Será que existe um tubarão atrás de você?


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Quem me conhece sabe que eu detesto histórias que mesclam animais com o ambiente de trabalho. Reconheço que essas histórias são poderosas ferramentas metodológicas que facilitam as pessoas a fixarem o conteúdo ensinado, e, não à toa, são usadas pela maioria dos palestrantes motivacionais, porém, desde a vez em que presenciei uma palestra na qual o palestrante começou a comparar os funcionários da empresa com bichos preguiça, ursos, gaviões, etc, e estes, após saírem do evento, começaram a se acusar um ao outro, transformando o ambiente de trabalho em um verdadeiro zoológico, comecei a virar um forte crítico dessa técnica.

Entretanto, vou fugir um pouco das minhas convicções e postar a seguinte história que retirei do blog A Quinta Onda, por acha-la bem conveniente aos assuntos que abordo aqui no blog. Leia a história e tire as suas próprias conclusões. A conclusão também é do autor do blog, o autor da história, todavia, é desconhecido.

Será que existe um tubarão atrás de você?

Os japoneses sempre adoraram peixe fresco. Porém, as águas do mar perto do Japão não produzem muitos peixes há décadas. Assim, para alimentar a sua população, os japoneses aumentaram o tamanho dos navios pesqueiros e começaram a pescar mais longe da costa.

Quanto mais longe os pescadores iam, mais tempo levava para o peixe chegar. Se a viagem de volta levasse mais que alguns dias, o peixe já não era mais fresco. E os japoneses não gostaram do gosto destes peixes.

Para resolver este problema, as empresas de pesca instalaram congeladores em seus barcos. Eles pescavam e congelavam os peixes em alto mar. Os congeladores permitiram que os pesqueiros fossem mais longe e ficassem em alto mar por muito mais tempo.

Os japoneses conseguiram notar a diferença entre peixe fresco e peixe congelado e, é claro, eles não gostaram do peixe congelado. Entretanto o peixe congelado tornou os preços mais baixos.

Então, as empresas de pesca instalaram tanques de peixe nos navios pesqueiros. Eles podiam pescar e enfiar os peixes nos tanques como “sardinhas”. Depois de certo tempo, pela falta de espaço, eles paravam de se debater e não se moviam mais.

Eles chegavam vivos, porém cansados e abatidos. Infelizmente os japoneses ainda podiam notar a diferença do gosto. Por não se mexerem por dias, os peixes perdiam o gosto de frescor. Os japoneses preferiam o gosto de peixe fresco e não o gosto de peixe apático.

Como os japoneses resolveram esse problema?
Como eles conseguiram trazer ao Japão peixes com gosto de puro frescor?

Para conservar o gosto de peixe fresco, as empresas de pesca japonesas ainda colocam os peixes dentro de tanques, nos barcos. Mas, eles também adicionam um pequeno tubarão em cada tanque.

O tubarão come alguns peixes, mas a maioria dos peixes chega “muito vivo” e fresco no desembarque. Tudo porque os peixes são desafiados, lá nos tanques.

A histórica acima é uma bela metáfora do mundo do trabalho. Inconscientemente nós procuramos trabalhar em ambientes seguros, nos aproximamos de pessoas que pensam igual a nós, sempre com o objetivo de enfrentarmos o mínimo possível de contradições e desconforto.

Procuramos sempre nossa zona do conforto. Esse comportamento nos transforma em “peixes preguiçosos”.

Queremos distância dos “tubarões” que pensam diferente da gente, que nos desafiam e que nos tiram da zona de conforto. Tubarões geram inquietude, desconfiança e ansiedade.

Porém, são os tubarões que geram o ambiente de desafio constante, de desconforto contínuo, que faz a organização se desenvolver. A única maneira para crescer sempre é fazer aquilo que “você não sabe fazer”.

Portanto, como norma de vida, tenha um tubarão no tanque junto com você.


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