Sal e Batata: a combinação que pode não funcionar na sua empresa


yin-yang1Quem me acompanha há algum tempo já sabe que eu sou um profundo admirador do programa MasterChef, atração que é exibida semanalmente pela Band.

Para quem ainda não conhece, trata-se de um programa que mostra um grupo de cozinheiros amadores que precisam passar por diversas provas para tentar alcançar o seu sonho, o de se tornar um renomado Chef de cozinha.

É claro que o meu intuito principal ao assistir o programa não é o de aprender a elaborar pratos dos quais os ingredientes eu dificilmente irei ver em minha vida, pelo contrário, o aprendizado que busco vem através da observação do comportamento dos participantes em situações de grande pressão, como já comentei no texto do qual analisei o desempenho do participante Fernando ao exercer o cargo de líder em uma prova da qual eles precisavam manter uma boa harmonia ao cozinhar em equipe.

Porém, como faz parte do pacote, é claro que uma ou outra técnica gastronômica eu acabo aprendendo.

Entre não apertar o filé de frango na hora de fritá-lo para que ele não fique seco, e cortar o bife em finas fatias para que a casquinha da fritura a milanesa não crie bolhas de ar, uma das artimanhas que mais me chamou atenção foi o fato de adicionar algum ingrediente coringa em meio aos demais para que esse absorva o sal que ficou em excesso na comida.

É válido dizer que muito provavelmente antes do MasterChef existir, sua vó já devia colocar algumas batatas quando errava na quantidade de sal ao fazer aquela boa e velha carne de panela…

Pois bem, fazendo uma simples analogia com o que nos interessa, afinal, esse é um blog sobre negócios, se esse procedimento funciona muito bem na cozinha, não podemos dizer que ele apresenta a mesma eficácia em uma empresa.

Em outras palavras, não adianta sermos excelentes em um determinado processo do nosso negócio, ou em uma determinada atitude em nossas carreiras, se do outro lado estivermos deixando a desejar.

Por exemplo, de que adianta um banco ter ótimas práticas de responsabilidade social na comunidade se nas agências suas filas são enormes e a escassez de funcionários nos guichês irritam os consumidores.

De que adianta um político distribuir cestas básicas para um bairro carente se o dinheiro para financiá-las veio através do recebimento de propinas.

De que adianta sermos excelentes na divulgação do nosso restaurante se ao chegar até lá, o cliente encontrar funcionários mal-humorados e um ambiente sujo.

De que adianta conquistarmos uma excelente promoção em nossa organização sendo que para obtê-la tivemos que passar a perna em colegas do nosso setor.

Nesses e em muitos outros casos, ao contrário da batata que visa anular o sal de algum outro ingrediente sem que para isso ela prejudique o resultado final do prato, uma atitude louvável dificilmente irá anular uma outra desprezível.

O velho bordão “rouba, mas faz”, que por incrível que pareça foi insistente usado pelo ícone da política brasileira Paulo Maluf em sua tentativa de reeleição para o cargo de governador do estado de São Paulo, está cada vez mais sendo repudiado pela população.

Portanto, o meu recado final é que você examine os processos da sua empresa e também reveja as suas atitudes profissionais. Usar uma boa atitude como desculpa para tentar acobertar uma péssima, em tempos de redes sociais, pode ser um tiro no pé.


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