[Resenha] O segredo de Luisa: Uma ideia, uma paixão e um plano de negócios


segredoluisa

Não é a toa que o livro O segredo de Luisa: Uma ideia, uma paixão e um plano de negócios, é o campeão absoluto de vendas na área de empreendedorismo. Primeiro pelo autor, Fernando Dolabela é referência incondicional no tema.

Criador dos mais importantes programas de ensino de empreendedorismo do Brasil, já trabalhou diretamente com mais de 4 mil professores universitários que operam com sua metodologia Oficina do Empreendedor. Tem nove livro publicados, além de ser autor do software mais usado pelas universidades brasileiras para desenvolvimento de plano de negócios, o MakeMoney.

O segundo é pela própria trama que envolve o livro, um romance digno de novela das 9 da Rede Globo, propício para o público brasileiro. Para quem está começando a estudar o tema ou não é da área, o livro é leitura obrigatória, digo isso pela forma com a qual o autor conseguiu mesclar pesados conceitos teóricos com uma suave forma de narrativa melodramática.

Basicamente, o livro é estruturado da seguinte forma: no decorrer da história, alguns termos técnicos são utilizados, e logo abaixo deles, um quadro conceitual explicativo é apresentado em uma linguagem de fácil aprendizado. Dentre os termos, destacam-se as diferenças entre um consultor e um mentor, as características de um empreendedor de sucesso, a importância da pesquisa de mercado, dentre vários outros…

E por falar em pesquisa…

Creio que o ponto principal do livro foram os detalhes do plano financeiro e do plano de marketing. Esses dois, com toda certeza, são os passos que mais rendem dificuldades para aqueles que sonham em um dia abrir sua empresa.

Dornelas ainda conseguiu criticar de maneira brilhante a forma com a qual nossas universidades tendem a criar empregados e não empreendedores, um método que, segundo o autor, é incompatível com a organização da economia mundial da atualidade, ou em outras palavras, ele deixa subentendido que o empreendedorismo é vital no progresso econômico de um país

Algumas incoerências…

A história se passa quando Luísa, uma estudante do último ano de odontologia, resolve dar uma reviravolta em sua vida para começar a abrir uma indústria, a Goiabas Maria Amália (GMA), nome criado para homenagear sua querida avó.

Nota-se aí, a meu ver, o principal contrassenso do livro. Se forem levados em conta os conhecimentos de hoje da área de gestão, o principal conselho dado por todos os autores e consultores para quem deseja abrir uma empresa, mesmo para aqueles que já possuem experiência na área, é: COMECE PEQUENO, PENSE GRANDE e CRESÇA RÁPIDO.

E por que começar pequeno?

O principal motivo foi apresentado e difundido por Eric Ries em seu livro A Startup Enxuta. Começar pequeno te dá à vantagem de poder testar o seu modelo de negócios sem que para isso você precise investir preciosos recursos financeiros no projeto. Além disso, para um empreendedor de primeira viagem, começar pequeno lhe dá a possibilidade de ir aprendendo e crescendo com os pequenos erros.

Pois bem, imagine só uma pessoa que está começando a se aventurar no mundo do empreendedorismo e que logo de cara resolve começar abrindo uma Indústria, com uma folha salarial de 6 funcionários, pensando em exportação, etc… Eu particularmente não vejo isso com bons olhos.

A segunda observação fica pela própria metodologia do plano de negócios apresentada. Por expor diversas pesquisas e detalhes, esse plano de inúmeras páginas sem dúvidas é o mais recomendado para um empreendedor iniciar seu negócio, porém, hoje, na rapidez com a qual negócios surgem e ideias são copiadas, é impensável pensar perder 1 ano para aplicar 3 diferentes tipos de pesquisas (com inúmeros questionários para cada uma delas) para testar a viabilidade de um negócio.

Talvez essa metodologia possa se justificar no exemplo do livro, a abertura de uma indústria, entretanto, para uma startup tecnológica, é injustificável. Para fins de esclarecimentos, há tempos o método mais difundido para criação de empresas é o modelo Canvas, desenvolvido por Alexander Osterwalder e apresentado brilhantemente no livro Business Model Generation – Inovação em Modelos de Negócios.

Por fim, acho válido dizer que dificilmente a personagem conseguiria obter os dados financeiros de seus principais concorrentes, como faturamento e lucratividade. Digo isso porque essa é uma informação que empresas de capital fechado guardam a todo custo. Outro detalhe financeiro refere-se ao tempo de retorno do investimento inicial, o chamado Payback. No caso de Luísa, em apenas 10 meses ela conseguiria recuperar todo o investimento feito na construção da fábrica, o que convenhamos, é um prazo baixíssimo se for levado em conta o ramo de atividade industrial.

Conclusão

É obvio que, pela própria trama desenvolvida, o final não poderia ser outro senão o sucesso total da personagem Luísa, escolhida como empresária global do ano após ver sua empresa apresentar a maior receita de exportação dentre todas as outras que concorreram ao prêmio.

A princípio, o principal objetivo de Dornelas em sua obra é alertar os leitores que, apesar do final feliz de Luísa, nem todos estão prontos para aguentar as pressões e atividades que uma vida de empreendedor traz, ou seja, nem todo mundo gosta de assinar cheques e duplicatas ou de atender clientes irritados. Nem todo mundo se sente a vontade ao dar ordens aos outros, penalizar ou repreender empregados faltosos.

Pelo contrário, o autor adverte que toda atividade criada deve ser compatível com as características pessoais de cada empreendedor: sua visão de mundo, seus valores, suas expectativas sobre o negocio, sobre quanto pretende ganhar, e uma infinidade de outras variáveis.

Enfim, para quem tem curiosidade sobre o tema Empreendedorismo, ou mesmo deseja abrir um negócio próprio, esse livro é leitura obrigatória.


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Comentários

  1. […] O segredo de Luísa Tema: Empreendedorismo Sinopse: Com mais de 150 mil exemplares vendidos, O segredo de Luísa se […]

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