[Resenha] Sem medo de errar: as vantagens de estar enganado


medo-de-errarSensacional é a melhor palavra para descrever esse livro. Sem medo de errar: as vantagens de estar enganado (2012), escrito por Alina Tugend, chegou em minhas mãos por um total acaso e se mostrou um dos melhores livros que li no ano. Essa obra aborda de uma forma bem clara e didática tudo o que envolve o universo dos erros – como os cometemos, como reagimos a eles, como aprendemos com eles e como pedimos desculpas quando o cometemos.

Analisando desde ambientes empresariais e familiares, até chegar em áreas consideradas críticas, onde um erro pode custar várias vidas, como o mundo da aviação e da área médica, a autora dissemina sua habilidade jornalística para mostrar os aspectos positivos que os erros nos proporcionam.

Para Tugend, apesar de não ser, imaginamos que a maioria dos nossos erros são gravíssimos, comparados a derrubada de um avião ou uma morte médica, e é esse medo que nos paralisa e nos impede de arriscar. Sobre isso ela afirma: “não devemos ser perfeccionistas, com fobia de errar, pois pessoas assim não se arriscam” e como diria o bom provérbio brasileiro, quem não arrisca, não petisca.

Descobrir as razões por que cometemos erros e o que aprendemos com eles – podem ser muito uteis para que se evitem erros no futuro. Para ela não há problemas em cometermos erros por estarmos dispostos a experimentar e nos arriscarmos fora do caminho convencional ou mesmo tentar algo difícil, o problema reside quando o cometemos por sermos negligentes ou preguiçosos.

Algo parecido foi descrito em A cabeça de Steve Jobs, onde o autor abordou sobre a eterna filosofia de tentativa e erro do qual o pai da geração “I” era adepto. Para cada produto da Apple desenvolvido, vários protótipos eram criados e modificados, até que finalmente chegassem a perfeição.

Durante boa parte do livro, a autora é enfática em dizer que não devemos ser perfeccionistas, pois estes sentem a necessidade se serem os melhores em tudo, e se cometem um engano, entram em crise e acreditam que perderão o respeito de amigos e colegas se falharem. A necessidade de perfeição que os domina pode também sabotar seus próprios sucessos.

perfeccionista

Eles não entregam projetos no prazo porque ainda não estão perfeitos. Querem seguir regras com excessiva rigidez para que as coisas fiquem “corretas” e isso muitas vezes significa que são extremamente pouco criativos, pois para ser criativo é preciso cometer erros. A propensão a perfeição cobra um pesado preço psicológico, porque toda falha, por menos que seja, é causa de sofrimento.

Portanto, se você coordena pessoas que trabalha em áreas que exigem excessiva criatividade, cuidado com as pessoas perfeccionistas!

Educando filhos e filhas

Segundo a autora, a maioria dos pais costuma focar apenas os resultados obtidos por seus filhos, e não o esforço que estes fizeram para alcançar o resultado, ou seja, é melhor tirar um 10 trapaceando do que um 7 se esforçando. Para ela isso constitui uma tremenda falha, pois os pais devem sentir orgulho de seus filhos quando eles fazem um grande esforço, mesmo que não tenham sucesso.

Outro conselho valioso: Quando tratamos as vidas de nossos filhos como se fossemos comandantes de um navio de cruzeiro que deve leva-los a seu destino, suavemente, sem que eles sintam o menor solavanco ou onda, nos os estamos empobrecendo.

Ela cita um exemplo bastante interessante:

Se esquecem suas luvas de beisebol, meus filhos tem de atinar com alguma outra solução que não seja ligar de imediato para o meu celular. Para os pais, muitas vezes é difícil saber quando ajudar os filhos e quando é preciso deixa-los resolver os próprios problemas.

Para a autora, ajudar seus filhos quando eles cometem um erro não é problema, o problema é quando essa acomodação se tornar um hábito, pois desse modo seus filhos permanecerão em uma eterna zona de conforto.

Tugend também aconselha aos pais criarem seus filhos no que ela chama de “mentalidade de crescimento”, ou seja, os pais devem estimular suas crias a verem suas capacidades como uma qualidade maleável, fazendo-os acreditar que com esforço suficiente, podem superar qualquer obstáculo.

Ela afirma que a “mentalidade fixa”, da qual diz que nossas habilidades são inatas, ou seja, ou nascemos sabendo matemática, ou esta deve ser abandonada, é prejudicial ao futuro desenvolvimento da criança. Pessoas criadas assim temem os equívocos porque pensam que simplesmente não são inteligentes ou talentosos o bastante para realizar a tarefa solicitada, e aprendem a ser defensivos e a jogar a culpa em qualquer coisa ou qualquer pessoa, menos nelas próprias

Errando no ambiente empresarial

Os empregados, como são recompensados por boas decisões e punidos pelas más, despendem muito tempo e energia tentando não errar, eles sabem que grande parte do seu orgulho pessoal e profissional depende deles estarem certos. Floresce assim uma perigosa cultura organizacional, da qual atitudes inovadoras, por serem demasiadamente arriscadas, são evitadas a qualquer custo, pois corre-se o risco de serem escrachados publicamente por um erro que certamente virá.

Para Tugend, as empresas precisam transformar seus costumes de maneira a assegurar que erros sejam vistos como algo com o qual seus funcionários podem aprender. Ela ainda faz uma importante ressalva “criar um ambiente em que as pessoas aprendem as lições certas a partir de enganos não significa que todos sejam gentis com todos o tempo todo”, ou seja, não se trata de uma questão de bondade, e sim de aprendizado visando um bem maior.

Para a autora, a melhor maneira de corrigir essa falha é certificar-se que a cultura organizacional contenha os seguintes fatores:

CULTURA JUSTA : Quando meu editor me pede para notificar todos os erros que cometo em meus artigos, se esse número for usado para me por no olho da rua ou reduzir meu salario, ou se eu souber que outras pessoas não estão sendo solicitadas a fazer o mesmo, eu poderia distorcer um pouquinho minhas estatísticas. Se eu sentir que dados semelhantes estão sendo colhidos de meus colegas e usados de maneira não punitiva para o planejamento de um sistema que extirparia alguns desses erros, eu seria muito mais franca.

CONFIANÇA E FRANQUEZA – se esses dois fatores não estiverem presentes, ou não forem percebidos, os trabalhadores tentaram acobertar suas asneiras, e a aprendizagem organizacional é decepada pela raiz. Se um chefe ou colega reage com censura, punição ou humilhação, isso por certo ajuda os empregados a aprender uma lição: “fique de boca fechada e mantenha a cabeça baixa da próxima vez que der um passo em falso”.

O ambiente organizacional precisa ser modelado de maneira que os empregados se sintam psicologicamente seguros, não tenham medo de discordar de outros, de fazer perguntas ingênuas ou de admitir erros. A cultura deve ser adaptada de tal modo que os subordinados não tenham medo de questionar seus superiores. Se um funcionário nunca ver um colega mais velho reconhecer e revelar seus erros, eles podem concluir que faze-los não favorece seus interesses de carreira.

Diante disso o aviso é bem claro: cuidado para não criar na sua empresa uma cultura em que todo mundo é perfeito.

Homens reagem de um jeito, Mulheres de outro

Sem procurar me estender muito, aqui vai um breve resumo sobre as maneiras com as quais os homens e as mulheres reagem ao erros:

  • Mulheres :

Sofrrem mais e se culpam mais
Podem ter alguma consciência de que seus erros poderiam de fato ter um preço mais alto que erros semelhantes cometidos por homens.
Tendem a internalizar seus erros por muito tempo
Tendem a ficar mais afetadas emocionalmente com os equívocos que cometem, e se detém neles por muito mais tempo que os homens
Ficam mais infelizes e menos confiantes que os homens quando recebem feedback negativo
Tendem a evitar a possibilidade de falhar porque tendem a ficar mais afetadas e deprimidas que os homens

  • Homens:

Superam seus tropeços mais depressa e tendem a por a culpa nos outros e depois fugir as pressas do erro
Tentam justificar seu erro de maneira a não saírem como culpados.
Só se sentem estúpidos se errarem em uma área que se consideram especialistas, não há problemas em ser um patético bailarino, porém é inadmissível ser um péssimo esportista.
Se um homem ver que já cometeu o mesmo erro que a pessoa que eles esta julgando, tenderá a ser mais perdoável

Conclusão

Ao final, chega-se a seguinte conclusão: Os erros nos ajudam porque aprendemos com eles.

Se tratarmos nossos filhos ou funcionários dando mais ênfase ao esforço e menos aos resultados, a longo prazo suas performances podem ser significativamente melhorada. Devemos admitir que não conseguimos ser perfeitos, e que esta não é uma meta que deveríamos perseguir. Se o prêmio for sempre a busca da perfeição, o medo de fracassar ofuscara a disposição para experimentar, assumir riscos e nos desafiar.

Seres humanos precisam ter sucesso, mas temos que saber que eles também precisam fracassar. Todos nós precisamos nos sair bem em algumas coisas, mas não em todas, e embora não seja desejável que fracassem o tempo todo, devem fracassar às vezes.

Livro extremamente recomendado!


Newslatter
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