[Resenha] Você está louco! – Ricardo Semler


semlerConsiderado Homem de negócios do Brasil em 1990 e 1992 e Homem de negócios da America Latina em 1990. Foi apontado como um dos 100 mais arrojados jovens lideres globais pelo World Economic Fórum de 1994. Autor do livro Virando a própria mesa, o maior bestseller brasileiro de não-ficção de todos os tempos. Esse é Ricardo Semler, uma pessoa que faz muito sucesso lá fora, mas que é pouquíssimo reconhecido nacionalmente.

Vida Pessoal

Ricardo herdou a multinacional SEMCO de seu pai aos 22 anos e iniciou o que seria umas das reengenharias mais famosas da história da Administração. Aboliu a gestão autocrática que imperava na empresa para adotar uma gestão descentralizada e participativa. Já no primeiro dia de trabalho, Ricardo demitiu 60% dos funcionários da alta diretoria e mostrou a todos que não estava lá para brincadeiras.

O resultado? Em mais de 20 anos à frente do negócio que herdou de seu pai, Ricardo Semler fez o número de funcionários da SEMCO crescer de 300 para 3 mil e o faturamento, de US$ 4 milhões para US$ 200 milhões.

Devido ao seu imenso sucesso frente a SEMCO, foi convidado a ministrar inúmeras palestras. Por onde palestrava, o espaço lotava. Lugares precisavam ser improvisados, sem contar aqueles que ficavam do lado de fora por não conseguirem vagas. O preço de suas palestras? $ 40.000 dólares.

Pessoalmente, me impressionou o fato de ele contar que aos 16 anos, sua capacidade de leitura beirava os 100 livros por ano, divididos em 100 páginas por hora, o que lhe permitia ler facilmente um livro por dia. Desnecessário dizer então que sua bagagem intelectual aos 20 anos de idade era algo fora do comum.

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Foram tantas as viagens e aventuras que fica até difícil de entender como ele as conseguiu encaixar nas pouco mais de 250 páginas do livro. Já teve seu próprio programa de rádio e atualmente se dedica a escrever uma coluna de jornal e peças de teatro. Pouco se envolve com a gestão da SEMCO, dedicando-se a projetos sobre educação, como o projeto Lumiar, do qual falarei mais adiante.

SEMCO

Na SEMCO, quanto mais Ricardo delegava poder, mais influente ficava. Quanto mais distribuía dinheiro aos seus empregados, em forma de projetos como Participação de Lucros (foi um dos pioneiros no Brasil a implantar esse programa) mais rico ele ficava.

Depositou em seus funcionários o sucesso de sua companhia. Com um pouco de liberdade concedida, Semler delegou para seus “subordinados” a responsabilidade pela compra de material que cada setor precisaria, sem fazer qualquer tipo de questionamentos. Os funcionários da produção também ficaram responsáveis por cuidar dos jardins, banheiros e móveis, o que reduziu seus gastos com funcionários extras, como jardineiros, faxineiros e mecânicos de manutenção.

Esses funcionários também ajudaram a identificar gerentes redundantes, sugeriam produtos novos e quando a coisa apertava, como na época do Plano Collor, votavam em favor da diminuição de seus próprios salários. Eles também eram responsáveis por entrevistar os pretendes a cargos de diretoria, já que, se não existisse sintonia entre um diretor e seus funcionários, não haveria motivo desse ser contratado. Além disso, o “líder” dos funcionários ainda participava de reuniões da diretoria, onde ficava sabendo das decisões atuais e planos futuros da empresa.

Foi essa gestão participativa que tornou a SEMCO fruto de diversos estudos de caso em países do mundo inteiro, tornando Ricardo Semler como um mito na área de liderança empresarial.

A escola LUMIAR

Assim como aconteceu na Semco, a escola Lumiar é amplamente adepta a descentralização e ao sistema participativo, onde promove uma imensa autoridade para as crianças, que tem tanta ou mais autonomia que os professores. Uma pequena descrição pode ser lida logo abaixo:

“As escolas libertárias têm em comum a participação dos estudantes na gestão, a ausência de hierarquia, de provas e de boletins e o livre aprendizado. Nelas, cabe ao professor apenas guiar as crianças na descoberta dos próprios interesses.”

Ou seja, os próprios alunos são responsáveis por montar sua grade curricular, e assim se aprofundam em suas matérias preferidas.

Porém, nem tudo na vida de Semler são glorias. Pesquisando um pouco na internet, descobrem-se algumas em seu estilo de gerir. Em uma delas, afirma-se que suas idéias, de tão revolucionários e ousadas, são de difíceis implementação. Sua rápida mudança de interesses também é alvo de críticas, alguns dizem que ele pode te contagiar com a idéia de um projeto, e 6 meses depois, mudar totalmente de idéia.

Curiosidade: O Hotel Botanique, descrito no livro como um revolucionário empreendimento para as pessoas de alta renda localizado em Campos do Jordao, do qual Ricardo captou milhões de investimentos com diversas pessoas, até agora, mostrou-se um tremendo fracasso. Hoje o hotel encontra-se semi-acabado na espera de compradores.

Ponto fraco do livro: há inúmeras expressões (desnecessárias) em diversas línguas que às vezes tornam confusas o entendimento de certas frases. Fora esse detalhe, o livro é uma rica e completa experiência de vida. Muito recomendado!


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