livro Motivação 3.0, quase 50 anos depois).

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Para Drucker, uma pessoa deve descobrir uma organização que tenha valores semelhantes aos seus, pois só assim ela conseguirá usar ao máximo suas competências essenciais e só assim o seu aprendizado constituirá uma fonte de prazer, em vez de obrigação.

Diversificação da vida – A Vantagem de ser uma pessoa multidimensional

“O propósito do trabalho de formar o futuro não é decidir o que deve ser feito amanhã, mas o que deve ser feito hoje, para se ter um amanhã.”

Peter Drucker acreditava que a chave para uma vida completa é dedicar-se a um conjunto diversificado de interesses, atividades e objetivos, assunto que ele chamou de “viver em mais de um mundo”. Para ele, quanto maior o número de mundos em que você habita, mais oportunidades em rede estarão a sua disposição. Um mundo paralelo ao qual você já está acostumado pode proporcionar oportunidades de liderança que não estão disponíveis em seu emprego principal.

É importante para as pessoas que trabalham em empresas, terem um interesse externo, conhecerem outras pesssoas, e não apenas se deixarem absorver totalmente por seu pequeno mundo. Ele se concentra quase que exclusivamente na necessidade da criação de uma segunda carreira, como um trabalho voluntário.

Atuar em vários mundos significa participar de diferentes grupos em diferentes ambientes do qual você não está acostumado. É confraternizar com seus amigos do futebol de terça-feira, é freqüentar uma igreja com pessoas de opiniões diferentes da sua ou participar de discussões políticas em seu Facebook.

Liderança Servidora

“O que são teorias? Nada. A única coisa que importa é como você toca as pessoas. Consegui proporcionar um insight a alguém? É isso que desejo ter feito. Os insights permanecem. As teorias, não.”

Ligando suas idéias ao tópico anterior, Drucker afirma que a pessoa mais capacitada a trazer grande contribuição a empresa é a pessoa madura – e você não terá maturidade se não tiver vida ou interesses fora do trabalho.

Para ele, um líder deve proporcionar os recursos para que seus seguidores possam dar as contribuições mais significativas. Deve concentrar-se no crescimento pessoal de seus liderados e em como isso contribui para um propósito maior do que qualquer objetivo social. Não se trata de conceder energia aos seguidores, mas de ajuda-los a libera-la a partir de si mesmos.

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Ele conclui dizendo que a liderança não se baseia em carisma e brilho, mas em trabalho duro, diligência e responsabilidade.

Pontos Fracos

Sabe aquelas perguntas forçadas que aparecem no meio dos capítulos e que te obrigam a interromper sua leitura para fazer reflexões induzidas? Então, esse livro apresenta uma tonelada delas. Chega a soar algo como “Peter Drucker fez isso, você está fazendo ou pretende fazer isso também ou vai ficar aí parado?”

O autor também exagera ao citar no decorrer do livro sobre as inúmeras obras de Drucker, sendo que no final ele já faz um apanhado dessas mesmas obras! Há diversas partes no livro do qual o autor “enrola” mais que o necessário, isso me fez lembrar aqueles discursos de políticos e advogados (Srs. Advogados, me perdoem a comparação).

Para finalizar o show de horrores, o autor insiste em amarrar todos os capítulos a uma idéia prática da que ele chama de Lista de Vida Total. Trata-se de uma lista onde se pede para que o pobre leitor (já cansado de tantas interrupções em sua leitura) elabore uma lista com duas colunas, uma de sua situação atual e outra de como gostaria que fosse no futuro, com alguns itens considerados por ele importantes, como Amigos, Ensino, Trabalho Voluntário, Interesses Particulares, entre outros.

Segundo o autor, Drucker norteou grande parte de suas decisões pessoais levando em conta o que escrevia nessa lista, mas em minha opinião, sinceramente isso me pareceu mais com aqueles testes de revistas de fofocas.

Conclusão: pela primeira vez, eu digo aqui nesse blog que Não Recomendo a leitura completa do livro! Certamente existe outro do qual a vida de Drucker é melhor abordada. Quando eu achar, prometo que coloco a resenha aqui.


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