[Resenha] Organizações Exponenciais


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Em 1979, a GM empregava 840 mil pessoas e gerou U$11 bilhões em receitas (ajustados para 2012). Vamos comparar a GM com o Google que, em 2012, empregava 38 mil (menos de 5% da força de trabalho da GM em 1979) e gerou US$ 14 bilhões em ganhos (120% da GM).

Para Salim Ismail, diretor executivo da Singularity University e principal autor de Organizações Exponenciais: por que elas são 10 vezes melhores, mais rápidas e mais baratas que a sua (e o que fazer a respeito), essa significativa diferença entre mão de obra empregada e receita gerada pode ser explicada pelo que eles chamam de um ambiente baseado em informação, o que para eles é o conceito definidor de uma Organização Exponencial e a tese que permeia todo o livro.

Conceituando uma Organização Exponencial

Antes de mais nada, é necessário começar com uma definição do termo:

Uma Organização Exponencial (ExO) é aquela cuja impacto (ou resultado) é desproporcionalmente grande – pelo menos dez vezes maior – comparado ao de seus pares, devido ao uso de novas técnicas organizacionais que alavancam as tecnologias aceleradas.

Ao invés de usar exércitos de colaboradores, as Organizações Exponenciais são construídas com base nas tecnologias da informação, ou seja, elas procuram utilizar a informação (commoditie) intensa e onipresente que hoje está disponível no mercado, tentando convertê-la em vantagem competitiva.

Insights sobre as Organizações Exponenciais

O desuso do pensamento linear: As projeções lineares baseadas no passado deixam de fazer sentido em um mundo baseado em informação e crescimento exponencial. Não é porque você vendeu 1.000 unidades no trimestre passado que venderá 1.200 no próximo ano. Esse número pode crescer 10x, 20x, até 1.000x.

Custo ZERO para escalar: Para ser exponencial, o custo marginal de suas vendas precisa ser próximo a ZERO. Exemplos:

Uber: O custo para adicionar um carro e motorista à sua frota é praticamente zero
Airbnb: O custo marginal de alugar mais um quarto é praticamente zero.

Rankings de usuários são fundamentais: A maioria das Organizações Exponenciais possuem um sistema de reputação digital para usuários (ranking, classificação, etc). Isso vem do conceito de que os seres humanos foram programados para competir. Esse sistema de reputação digital gera engajamento, e seus principais atributos são:

Pressão dos pares (comparação social)
Costuma despertar emoções positivas para promover uma mudança de comportamento de longo prazo
Feedback instantâneo
Regras, metas e recompensas simples e autênticas
Custo baixo ao utilizar moedas virtuais ou pontos

Exemplos:

Uber: estrelas para avaliar os melhores motoristas e passageiros
Airbnb: pontuação para avaliar os melhores hospedeiros e hóspedes
Waze: ranking para elencar os motoristas mais engajados.

Interfaces clientes-empresa automatizadas: as funcionalidades que geram receitas para a empresa devem ser, aos poucos, sendo automatizada. Não há como escalar e se tornar uma Organização Exponencial se os colaboradores da empresa tiverem que intermediar esses processos. São elas que ajudam a gerar abundância.

Exemplo:

Adwords do Google: A chave para sua escalalidade é o autoprovisionamento – ou seja, a interface para um cliente do Adwords foi completamente automatizada, de tal forma que não há envolvimento manual por parte dos funcionários da empresa.

Compartilhamento de ativos: Uma organização bilionária no passado precisava de vários ativos, como os maquinários da GE. Nas Organizações Exponenciais isso já não faz sentido, pois quando precisam, elas alugam ou compartilham tais ativos, incluindo equipes de Marketing, Atendimento ao Cliente, etc..

Exemplos:

– Waze pegou carona nos smartphones de seus usuários.
– Uber, EasyTaxy, 99 Taxy alavancaram carros subutilizados
– Airbnb reocupou quartos também subutilizados
– Apple terceiriza toda a sua produção para uma empresa com base na China

Propósito Transformador Massivo em vez de Missão: Esse é mais um livro que prefere abordar PROPÓSITO (os autores chamam de PTM – Propósito Transformador Massivo) em vez de Missão. Para os autores, a motivação do lucro não é suficiente para criar uma Organização Exponencial, ou, francamente, qualquer startup. Pelo contrário, é a paixão obsessiva para resolver um problema complexo que mantém um empreendedor na montanha russa do entusiasmo e desespero que é a história de cada startup. Os desdobramentos estratégicos das EXo’s começam por uma boa definição de PTM. Quando bem definida, ela consegue engajar comunidades, recrutar bons talentos, repelir concorrentes, etc..

Perguntas para definir um Propósito Transformador Massivo:

  • Por que fazer este trabalho?
  • Por que a organização existe?

Exemplos:

Google: Organizar a informação do Mundo.
Ted: Ideias que merecem ser espalhadas.
Singularity University: Impactar positivamente um bilhão de pessoas

Se você prestar bem atenção, verá que nenhuma indica o que a organização faz, mas o que aspira realizar.

Surge um novo Ecossistema: Quando uma EXo está bem estabelecida, ela consegue criar um ecossistema de empresas ao seu redor. Ex: Uber -> Oficinas / Postos de Combustível / Funilarias, etc

Painel de Controle de Indicadores: Dashboard são essenciais para controlar seus indicadores (KPI’s) de desempenho para saber se você está indo no caminho certo.

Exemplos:

Total de Usuários
Novos visitantes no último dia
Registro de novos pagantes por dia
Total de faturamento nos últimos 30 dias

Algoritmos de Aprendizagem: As EXo’s mais bem sucedidas evoluíram baseadas em algoritmos de aprendizagem, tudo automatizado e de forma rápida. Quanto mais os usuários utilizavam seus produtos, mais eles se aperfeiçoavam. Ex: Netflix.

Planejamento Anual em vez de Quinquenal: Algumas décadas atrás era possível (e importante) planejar e longuíssimo prazo. As empresas faziam investimentos estratégicos pensando em uma década ou mais no futuro, e o plano quinquenal servia como um documento único que descrevia os detalhes da implementação dessas apostas estratégicas de longo prazo. No entanto, em um mundo exponencial, plano quinquenal não apenas é impraticável, como seriamente contraproducente

Exemplo:

Considere o TED e o lançamento dos eventos TEDx. Imagine se Chris Anderson, no início de 2009, tivesse levantado e dito: “Ok, pessoal, vamos fazer esse negócio de TEDx. Quero milhares desses eventos em cinco anos”. Ele teria perdido instantaneamente a adesão de sua equipe, já que em um projeção linear, teriam aproximadamente 2.430 TEDx ao final de cinco anos, em comparação aos 12 mil eventos que de fato foram realizados.

Tendência de achatamento gerencial ainda é um mito para o Brasil: Algumas empresas podem se dar ao luxo de cortar níveis gerenciais e trabalhar com equipes auto-gerenciadas, já que seus processos seletivos são extremamente competitivos, e os talentos que entram são gênios. Não é o caso das empresas brasileiras. Não se iludam com essa tendência, por enquanto.

Por fim, nas últimas 100 páginas, os autores se tornam prolixos ao tentarem mostrar como diversas organizações utilizam esses conceitos que foram abordados, tornando o final do livro não só cansativo, como desnecessário. Todavia, isso não acaba interferindo nada na tese dos autores, que é muito relevante dos dias atuais.

 


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