[Resenha] Sonho Grande: Como Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira Revolucionaram o Capitalismo Brasileiro e Conquistaram o Mundo


 

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Hoje eu tenho o privilégio de resenhar o que eu considero um dos mais brilhantes livros de gestão que já li. Já estava mesmo na hora de aparecer um rival a altura para a obra de Ricardo Semler, “Virando a Própria Mesa”, escrito em 1988.

O livro “Sonho Grande” mostra como Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, (1º, 4º e 8º homens mais ricos do Brasil), aplicaram o seu estilo de gestão em diversas empresas que presidiram ao longo de suas carreiras.

Para se ter uma ideia, esses caras pegaram a Brahma AS TRAÇAS e a transformaram, depois da aquisição da Budweiser, na maior cervejaria do MUNDO. Pegaram a Lojas Americanas DESACREDITADA e a transforam em uma das maiores empresas de comércio do Brasil. Eles também DOBRARAM o faturamento do Burger King em apenas 3 anos de gestão, sem contar a recente aquisição da HEINZ, no que foi a maior transação da história do setor de alimentos.

Ou seja, ao longo de suas carreiras, eles arremataram 3 ícones da cultura americana!

Mas não é só isso, ainda existem rumores que futuramente os três pretendem comprar a Pepsico ou a Coca-Cola!

O estilo de gestão que eles implantaram em cada uma das empresas que adquiriram, e que é bem demonstrado ao longo do livro, é genial.

Os esquemas de MERITOCRACIA e de CORTE DE CUSTOS são citados a todo o momento!

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Aqueles funcionários que conseguissem bater as metas estipuladas pela empresa, eram GENEROSAMENTE recompensados com remunerações variáveis, com fortes e rápidas possibilidades de se tornarem diretores ou sócios da empresa. Era o resultado que importava, e não o tempo de casa ou qualquer outra variável fútil.

Já para os funcionários que estavam acostumados a salário fixo e garantido no final do mês, estabilidade na carreira, e várias outras comodidades, sobravam duas opções: ou se adaptavam ou RUA. Anualmente, a empresa dispensava 10% do seu quadro de funcionários.

A produtividade era constantemente medida afim de não cometer injustiças, o que permitia premiar quem realmente merecia. Há de se dizer que os empresários só se tornaram bilionários porque enriqueceram dezenas de pessoas pelo caminho.

Mordomias empresarias também eram terminantemente PROIBIDAS. NADA de carros importados, viagens e hotéis de primeira classe, ternos, ou qualquer outra excentricidade por conta da empresa. Não existia sequer vaga reservada no estacionamento para os diretores, as melhores vagas eram destinadas a quem chegasse primeiro ao trabalho!

 

“Custo é como unha, tem que cortar sempre.”

Além disso, nenhum membro de suas famílias poderia ser admitido como funcionário de nenhuma das empresas, essa norma servia para não quebrar o esquema da meritocracia imposto pela empresa. Nada de filho, genro, cunhado, ou seja lá qual for o parentesco da pessoa.

Também era uma característica a inexistência de divisórias entre os diversos níveis de funcionários. Segundo eles, se por um lado a falta de paredes acabava com a privacidade, por outro agilizava o trabalho do grupo e minimizava as diferenças hierárquicas.

Havia um típico específico de profissional que agradava o trio, esses eram chamados de PSD (em inglês), que significava pobre, esperto e com grande desejo de enriquecer.

“Para ser vencedora, uma empresa deve recrutar gente boa, preservar a meritocracia e dividir o sucesso com os melhores.”

Eram justamente a meritocracia, somada ao principio de profissionais PSD, que possibilitavam que um office boy pudesse chegar ao concorrido cargo de sócio com pouco tempo de casa. “Sem crescimento, a meritocracia não passa de um discurso bonito” diziam.

Todos sonhavam com o topo prometido e faziam quase de tudo para chegar lá. Constranger um colega na frente de outras pessoas durante as avaliações semestrais era comum. Como a hierarquia tinha pouca importância ali, passar por cima do chefe e falar diretamente com o superior dele também fazia parte das praticas corriqueiras. Era uma disputa em que apenas os melhores sobreviviam.

Infelizmente, também existe o lado ruim da história. Tamanha agressividade acabou rendendo a AMBEV uma série de processos de assédio moral. Processos de vendedores que eram humilhados por não baterem suas metas tornaram-se comuns. Fornecedores sentiam-se prejudicados por serem forçados a cumprir com as exigentes normas de fornecer seus produtos por um preço consideravelmente mais baixo do que o normal. Consumidores começaram a protestar alegando que na corrida exagerada pelo corte de custos, a empresa começou a deixar a desejar na qualidade de seus produtos.

Resumindo, a gestão que eles aplicaram em suas empresas, e que fez com que eles alcançassem reconhecimento MUNDIAL, é totalmente INVERSA a que é aplicada por nosso governo, tanto que uma das dificuldades apontada por um deles, em seu projeto paralelo que busca implantar melhorias no setor público, é encontrar uma forma de aplicar a meritocracia no engessado funcionalismo público cheio de leis e normas que garantem a estabilidade e a mordomia das pessoas.

Lições a serem aprendidas? Muitas! Esse é um livro que TODOS os administradores deveriam ler!


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