[Resenha] Tudo é Óbvio: desde que você saiba a resposta


tudo é óbvioEsse foi sem dúvidas, o livro mais complicado que li no ano de 2012. Em Tudo é Óbvio: desde que você saiba a resposta, Duncan J. Watts, um jovem sociólogo de 40 e poucos anos, tenta descrever de uma forma simples, mas que ao longo do livro acaba se tornando desconexa e complicada, algumas questões sobre como decisões baseadas no senso comum enganam nossos julgamentos, prejudicando assim nossas conclusões.

Vale dizer que elaborar a resenha deste livro demandou um grande esforço deste que vos escreve. Inúmeras teorias e termos técnicos são expostos, de maneira que explicar tudo em um único texto de maneira clara é praticamente impossível. Desta forma, ao longo da semana irei escrever sobre algumas dessas teorias separadamente para facilitar até mesmo o meu raciocínio.

O Livro

Duncan, assim como a maioria dos sociólogos, tenta questionar nossos instintos sobre como as coisas funcionam. O autor afirma que para tomar uma boa decisão a cerca de um problema, o primeiro passo é nós desaprendermos sobre este problema. Sim é isso mesmo, antes de aprender é preciso desaprender!

Ele ainda afirma que a maioria das pessoas sofre de um grave problema de adivinhação quando o assunto envolve o gerenciamento de pessoas. Todos nós acreditamos saber o que está certo ou errado na administração de uma empresa ou na economia de um país, todos nós somos experts em dizer o porque um artista ou um livro virou sucesso e porque outros não deram certo.

Na grande maioria das vezes, mesmo sem termos dados para comprovar nossas teorias, nossa tendência é tentar dar uma explicação para tudo. (Escrevi algo parecido em E lá se quebra mais uma empresa… que bom!)

Ao longo do texto, Duncan cita outros autores que o ajudam a endossar sua pesquisa, como os conhecidos Dan Ariely de Previsivelmente Irracional e Positivamente Irracional, Phil Rosenzweig de Derrubando Mitos e Steven Levitt  de Freakonomics..

O autor ainda faz uma crítica sobre a obra de Jim Colins (Empresas feitas para Vencer), Malcolm Gladwell (O ponto da virada) e Nicholas Taleb (A Lógica do Cisne Negro). Para quem já leu as obras facilita bastante o entendimento sobre o que ele quer dizer, mas para quem ainda não leu, fique tarnquilo, o autor consegue ser suficientemente explicativo para não prejudicar a leitura dessas pessoas.

Teorizando o Senso Comum

Nas palavras do autor:

O Senso Comum é predominantemente prático, significa que ele se concentra mais em encontrar respostas para perguntas do que investigar como se chegou a essas respostas. O senso comum apenas “sabe” o que é apropriado fazer em cada situação em particular, sem saber como sabe disso.

O problema de tudo isso é que quando não sabemos a verdadeira causa para um determinado problema, quando o julgamos com base no senso comum, podemos elaborar planos de ação em cima de conclusões equivocadas.

Esse por sinal é o famoso dilema de causa e efeito abordado por Phil Rosenzweig em seu livro Derrubando Mitos, onde o autor explica a falácia de especialistas que tentaram analisar as causas que fizeram algumas empresas serem bem sucedidas.

O problema é que essas causas, ao passar dos anos, julgaram-se ilusórias e algumas dessas “gloriosas” empresas viram seus lucros despencarem alguns anos mais tarde (esse é o grande motivo de tantos autores questionarem a metodologia usada por Jim Colins em seu livro Empresas feitas para Vencer, onde o autor elabora uma lista de fatores que aparentemente foram responsáveis por fazer aquelas determinadas empresas serem bem sucedidas).

Exemplificando o dilema de causa e efeito:

Imagine que você seja o coordenador responsável por resolver os problemas de uma sala de aula que está apresentando um desempenho consideravelmente abaixo da média em uma determinada matéria. Imagine agora a infinidade de causas que podem estar causando este problema: os alunos podem estar com problemas familiares ou profissionais, podem não gostar da maneira com a qual o professor explica a matéria, podem estar priorizando outra matéria que julgam mais importante para sua formação, enfim…

Fazer uma análise detalhada para saber qual a causa de determinado é importante pois cada causa merece uma ação específica. Uma coisa é tomar medidas que visam compreender os problemas familiares dos alunos e outra completamente diferente é mudar a metodologia de um professor.

De maneira parecida, o mesmo acontece com as empresas quando seus gestores não fazem uma análise detalhada das causas que levaram ela a ter sucesso ou fracasso (efeito). S

em essa análise, esses gestores acabam tomando suas decisões baseados no senso comum (ou com base em sua “experiência”, como a maioria dos dinossauros gosta de dizer), que no caso do exemplo acima, poderia ser pegar o histórico de problemas similares de outras salas passadas. E o resultado, como já descrevi, é a possibilidade de tomar decisões totalmente equivocadas.

Descobrir a verdadeira causa do efeito é a melhor forma de tomar uma decisão

Vale lembrar que explicações como essa valem tanto para o fracasso quanto para o sucesso de qualquer coisa. Assim como julgar que as notas de uma sala são baixas por uma determinada causa que você não investigou, julgar seu sucesso em cima de causas desconhecidas também pode resultar em um grande erro, como bem demonstrou Steven Levitt em seu livro Freakonomics, onde através de uma extensa análise, o autor desmascarou o bom desempenho de vários alunos em um exame nacional aplicado pelo governo americano, onde este premiava os professores dos quais as escolas apresentavam um bom desempenho (descobriu-se que os professores estavam fraudando as provas).

Ducan deixa bem claro que mesmo nas situações mais simples, a lista de fatores que podem se mostrar relevantes pode ser muito, muito longa, e que explicações baseadas no senso comum parecem nos dizer por que algo aconteceu, quando, na verdade, tudo o que elas fazem é descrever o que aconteceu.

Então por que agimos assim?

Agimos assim porque gostamos de oferecer explicações prontas sobre quaisquer circunstancias que o mundo nos apresente, essas explicações nos dão confiança para viver dia após dia e nos livra da obrigação de nos preocuparmos se algo que pensamos saber é realmente verdadeiro ou apenas algo em que, por acaso, acreditamos. Resumindo, a lógica do senso comum nos diz que é maravilho poder dar sentido ao mundo, mas não necessariamente compreende-lo.

O resultado de tudo isso é que as pessoas só conseguem explicar os fatos depois que eles já ocorreram, ou seja, é a partir do resultado final de algum acontecimento que tentamos arranjar explicações sobre o porque desse fato ter dado certo ou não, em outras palavras, todos nós temos tendências de começar pelo final, quando na verdade o que deveríamos fazer e juntar as partes necessárias que estão espalhadas ao longo do caminho para só assim chegar ao seu fim.

É assim que os especialistas agem ao explicar os fatores que levaram a uma crise financeira, é assim que os comentaristas de futebol analisam um time que foi campeão ou que foi rebaixado, é assim que os críticos explicam o sucesso de uma banda ou de um livro. Primeiro o evento final acontece, e só depois aparecem os sabichões com as respostas para eles, falando que já sabiam de tudo, com a velha frase “eu avisei”

Comentaristas de Futebol: Os reis das adivinhações!

Como conclusão o autor afirma que tentar prever acontecimentos “grandes” de longo prazo é algo praticamente impossível e que certas coisas acontecem porque de fato deveriam acontecer, ou seja, não devemos pegar grande acontecimentos que fogem da média (os Cisnes Negros de Taleb) como base para tomada de decisões de acontecimentos futuros.

Achou o final meio confuso? Então aguarde os próximos textos!

Nos vemos em breve.


Newslatter

Comentários

  1. @PriYamaneiros diz:

    Já saiu a outra parte do texto?

    Gostei bastante da resenha e, como acabei de ler o livro em questão, gostaria de ler mais sobre o assunto, pois como foi dito, Tudo é óbvio não é tão óbvio assim, pelo menos pra mim.

    Obrigada,

    1. Olá,

      Essa semana prometo pegar novamente o livro da estante e postar sobre um novo assunto.

      Fique atenta hehe

      Att.

  2. O pronome é VOS com S, VOZ com Z é o nome do som que sai de vossa boca, por isso corrija o texto no segundo paragrafo para: “este que VOS escreve”

    1. Feito. Não precisa ficar com receio de dizer o seu nome, erros de digitação acontecem, não vou achar ruim a sua colação, inclusive a sua bela e detalhada explicação… só tenho a te agradecer. Abraços.

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